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Candidato a conselheiro tutelar no Park Way é acusado de comprar apoio para se reeleger

Jornal de Brasília obtém áudio em que Nilsinho, cabo eleitoral de Fernando Reis, eleito no Park Way, diz ter trocado apoio de grupo da Vargem Bonita por cachaça e cerveja

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Voto por cachaça e cerveja

Olavo David Neto e Vanessa Lippelt
redação@grupojbr.com

Candidato à reeleição como conselheiro tutelar no Park Way, Fernando Reis pode estar envolvido em um esquema de compra de votos, boca de urna e transporte ilegal de eleitores para garantir a sua permanência no cargo.
Cinco concorrentes de Fernando – três delas eleitas junto com o denunciado – escreveram de próprio punho uma ata na qual atestam as supostas irregularidades e adiantam que vão entrar com ação pedindo a impugnação da sua candidatura.

Em áudio obtido com exclusividade pelo Jornal de Brasília, um homem identificado como Nilsinho, suposto amigo e cabo eleitoral de Fernando, revela a um parente que compareceu a um churrasco, no Núcleo Rural Vargem Bonita, que fica na região do Park Way, e ofereceu bebidas alcoólicas em troca de votos do pessoal que ali estava.

Em tom jocoso, ele relata: “Eita peste, é agora que nós arranja 200 votos”. Ao abordar um dos moradores, segundo Nilsinho, ele teria ofertado “uma caixinha [de cerveja] e um litro de [cachaça] 51” para que votassem em Fernando. “Vocês vão?”, questionou. Ouça:

Dinheiro e transporte

De acordo com a gravação, o morador e mais quatro amigos entraram no carro e se dirigiram ao local de votação. “Cinco caras se venderam por uma caixinha de Itaipava (marca de cerveja)”, revela.

Outra denúncia recebida pelo JBr aponta que o dono de uma chácara foi aliciado por Nilsinho e outro indivíduo.

Eles teriam oferecido R$ 50 pela escolha de Fernando Reis na urna. “Ele [Nilsinho] buscava a pessoa em casa, entregava o dinheiro depois do voto e depois levava a pessoa de volta”, comentou, sob a condição de anonimato.
A fonte afirma que não aceitou a negociação, mas que uma vizinha de chácara aceitou a oferta pelo mesmo valor e lhe relatou o procedimento.

“Ele buscou a mulher aqui, pagou R$ 50 e depois deixou ela em casa de novo”, denuncia. O homem também afirma que o Nilsinho “gritava ao ar livre” que levaria as pessoas para a zona eleitoral e pagaria pelo voto no colega.

Irregularidades

Reeleito na última das cinco vagas para a região, Fernando ficou à frente de Rosalina Ponte na eleição.

Ao Jornal de Brasília, Rosalina – que ficou com a suplência do cargo – queixou-se da campanha feita pelo concorrente.

Para a candidata, sequer houve interesse em esconder as irregularidades cometidas no processo eleitoral. “A comunidade é pequena e eles falaram que estavam fazendo transporte, enviaram fotos, mandaram WhatsApp”, disse.

“Como uma pessoa desse calibre vai querer tomar conta de crianças e adolescentes?”, questiona.

Ela afirma que o grupo até mesmo tirou foto dos votos antes de serem colocados nas urnas para comprovar a escolha em Fernando.

Agora, as candidatas – eleitas ou não – entrarão com uma representação contra Fernando Reis junto à Ouvidoria da Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejus). Elas pedem a impugnação da candidatura do conselheiro reeleito “de forma irregular e contrária às regras”.

Ata de candidatas denunciando boca de urna e compra de votos por parte desse candidato Fernando Reis, em Vargem Bonita foto : arquivo pessoal

Exclusividade teria sido quebrada

Além de supostamente fraudar as eleições, Fernando Reis teria quebrado a exclusividade exigida em lei a membros do Conselho Tutelar e seria o proprietário do King Dog, uma barraca de cachorro-quente em Vargem Bonita. Questionado pela reportagem, o conselheiro afirmou que o negócio pertence ao irmão.

Na página do empreendimento no Facebook, porém, Fernando Reis aparece como General Manager e chefe de cozinha. Além disso, Rosalina afirma que Fernando teria oferecido mais benesses na barraca no dia da eleição.

Santinho do candidato. Foto: Reprodução

Em contato com a reportagem, Nilsinho negou que tenha pago qualquer valor, em dinheiro ou mercadorias, em favor do amigo. Conforme disse, Fernando apenas lhe pediu “uma força” na campanha, mas sem exigir compra de votos ou transporte de eleitores.

Sobre as propostas realizadas, o conselheiro se esquivou de responsabilidade e negou ter conhecimento. A Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejus), pasta que fiscalizou o pleito, informou que denúncias serão aceitas pelo órgão até cinco dias úteis depois do pleito – ou seja, até sexta-feira (11).


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