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Caos em Brasília com temporal

Consequências foram ruas alagadas, falta de energia, carros submersos, árvores caídas e sujeira

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Vítor Mendonça
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O forte temporal que atingiu o Distrito Federal na manhã de ontem deixou a maioria da população atônita com os fortes ventos e a grande quantidade de chuva caída em um curto período. Durante cerca de duas horas choveu 27 milímetros, o equivalente a 12% do esperado no mês inteiro, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). O resultado foram ruas alagadas, carros inundados, árvores caídas e muita sujeira.

Uma das áreas centrais mais afetadas pelas chuvas da manhã de ontem foi a quadra 511 da Asa Norte, que teve a via alagada a uma altura de quase 70 centímetros. Na região, em um dos estacionamentos laterais à via W3, em frente à uma das sedes temporárias da Secretaria de Educação, alguns carros foram inundados em pouco tempo. Uma das servidoras da pasta, Ana Paula Alves Liberal, 34 anos, é dona de um dos veículos atingidos pela água e relatou a angústia da situação.

“Foi tudo muito rápido, começou eram umas 8h30. Como trabalho no quarto andar e o vidro é escuro, não dá para ver muito do lado de fora. Imaginei que fossem daquelas chuvas fortes que vêm e logo param. Quando vi que a água já estava subindo lá em baixo, desci. Quando cheguei, a água já estava na metade do meu carro e não deu tempo de tirar”, contou a servidora ao Jornal de Brasília.

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Há quase um ano trabalhando no local, Ana Paula se mostrou surpresa com a situação e precisou chamar o guincho para levar o veículo, o qual ainda tinha as marcas da água tanto dentro quanto fora. Sob os pedais, uma poça marrom mostrava o resultado do alagamento, que também era evidente nos bancos frontais e traseiros, encharcados.

“É a primeira chuva que estou pegando aqui e não imaginava que era isso tudo. Quando cheguei, deparei com esse prejuízo”, lamentou. “Já haviam me dito que na garagem do prédio não é bom estacionar porque é o primeiro lugar que alaga. Ainda costumo chegar cedo para poder pegar esse lugar, mas já estou sabendo que é impossível parar aqui também”. A servidora técnica administrativa chegou ao trabalho por volta das 7h e provavelmente terá de trocar a instalação motora, que fora completamente submersa.

Em cerca de 60 centímetros de altura, parte da garagem da Secretaria esteve coberta pela água, que chega pelas entrada e saída dos carros, acessados pela W2 Norte da quadra. A informação foi confirmada ao Jornal de Brasília, que registrou o fenômeno não incomum para quem trabalha no órgão. Segundo os funcionários do local, esta não é a primeira vez que a situação ocorre no prédio.

Projeto de drenagem
O diretor de urbanização da Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap), Luciano Carvalho, afirmou que o problema na região, especificamente, se dá pela antiga infraestrutura que o sistema de drenagem comporta. “Na Asa Norte, a gente realmente tem uma deficiência de dimensão dessas redes de captação da água da chuva. Hoje elas são insuficientes; são redes antigas que precisam ser redimensionadas”, afirmou.

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“Mas isso é um projeto a longo prazo; encontramos um projeto defasado que está sendo refeito. Ainda não temos uma previsão para a implantação definitiva de um novo sistema”, complementou Luciano. “No entanto, avaliamos que nossas primeiras ações paliativas têm causado o efeito esperado nesta temporada. A água subiu menos e escoou com mais rapidez pelo nosso trabalho de limpeza.”

A problemática se estende também para a educação a respeito do lixo jogado nas ruas. Inevitavelmente, com as correntezas formadas na chuva, os resíduos são levados às tampas dos bueiros, o que dificulta o trabalho das chamadas bocas de lobo.

“Eu quero ressaltar a rapidez do GDF. Todos os órgãos trabalhando de maneira integrada para melhor atender à população e às demandas que estão aparecendo. Todos trabalhando nesses momentos, em estado de alerta”, finalizou.

DF em estado de alerta para temporais

De acordo com Olívio Bahia, meteorologista do Inmet, a quantidade milimétrica da chuva de ontem está dentro dos padrões da atual estação, o verão.

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“Agora o período é quente e úmido, então a formação de nuvens do tipo cumulos nimbus, que são as carregadas de água e que trazem raios e trovoadas, são mais comuns de serem formadas”, afirmou o meteorologista.

O diferencial, no entanto está na grande quantidade de água que cai em um curto período. “É por isso que as vias alagam”, explicou o especialista. “Há uma grande demanda para os bueiros e o sistema de drenagem”, completou.

A previsão levantada pelo meteorologista é que a “turbulência climática” permaneça até amanhã, mas pode se estender ao longo do fim de semana. O período de chuvas deve ir até meados de abril e maio.

A quantidade de chuvas colocou o DF em alerta de risco pela Secretaria de Segurança Pública, por meio da Defesa Civil. No site do órgão www.ssp.df.gov.br, a população pode encontrar maiores orientações para se proteger dos temporais. Em casos de emergência, a recomendação é o contato direto com o Corpo de Bombeiros, por meio do número 193.

Saiba mais:

Diante de temporais na cidade, a Secretaria de Segurança Pública do DF pontuou algumas medidas a serem tomadas para se proteger.

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Nas chuvas acompanhadas de raios, não use telefones ligados em tomadas e não fique próximo de canos, janelas e portas metálicas.

Caso haja destelhamento, a orientação é permanecer dentro da residência e procurar abrigo, como uma mesa ou cama, para evitar ser atingido por cacos e pedaços de telha.

Para quem estiver na rua quando começar uma chuva, é recomendável não segurar objetos metálicos longos; não empinar objetos com fio; não permanecer na água, dentro de piscinas ou em áreas abertas, por conta do risco de raios e descargas elétricas.

Nunca se abrigue debaixo de árvores isoladas.

Se começar a entrar água dentro de casa, desligue o disjuntor.




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