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Autoridades políticas afirmam acompanhar denuncia de abuso de autoridade contra artista de rua

A situação foi relatada pelo próprio artista, em entrevista exclusiva ao Jornal de Brasília na última segunda-feira (31)

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Por Tatiana Py Dutra e
Olavo David Neto

A Câmara Legislativa acompanhará uma denúncia de abuso cometido por policiais civis e militares contra o grafiteiro Pedro Sangeon, autor do personagem Gurulino, há cerca de dois meses. A situação foi relatada pelo próprio artista, em entrevista exclusiva ao Jornal de Brasília na última segunda-feira.

O presidente da Comissão de Direitos Humanos (CDH) da Câmara Legislativa do DF, o deputado distrital Fábio Félix, disse que vai acompanhar com rigor as investigações sobre o caso. A Corregedoria já foi acionada pela comissão.

“Nós recebemos a denúncia de violência policial contra o Gurulino, um artista de rua respeitado na nossa cidade, uma violência brutal que precisa ser ser investigada. Nós da Comissão de Direitos Humanos já estamos atuando no caso, oficiamos os orgãos de controle da nossa cidade para que façam uma investigação rigorosa desse caso”, diz o deputado em vídeo enviado ao Jbr. “A gente não pode tolerar a criminalização da arte de rua e também práticas criminosas por parte de instituições que deveriam proteger a população. A comissão será rígida e vai acompanhar até o fim essas investigações.”

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Apoio da Cultura

A Secretaria de Cultura lamentou o fato e acrescentou que o grafite é uma arte incentivada pelo GDF. A Polícia Civil informou que vai ouvir os envolvidos para apurar as denúncias. Já a Polícia Militar do Distrito Federal informou que pichação é contravenção penal, e a legislação pode punir infratores com até 3 anos de detenção. Em mensagem a reportagem, o Centro de Comunicação Social da PMDF informou que “se o autor se sentiu prejudicado em razão de abordagem policial, ele pode acionar a Corregedoria da PMDF para apuração dos fatos”.

Quatro horas de violência

O episódio ocorreu na manhã de 28 de junho, no Lago Norte. Segundo Pedro, ele e outros dois artistas grafitavam na região do Polo Verde, por volta das 8h, quando foram parados e detidos por uma guarnição da Polícia Militar.

“Não pude nem sequer dizer o meu nome. Fui agredido verbalmente e com truculência física. Não pude falar, pegaram meus documentos, tomaram meu celular, tiraram a identificação do uniforme”, diz um trecho do relato.

Em seguida, os três foram levados para a Delegacia de Polícia Civil do Paranoá, onde foram autuados por pichação. Conforme a corporação, os artistas preencheram termo circunstanciado pelo delito de pichação, tiveram tintas e pincéis apreendidos e foram liberados. Porém, na versão de Pedro, ele foi levado a uma cela, “algemado a uma barra de ferro, obrigado a ficar sem roupa e fazendo flexões”, enquanto os policiais riam e xingavam o artista.

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“Isso durou mais de 4 horas na cela, em uma delegacia do Paranoá, sem que nenhuma pessoa, amigos ou familiares soubessem do meu paradeiro”, descreve.
Delegada não comenta

O Jornal de Brasília entrou em contato com a delegada chefe da 6ª Delegacia de Polícia do Paranoá, Jane Klébia, que não quis comentar o assunto.

“Não vou falar sobre essa história. A Divicom (Divisão de Comunicação da PCDF)é que vai falar sobre essa história. Quem recebeu (a ocorrência) foi o delegado de plantão. Eu sou delegada chefe, não tenho como ter ciência dessas coisas”, explicou a delegada. “Todas as informações da 6ª foram passadas pra eles (Divicom) e eles que estão respondendo sobre isso. Nâo foi no meu horário.”




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