Rafaella Panceri
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Depois de ter a casa incendiada na última terça-feira e escapar da morte com os três filhos, Lucineia Ribeiro de Souza, 32 anos, vive de favor em casa de terceiros e tem medo de ser localizada pelo companheiro, Carlos Alexandre Alves, 37, suposto autor do incêndio. Ele está solto. “Meu medo é que ele volte e me mate. Termine o serviço. Depois do que aconteceu ele está andando por aí. Minha vida acabou”, desabafa.
A 8ª DP (SIA) investiga o crime ocorrido na Estrutural e acredita que há indícios de que Carlos seja o autor do incêndio. Por isso, pediu o mandado de prisão, mas aguarda deferimento pela Justiça. Não há prazo definido para que o juiz responsável analise o caso.
Medo
Depois de atear fogo na residência, o homem não procurou a família. No entanto, segundo Lucineia, pessoas que moram na região afirmam tê-lo visto circular pelo Setor Leste da Cidade Estrutural, onde o crime ocorreu. “Minha vida está em risco”, teme.
As chamas destruíram tudo. “Não deu para aproveitar nada. Vou ter que refazer uma casa do zero com meus filhos”, conta a mulher. “As crianças estão com a roupa do corpo. Eu consegui algumas emprestadas para mim”. Depois do que aconteceu, a mulher mal consegue dormir. “Quando tiro um cochilo, já é de manhã. Acordo, assustada, com aquela cena na minha cabeça”. Ainda não deu tempo de se recuperar da tragédia. “Estou com a cabeça a mil e ainda não sei o que fazer”, afirma, com os olhos marejados.
Lucineia cogitou se mudar para a casa da mãe, na Bahia, mas afirma não ter dinheiro. “Ela me chamou para ir, mas não vai mudar muito. Vou continuar vivendo de favor e meus irmãos de lá não têm condições de me sustentar”, afirma.
Doações
A mulher trabalhava como catadora de materiais recicláveis na Cidade Estrutural, mas sofreu uma fratura na perna. Movimentar-se ficou mais difícil. “Pegava muito peso e corria atrás dos caminhões no Lixão. Minha perna dobra só até a metade, mas vive falhando. Trabalhei fazendo faxina, mas só piorou meu estado de saúde”, relata. Ela não trabalha há cerca de um ano. Agora, sem o marido, depende da ajuda de amigos e da família para se sustentar.
Serviço
A família aceita doações. Móveis, eletrodomésticos, roupas de cama, alimentos, roupas e calçados são bem-vindos. Os filhos de Lucineia têm seis, 11, 12 e 14 anos. Quem quiser ajudar pode entrar em contato por telefone, pelo (61) 99436-5034.