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Amigos pede punição justa para o responsável pelo atropelamento de jovens

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Jéssica Antunes
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“Ocara rouba um carro, acelera a mais de cem quilômetros por hora, arranca um bloco de concreto, manobra para cima das pessoas e não teve intenção de matar? Queremos justiça!”. A indignação é de um sobrevivente do atentado que vitimou dois jovens após confusão em uma festa no Jardins Mangueiral, na madrugada de sábado. O suspeito é Fernando Salvador Souza Rodrigues, que completou 18 anos em janeiro deste ano, não tinha habilitação e responde por homicídio culposo (quando não há intenção de matar). Amigos protestaram por punição mais severa em delegacia.

Reprodução/Facebook​

Reprodução/Facebook​

A festa ocorria na casa de Daniel Barreto, 28 anos, uma das vítimas e dono do carro que o matou. Ao fim da confraternização, Douglas Araújo, 21 anos, a outra vítima, sentiu falta do celular. “A festa, que era íntima, fugiu do controle. Cada um chamou amigos, que chamaram outros. Vi quando eles foram atrás do grupo para recuperar o celular. Nunca imaginei que aquelas pessoas que estavam na casa do meu amigo pudessem matá-lo”, contou Natália Costa, estudante de 27 anos. Segundo ela, não havia drogas ali, apenas álcool.

A testemunha sobrevivente, que pediu para não ser identificada, contou que eles chegaram a ligar para todos os convidados perguntando sobre o telefone, e foram de carro atrás do grupo desconhecido. Douglas teria identificado o aparelho com uma dessas pessoas e, após discussão, desencadeou uma agressão por parte de dez pessoas que compunham o grupo. Naquele momento, Fernando teria entrado e fugido com o veículo de Daniel, que teria deixado a chave na ignição durante a confusão.
A testemunha relata que, até então, os dois amigos estavam bem e não ficaram com ferimentos graves depois da agressão. “Eu os coloquei sentados no meio-fio. Foi aí que o cara pegou o carro, fez a o retorno e acelerou na nossa direção com toda velocidade. Como eu estava em pé, consegui desviar, mas os meninos não conseguiram nem se mexer”, lamentou.

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Preso quando assistia TV

Douglas morreu na hora. Daniel chegou a ser socorrido pelos bombeiros, mas morreu depois de 30 minutos. Após atingir a dupla, o suspeito abandonou o carro e fugiu do local.
Fernando foi localizado em casa, no mesmo condomínio onde acontecia a festa. Ele tinha trocado a bermuda, que estava suja de sangue, e estava sentado vendo televisão quando os policiais chegaram. O rapaz confessou o crime e foi levado, preso, à 6ª DP, no Paranoá.
Na manhã de ontem, cerca de 20 amigos das vítimas se reuniram na frente da unidade. De branco, eles fizeram um ato silencioso pedindo por uma tipificação mais rigorosa. “Estamos indignados. O atropelador era maior, não tinha carteira de habilitação, omitiu socorro, furtou um carro e acelerou o máximo que podia, tirou a vida de duas pessoas e não tinha intenção? Claro que tinha!”, bradou Gilberto Júnior, amigo de uma das vítimas.
Carioca e mineiro
Natural do Rio de Janeiro, Daniel Barreto mudou-se para Brasília há alguns anos. Estava no sexto semestre de Direito da Universidade Paulista (Unip). Os amigos o descrevem como alegre, de bem com a vida e cheio de planos para o futuro. “Barreto era uma pessoa incrível. Bem-humorado, com muita vontade de viver e muitos planos. É difícil acreditar que ele se foi”, lamentou uma colega. O corpo velado na capital fluminense.
Douglas Araújo também veio de fora. Mineiro de Buritis, participava de projetos sociais e estava no quinto semestre de Enfermagem no UniCeub. “Ele sempre foi muito alegre. Era aquele que não deixava ninguém ficar triste. Não dá para acreditar no que aconteceu. Resta a tristeza”, queixou-se um amigo da faculdade. O rapaz foi sepultado em sua terra natal ontem.




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