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Brasiliense produz 1 kg de lixo por dia, afirma SLU

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Raphaella Sconetto
raphaella.sconetto@grupojbr.com

Você sabe o quanto de lixo produz por dia? A estimativa da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe) é de que cada brasiliense gere aproximadamente 1,55 kg. A média diária é de 4.667 mil toneladas em todo o DF. Os dados oficiais são diferentes, mas não menos alarmantes. Para o Serviço de Limpeza Urbana (SLU), cada pessoa produz aproximadamente 1 kg por dia.

As regiões mais ricas da capital lideram em disparada quando se trata do resíduo orgânico que vai parar no Aterro Sanitário. Segundo o Plano Distrital de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos, o Lago Norte é a região que mais produz resíduos orgânicos na coleta convencional (73,68%). Em segundo lugar está o Lago Sul (70,06%), e a Asa Sul (61,06%) em terceiro lugar.
Quando se trata dos recicláveis, Planaltina e Paranoá apresentam valores consideráveis de materiais que são descartados: 42,22% e 39,12%, respectivamente. Em nenhuma das regiões havia coleta seletiva nem cooperativas de catadores na época do estudo.

Cada brasiliense representa R$ 13 de despesas por mês para o SLU fazer a coleta dos resíduos domiciliares. Considerando os 3 milhões de habitantes, o custo mensal com o lixo no DF é de R$ 39 milhões.

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Produção alta

Segundo a Abrelpe, 467 municípios do Centro-Oeste geraram, em 2015, 17.306 toneladas por dia de resíduos sólidos urbanos, representando uma média de 1,114 kg por habitante, enquanto a nacional é de 1,040 kg/dia. “A geração de resíduo sólidos no Brasil têm crescido nos últimos anos, em geral. Houve uma regressão de 2015 para 2016 por conta da crise econômica. Brasília acompanha ritmo do País”, aponta o presidente da Associação, Carlos Silva Filho.

A alta pode ser justificada pela renda per capita. “O poder aquisitivo influencia na quantidade da geração do lixo. Quanto maior, mais resíduos”, destaca Filho.

Com a inauguração do aterro, é possível que esse número tenha reduzido, já que os últimos dados são de 2016. “A geração de resíduo é uma curva crescente. Mas o DF deu um passo importante com o Aterro de Samambaia. Ele é importante para aprimorar etapas anteriores, como a coleta seletiva, uma triagem ampliada, além da proteção ambiental”, acredita.

“O primeiro ponto (para reduzir a produção de lixo) é justamente adequar a destinação final, sair de lixão e passar para aterro, porque, embora a população não esteja preocupada para onde vai, há a necessidade de dar o destino certo. O segundo passo é ampliar reciclagem. Mas é a médio prazo, porque envolve o cidadão separar resíduo dentro de casa, o poder público dispor de uma estrutura para receber e a cidade ter um parque reciclador”, acrescenta Filho. Para ele, a mudança de comportamento de consumo e produção de resíduo leva uma geração para acontecer.

SLU acredita em mudança de hábitos

A diretora-presidente do Serviço de Limpeza Urbana (SLU), Kátia Campos, reconhece que a capital está acima da média nacional, mas não chega a 1,55 kg de lixo por dia. “Estamos próximo de um quilo por habitante. Antes, o Lixão recebia entulho e lixo domiciliar, então os dados da Abrelpe somavam ambos. O entulho é duas vezes maior do que o domiciliar”, argumenta.

No entanto, ela garante é possível reduzir os números. “Temos de ter atenção principalmente na hora da comercialização. Temos o hábito da embalagem. Para reduzir isso, por exemplo, em vez de comprar várias embalagens de um quilo de um alimento, o consumidor pode comprar uma de cinco quilos”, exemplifica. “A mudança no hábito de consumo reduz o volume do lixo. O custo da coleta é ligado à localização e não à quantidade, por isso as pessoas não se preocupam em reduzir”, completa.

A conscientização ocorre, principalmente, com voluntários. “Nossa equipe é pequena. Então, optamos pela capacitação de professores, para atingir as crianças, e de voluntários. São ações em conjunto com outros órgãos, em locais em que é possível o SLU estar presente. Por exemplo, eventos com ações sustentáveis, no metrô, na rodoviária. Assim, atingimos um número maior”, pontua.

Ponto de Vista

Izabel Cristina Zaneti, doutora em Desenvolvimento Sustentável, também considera que a capital possui altos índices de resíduos por conta da renda. “Quanto maior a renda, maior o consumo, e maior será o descarte. É um ciclo. Seja a média de 1 kg ou 1,5 kg ainda é alta”, afirma. Para a redução, ela aponta que é preciso a atuação de todos os atores sociais. “Poder público, população e indústrias. É um trabalho imenso de educação ambiental que demora anos, porque é preciso alterar os hábitos de produção e consumo”, levanta. “A conscientização tem que ser constante, contínua. Não é somente fazer muitas campanhas e achar que resolveu.

Temos que envolver crianças, escolas, professores, pais. Não são hábitos que mudam rapidamente, é uma média de 10 anos”, completa. Em conjunto com a educação, a especialista indica que é preciso investir em tecnologias limpas. “O que acontece é que as tecnologias atuais são mais baratas, e claro que as indústrias vão preferir utilizar o que sai mais barato. Por exemplo, no Brasil não há mercados que vendem alimentos a granel”, aponta. Apesar das críticas, ela garante que é possível enxergar mudanças no comportamento. “É um processo que está sendo retroalimentado, tem de ser constante. Falta muito, mas quando olhamos para trás vemos que avançamos”.


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