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Cidades

Bispo é condenado por estupro

João Batista teria passado óleo pelo corpo da vítima de 13 anos afirmando ser a “cura gay”

Pedro Marra

Publicado

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O bispo evangélico João Batista dos Santos foi condenado pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) a 20 anos e seis meses de prisão por estuprar uma adolescente de 13 anos de idade. Por meio de denúncia do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), o acusado teve a pena agravada pela autoridade que o réu colocava sobre a vítima como líder da igreja frequentada pela jovem, no Recanto das Emas. A Vara Criminal da região, que definiu a pena, reconheceu a autoria do crime por pelos menos três vezes.

Em 2017, o homem era bispo de igreja quando conheceu a vítima, com quem desenvolveu relação de confiança e proximidade na qual a adolescente contou angústias sobre a própria orientação sexual. Segundo denúncia do MPDFT, recebida pela Justiça em 3 de março de 2020, mesmo antes dos abusos, o bispo falava que amava e que iria se casar com a adolescente. Depois da vítima relatar ao bispo ser homossexual, ele propôs passar um óleo para ungir seu corpo, argumentando ser uma forma de cura gay.

Após os abusos, a vítima começou a ter crises de ansiedade e decidiu relatar os fatos ocorridos. Na visão do Ministério Público, “é evidente que o ‘modus operandi’ utilizado não é inédito, ou seja, há um padrão de ataque. Após ganhar a confiança das vítimas, estas eram levadas a acreditar que poderiam ser curadas com um óleo ungido passado em seu corpo”, ao citar outra sentença condenatória contra o réu, na qual se constata o uso de óleo para tocar o corpo, inclusive nas partes íntimas.

De acordo com a sentença, “a conduta do réu trouxe à vítima problemas de saúde consistentes em crises de ansiedade e do pânico, bem como gerando a ocorrência de episódios de desmaios e necessidade de atendimento psicológico, aspectos que sugerem gravames (prejuízos) que extrapolam o próprio dissabor decorrente dos atos libidinosos a que foi submetida”.

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O religioso está preso preventivamente desde fevereiro. Após o início das investigações, verificou-se que o homem já havia sido condenado duas vezes pelo crime de violação sexual mediante fraude, mas recorreu e respondia aos processos em liberdade. Ele também havia sido absolvido em outros dois processos com denúncias semelhantes.

182 estupros até julho

Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP-DF), ocorreram 182 estupros de crianças e adolescentes até o final de julho, em Brasília. Com uma média de seis casos por semana, o levantamento mostra que 78,8% das vítimas têm 14 anos ou menos, sendo que, na maioria das vezes, o criminoso é conhecido.

A casa da vítima foi o local do crime para 82% dos casos. Apesar desses números, a pasta aponta uma diminuição de registros para 24%. Até julho de 2019, o DF registrou 238 crimes de estupro de vulnerável.

Segundo o artigo 217-A do Código Penal, o estupro de vulnerável consiste na prática de “conjunção carnal ou outro ato libidinoso com menores de 14 anos”. Ou contra pessoa que, “por enfermidade ou deficiência mental, não tem o necessário discernimento para a prática do ato, ou que, por qualquer outra causa, não pode oferecer resistência.”

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