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Após morte de idosa, moradores da QNL relatam perigo constante

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João Paulo Mariano
Especial para o Jornal de Brasília

Nem a morte muda a rotina de imprudência dos motoristas nas quadras QNL de Taguatinga. Uma mulher de 67 anos foi atropelada na faixa de pedestres e morreu no local, na última segunda-feira. Ontem, o Detran até apareceu com uma equipe para fazer um trabalho educativo sobre a importância da faixa. Mas, mesmo com a presença do órgão de trânsito, o JBr. flagrou carros que não pararam para os transeuntes, faixas apagadas e com sinalização precária.

O acidente ocorreu por volta das 18h30, em uma faixa praticamente apagada, quando a idosa saiu da academia e ia para casa. Ela atravessou a pista na altura do comércio da QNL 13/15, sentido Elmo Serejo- Taguatinga Norte. A idosa foi arrastada e caiu a cerca de 15 metros do local da colisão.

Os carros da faixa da esquerda pararam, mas a vítima foi atingida na faixa do meio. Segundo testemunhas, o veículo passou por cima e fugiu sem prestar socorro. A investigação está a cargo da 17ª DP (Taguatinga Norte), que até o fechamento desta edição não conseguiu identificar o carro nem o motorista.

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O bombeiro Afonso Paz estava por perto e socorreu a vítima. Ele checou a pulsação da mulher, mas já estava muito fraca. Três minutos depois, quando as ambulâncias chegaram, era tarde. Afonso se indignou com o fato de o Detran ter colocado uma tenda educativa somente após o acidente.

“Sempre pedimos para colocar um redutor de velocidade aqui. Os carros passam muito rápido. Antes, havia uma lombada eletrônica, e agora ficou pior”, desabafa.

Ele mora a poucos metros da faixa onde ocorreu o acidente há três anos, conhece bem a área e já socorreu outras pessoas no mesmo local. “Deixo claro que não adianta vir depois do acidente. Tira o Detran daqui e ninguém respeita”, reclama o bombeiro.

Bem perto da passagem de pedestres, há outra faixa que também está apagada. Ali, a secretária Jenifer Rocha da Silva quase foi atropelada pouco antes de dar entrevista. Ela contou que um motorista não parou e ainda reclamou quando ela gritou que ele deveria parar.

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“Eu não deixo meu filho ir só para a escola. Semana passada, ele quase foi atropelado. O governo diz para acender o farol, mas não pinta as faixas”, afirma a secretária.

Ela se emociona ao lembrar do padrinho, que faleceu na mesma pista há dois anos, também atropelado por um veículo em alta velocidade.

Pais temem pela segurança de estudantes

Existem duas escolas próximas – o CEF 4 e a Escola Classe 41. Portanto, é grande o movimento de estudantes. Para evitar riscos, a vigilante Deusélia Costa prefere levar o filho todos os dias ao colégio. A doméstica Patrícia Limeira, por sua vez, só atravessa quando os carros param. Ela diz que, no ano passado, uma senhora também foi atropelada. “A faixa está bem apagada. Fica difícil ver”, ressalta.

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Desde 2014, o Detran substituiu a pintura das faixas por laminado elastoplástico, que teria maior visibilidade e durabilidade. A tecnologia dura até três anos, ao contrário da pintura, que, mesmo sendo 30% mais barata, vale por seis meses.
A respeito da ação que o Detran fez após o acidente, o analista de trânsito Luís Miúra avalia que não há efeito. “É apenas pontual. Teria um efeito melhor se houvesse fiscalização presencial e eletrônica”, afirma.

Para ele, as campanhas de conscientização deveriam mudar o foco: sair do que o pedestre deve fazer para mostrar que a faixa é o espaço dele. Assim, o sinal de vida seria apenas um complemento. O motorista deve reduzir a velocidade automaticamente.

Ele entende que deveria ocorrer um estudo sobre a colocação de pardais na pista. “Melhor seria a fiscalização presencial, mas, como não é possível, os pardais seriam bons. São um mal necessário. O Brasil ainda não tem educação para respeitar só a sinalização”.

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Segundo o Detran,  está prevista a instalação de barreiras eletrônicas e a redução da velocidade de 60 km/h para 50 km/h, tanto na QNL como na QNM.

Os equipamentos estão no processo final de licitação e deverão ser instalados até o fim do ano.  O órgão assegura que a sinalização horizontal foi revitalizada recentemente, mas a iluminação e a falta da poda de árvores dificultam a visualização.   As atividades educativas continuam hoje e amanhã.




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