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Brasil rachado por política é rotina desde início do século 20, dizem pesquisadores

De acordo com estudos feitos pelo Instituto Ipsos, polarização política no Brasil atingiu um nível elevado de intolerância que supera a média internacional de 27 países

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Nathália Kuhl (Jornal de Brasília / Agência de Notícias UniCEUB)
redacao@grupojbr.com

Famílias divididas, amizades rompidas em redes sociais, a esquerda contra a direita. A polarização política já acentuada no país ganhou combustível nas últimas duas  corridas eleitorais. Um roteiro de uma guerra de “nós contra eles”. A batalha não é nova. Para entender esse processo, precisamos destacar pontos marcantes da polarização política no país. 

De acordo com estudos feitos pelo Instituto Ipsos, polarização política no Brasil atingiu um nível elevado de intolerância que supera a média internacional de 27 países. Assunto perceptível no cotidiano do brasileiro nos últimos anos, o radicalismo que envolve as discussões político-partidárias foi o aspecto medido no levantamento. A pesquisa mostrou que os entrevistados no Brasil estão menos propensos a aceitar as diferenças. Segundo o instituto, 32% dos brasileiros acreditam que não vale a pena tentar conversar com pessoas que tenham visões políticas diferentes das suas. O índice nacional nesta questão é maior do que quase todos os países pesquisados – que ficou, na média, em 24% -, atrás apenas de Índia (35%) e África do Sul (33%).

O historiador Frederico  Tomé acredita que o processo da polarização é um processo que acontece de forma natural. Desde o início do período republicano,  nas eleições de 1910, houve uma disputa bastante acirrada entre o militar Hermes da Fonseca e o candidato da oposição Ruy Barbosa. Em 1922, entre Artur Bernardes  e Nilo Peçanha. Em 1935 entre a Aliança Nacional Libertadora, grupo de Centro Esquerda, contra os integralistas, considerados como extrema direita. 1950 o retorno de Getúlio Vargas no poder disputando com Eduardo Gomes. 1960 que marcou a disputa entre Jânio Quadros, que nem era o favorito a vencer as eleições e o Marechal Lott. 

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O resultado da polarização atual é o reflexo da não observação republicana e democrática, de acordo com o antropólogo. “Isso não é exclusividade dos momentos atuais, temos inúmeros casos, momentos que cabe no jogo democrático”. Para ele,  esse momento pode ser o mais aguçado em termos democráticos, desconsiderando o período ditatorial do Brasil”. Quando analisados os dois momentos de Fernando Henrique Cardoso, do Lula e da Dilma, a diferença de votos se tornou cada vez menor” .

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Ele acrescenta que isso é característica de como a sociedade se apresenta cada vez mais dividida devido os adventos tecnológicos.  “ As redes sociais colaboraram muito para isso, as pessoas têm com essas ferramentas a possibilidade de saber como o outro pensa, você tem uma circulação de informações, exposição de ideais mais clara e aberta, saber como o outro se posiciona politicamente, tudo é muito mais material”. Frederico também pondera que esses evidenciam uma sociedade fraturada, onde o diálogo está cada vez mais inviabilizado e as inimizades claramente postas.

O professor de história Deusdedith Júnior explica que a polarização está presente na vida dos brasileiros desde quando o Brasil se tornou República. “Lá no início da república observamos a polarização  entre as elites, do Sudeste, São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro , a famosa política do ‘café com leite’. Enquanto isso, as elites do Nordeste e do Sul se viam fora desse processo”.

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