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Bonito, um lindo santuário que atrai brasilienses

Cavernas, rios e ninho de araras formam esse lugar mágico que encanta amantes da natureza

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em

Fotos: Pedro Marra/Jornal de Brasília
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Cavernas, rios e ninho de araras formam santuário lindo de se ver

Com 35 pontos turísticos, Bonito, no Mato Grosso do Sul, recebe cerca de 230 mil visitantes por ano

Pedro Marra, enviado especial*
redacao@grupojbr.com

A 1.464 km de Brasília, há um município do Mato Grosso do Sul — com uma área de 4.934 km² — cujo nome já prevê toda a beleza do lugar. Esta é a cidade de Bonito, com cerca de 21 mil habitantes, que, por ano, recebe cerca de 230 mil pessoas. Os turistas movimentam uma economia de aproximadamente R$ 340 milhões na cidade.

O Jornal de Brasília viajou até a cidade a convite do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Distrito Federal (Sebrae-DF), em parceria com o Sebrae-MS, para falar sobre o ecoturismo da cidade.

A gente quer que Brasília se transforme na grande porta de entrada para esses atrativos, e que a gente consiga deixar alguns dias essas pessoas no nosso Distrito Federal. Essa é a nossa intenção, para que as pessoas parem de entrar aqui em Bonito por São Paulo. Temos o pantanal também no Mato Grosso, um belíssimo atrativo. O próprio Goiás que está lá pertinho”, diz Valdir Oliveira, superintendente do Sebrae-DF.

Cerca de 50% do Produto Interno Bruto (PIB) de Bonito é usado para o ecoturismo, o que tem relação com os postos de trabalho, sendo 60% deles relacionados ao turismo local. Um dos fatores que demonstram a força do turismo na cidade é de que desde o ensino fundamental os alunos aprendem noções básicas de turismo.

É uma ferramenta (o turismo), acaba transformando. É um conjunto de atividades econômicas que aumentam os recursos para o turismo“, explica Marcelo Gil, diretor de turismo da Secretaria Municipal de Bonito.

Grutas

Segundo dados de 2015 a 2018 da Secretaria Municipal de Turismo de Bonito, a Gruta do Lago Azul é um dos pontos turísticos mais procurados. Neste período, o mês de janeiro foi o que teve os maiores números de visitantes, chegando a nove mil em 2018. O mês de julho vem em segundo, tendo o maior índice em 2016, quando recebeu mais de oito mil pessoas.

A caverna tem um salão imenso com um lago no interior de águas cristalinas e de cor azul turquesa. A trilha até o lago é íngreme, com escadarias feitas com pedras da caverna. São aproximadamente 290 degraus. A gruta é formada por formações calcárias como estalactites, estalagmites e travertinos. O Lago, azul e limpo, tem mais de 80 metros de profundidade.

Outra caverna que vale a pena o brasiliense conhecer em Bonito é a de São Miguel, localizada no Parque Ecológico Vale Anhumas. Antes de iniciar o passeio, os visitantes assistem um vídeo de apresentação, e logo depois, partem para uma caminhada pela copa das árvores do cerrado através de uma ponte suspensa, com cerca de 200 metros de comprimento. Os turistas percorrem mais 150 metros de trilha até chegar à entrada da gruta. O local possui formações geológicas variadas, onde a natureza intocada mostra seus corais e ninhos de calcário.

Rio da Prata

O passeio de flutuação no Rio da Prata é realizado em grupos de até nove pessoas com o acompanhamento de guia. O passeio de ecoturismo inicia-se com uma agradável caminhada pela mata ciliar do Rio da Prata, através de uma trilha interpretativa. Os visitantes irão encontrar várias árvores centenárias e avistar diversos mamíferos como: quati, macaco prego, cotia, tamanduá, entre outros.

O guardião do templo das araras

Uma dolina (queda de rochas calcárias) com aproximadamente 500 metros de circunferência e 100 metros de profundidade repleto de araras-vermelhas. Assim é o Buraco das Araras, localizado no município de Jardim (MS). As aves sobrevoam com frequência o santuário, mas nem sempre foi assim.

Seu Modesto Sampaio, 77 anos, foi quem abraçou a ideia de cuidar do lugar. Filho de gaúchos, ele decidiu comprar um terreno de uma propriedade em 1986, quando a batizou de Fazenda Alegria. Foi então que ele descobriu um grande buraco na mata. Era a dolina, uma formação geológica que desmoronou blocos rochosos. Durante um tempo, o lugar virou um lixão.

Com ajuda da Universidade Estadual do Mato Grosso do Sul, Exército e do Corpo de Bombeiros do município de Jardim-MS, retiraram entulhos e três caminhões de lixo de dentro do buraco. Neste período, as araras tinham saído da região. Após a limpeza, Seu Modesto recuperou o entorno da dolina junto da família com a plantação de árvores do Cerrado e até hoje preserva a fauna e flora do local.

“Foi muito trabalhoso no começo — mas hoje, para mim, é a coisa mais gratificante que já fiz na vida. Conheço pessoas do mundo inteiro, mostro meu trabalho e preservo”, conta ele, orgulhoso.

Saiba Mais

Ao chegar no atrativo você receberá o equipamento adequado. Para chegar à nascente do rio Olho d’Água, onde se inicia o passeio, o grupo é transportado até a RPPN — ou Reserva Particular do Patrimônio Natural. Ao chegar na nascente do Rio Olho D’Água — uma imensa piscina natural de águas cristalinas — o guia alerta os visitantes para o início do treinamento que visa a adaptação da máscara e snorkel para a realização da atividade.

Este passeio, que dura cerca de quatro horas, reserva uma visão subaquática com dezenas espécies de peixes, com cardumes de piraputangas, dourados, matogrossinhos e outros peixes. Ao retornar à sede da fazenda, há um almoço com variedades de doces caseiros, com destaque para o doce de leite feito na Estância Mimosa. O espaço também possui redes para descanso dos visitantes.

*O Repórter viajou a convite do Sebrae-DF e Sebrae-MS


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