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Cidades

Artigo: O caminho é melhorar a saúde da população

Enfrentar velhas práticas no trato com a coisa pública é quebrar paradigmas e honrar com princípios básicos da Administração Pública

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Por Francisco Araújo

Todos nós sabemos que a saúde pública do Distrito Federal ainda está longe do ideal. Não seria honesto, nem plausível, prometer resolver todos os problemas herdados dos governos passados num piscar de olhos.

Hospitais e Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) caindo aos pedaços, profissionais sem condições mínimas de trabalho, desabastecimento de insumos e medicamentos, saldos bilionários a serem pagos… tudo isso faz parte de uma herança perversa que precisava ser enfrentada no primeiro momento para, uma vez solucionada, nos dar condições de avançar na melhoria do atendimento daqueles que mais precisam e ficaram, todos esses anos, relegados ao descaso e ao abandono.

E, enquanto pagava, abastecia e recuperava algumas estruturas, a Saúde preparou o alicerce para efetivamente e, pouco a pouco, melhorar as condições de trabalho dos nossos profissionais da saúde e o atendimento às pessoas.

Não se constrói igreja pela cruz, já diziam os mais velhos. Mas, diante desse cenário, não podemos deixar de fazer uma importante pergunta: onde estavam, durante todo este tempo, aqueles que hoje se ocupam em jogar pedras e se esquivam em ajudar? Quais são os interesses ocultos nessa postura? Só temos uma certeza: quem procede assim não está dedicado a melhorar a saúde para a população. Quem procede assim só está defendendo interesses próprios.

Todo governo novo e comprometido com avanços sociais enfrenta diversos gargalos no seu primeiro ano e os piores aparecem quando enfrenta interesses, os mais variados, e – nem sempre – republicanos.

Enfrentar velhas práticas no trato com a coisa pública é quebrar paradigmas e honrar com os cinco princípios básicos da Administração Pública que estão presentes no artigo 37 da Constituição Federal de 1988 e condicionam o padrão que as organizações administrativas devem seguir. São eles: legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência.

Quando se persegue tais princípios muita gente fica contrariada, mas os resultados alcançados com uma gestão focada em proporcionar benefícios à população são muito maiores.

Ao fim e ao cabo dos seis primeiros meses da gestão do governador Ibaneis Rocha, a saúde pode ter cometido alguns equívocos e, até mesmo, falhado em algum momento. Não somos perfeitos, nem infalíveis, mas à luz de uma análise imparcial e séria há mais acertos nesse balanço.

E, para ter condições de avaliar, é preciso compreender o arcabouço da complexa estrutura da pasta.

São 16 hospitais públicos, dos quais três administrados por instituições com modelos de direito privado como o Hospital da Criança de Brasília, gerido por uma Organização Social, além de os Hospitais de Base e o Regional de Santa Maria, que estão sob a gestão do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IGESDF), o qual também passou a administrar as seis UPAs existentes.

Além dessas unidades, outras estruturas de saúde privadas (hospitais e clínicas) estão conveniadas à Secretaria de Saúde do DF e recebem recursos para atender à população com a realização de exames e de cirurgias. Só para citar um exemplo da importância desses parceiros temos o Instituto de Cardiologia do Distrito Federal (ICDF) entre eles.

Desde o início do novo governo, trabalhamos com base em um tripé de ações que envolvem:

  1. a informatização da Secretária de Saúde,
  2. a expansão do modelo de gestão do IGESDF, e
  3. a comunicação direta com a comunidade.

Estabelecendo esse eixo como espinha dorsal para a construção de resultados positivos na saúde pública do DF, temos trabalhado para fortalecer o sistema de saúde e a atenção básica, o atendimento nas UPAs e hospitais, além da organização nas agendas de consultas, exames, cirurgias e todos os procedimentos para atender a população de forma satisfatória.

Foram mais de 35 mil cirurgias em seis meses e mais de quatro milhões de consultas e exames em toda a rede.

É fundamental que se tenha clareza e transparência dos investimentos que estão sendo feitos na pasta. Diante desse tripé com o qual trabalhamos, podemos salientar que a informatização das folhas de pagamentos e prontuários médicos, por exemplo, traz um ganho sem medida, na economia de recursos e para o andamento de diversos projetos.

Também, podemos destacar a expansão do modelo de gestão do IGESDF, que está alcançando três mil contratações em apenas sete meses de trabalho, além da reforma das unidades, interligação dos sistemas gerenciais das UPAs com a rede dos hospitais e também, dos postos de saúde, ações que nos trazem um novo horizonte para o futuro da saúde pública do DF.

Essas ações têm gerado resultados que já podem ser sentidos pela população. E isso nos deixa claro que esse rumo que escolhemos está dando bons frutos, como é o caso de Ceilândia, onde a atenção primária, secundária e terciária, uniram forças e trabalham articuladas para atender à comunidade. Acreditamos que, efetivamente, esse é o modelo que funciona.

Por isso, já estamos trabalhando nesses mesmos moldes em Santa Maria e seguindo para a região Norte, em Sobradinho. Sem colocar para funcionar a Atenção Básica (UBS e Unidades de Saúde da Família), nosso sistema de saúde não avançará como é preciso.

Assim, trabalhando com a expansão do modelo IGESDF, com a comunicação direta com a nossa população e a informatização da SES, certamente, teremos construído bases sólidas de sustentabilidade do sistema de saúde do Distrito Federal para os próximos três anos, capaz de garantir, sem sombras de dúvidas, um atendimento digno à população.

*Francisco Araújo é diretor-presidente do Instituto de Gestão Estratégico de Saúde do Distrito Federal (Iges-DF)


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