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A saga dos ex-alunos do Alub para encontrar outra escola

Em meio à paralisação dos professores da rede de ensino, que estão sem receber há três meses, pais de alunos amargam prejuízo financeiro

Publicado

em

Fotos: Vitor Mendonça/Jornal de Brasília
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Ex-alunos do Alub trocam de escola às pressas

Estudantes fazem novas matrículas para evitar atraso no conteúdo. Colégios oferecem vários benefícios

Pedro Marra
redacao@grupojbr.com

A greve de professores da Rede Alub por salários atrasados desde o início do mês levou as seis unidades da escola a fecharem as portas no Distrito Federal. Os alunos, com conteúdo atrasado, sofrem sem aulas. Alguns pais já inscreveram os filhos em outras instituições que oferecem diferentes tipos de matrícula de ensino escolar.

Promotorias de Justiça de Defesa da Educação (Proeduc) e do Consumidor (Prodecon) requisitaram informações à Secretaria de Educação do DF (SEE-DF), à mantenedora da Rede Alub e ao Procon. Os dois órgãos farão uma reunião hoje para garantir os direitos educacionais dos estudantes.

O encontro está marcado para as 15h, na Promotoria de Justiça de Defesa da Infância e Juventude (SEPN 711/911). A reunião é aberta aos pais e responsáveis dos alunos, com a presença de representantes da Rede Alub, Secretaria de Educação, DF Legal, Procon e da Comissão de Educação da OAB.

Dono preso

O dono da rede de ensino, Arthur Mário Pinheiro Machado foi alvo na segunda-feira (21) da operação Grand Bazaar, da Polícia Federal, apura fraudes em fundos de pensão.

Em 2018, Arthur foi preso por lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção por meio de fraudes que geraram prejuízos a fundos de pensão do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), dos Correios e do Serpros e Postalis — duas entidades fechadas de Previdência Complementar.

Vale lembrar que pais fizeram protesto na última sexta (18) em frente à unidade de Taguatinga.

Nota de paralisação

A Rede Alub de Educação publicou nota sobre a situação no último dia 15 deste mês. “Senhores pais, informamos que amanhã não haverá aula na Rede Alub. Essa medida é para garantir a segurança do seu filho diante da prerrogativa de paralisação. Estamos com muitas informações desencontradas em diversos grupos e veículos digitais. Diante disso, iremos nos reunir com o sindicato dos professores e com os próprios professores para discutirmos o término do semestre letivo e regularização dos salários.”

Em um segundo momento, o Ministério Público atuará na defesa dos consumidores, levando em consideração os prejuízos originados do descumprimento dos contratos de prestação de serviços educacionais. Os mesmos firmados entre os consumidores e a rede de ensino em questão.

Pais buscam novas matrículas para filhos

O advogado Titus Livius, 44 anos, matriculou o filho, Caio Senna, 15 anos, no Colégio Projeção, unidade do Guará II. No sábado (19), ele fez a matrícula do filho na nova escola, em que ele já retomou os estudos na última segunda-feira (21).

Aluno do 1º ano do Ensino Médio, o jovem entrou no Alub do Guará I em janeiro deste ano. À época, os pais do jovem fecharam um pacote anual à vista com desconto na mensalidade por acharem mais vantajoso. Originalmente, o valor ficaria em torno de R$ 900 mensais, mas o acordo ficou em cerca de R$ 800 por mês.

“Na semana do dias dos professores, ele não teria aula até quarta-feira (2). Na terça, ele recebeu uma mensagem que na quinta e sexta (3 e 4/10) também não haveria aula. Havia um certo nervosismo. Os professores comentavam que não recebiam salários. Outubro praticamente não teve aula”, descreve.

Agora, os pais de Caio pagam uma mensalidade maior no Projeção: R$ 920 reais por mês. “O material escolar não será necessário, mas o uniforme sim. Na questão de logística, meu filho ia e voltava a pé da escola em cinco minutos. Agora temos de sair do Guará I para o II. Estamos fazendo revezamento de carona com a mãe de outro aluno”, relata ele, que pretende entrar na justiça contra o Alub.

“Já comecei a juntar documentação e fazer a cópia do contrato para demonstrar que foi paga a taxa anual. Mas vamos ter de pagar os meses de novembro e dezembro.”

Sofia Gutierrez Oliveira, de 14 anos, é outra ex-aluna do Alub. Estudante do 9º ano do Ensino Fundamental II, agora ela estuda no Colégio Objetivo, do Pistão Sul. A mãe da jovem, Erilda Oliveira Gutierrez, 55 anos, pagou mais de R$ 600 nas mensalidades de novembro e dezembro, o mesmo valor que era cobrado no Alub. Para ficar isenta de outubro, ela já teve que fazer a matrícula de 2020.

“O maior comentário em relação aos filhos é o trauma. Porque os amigos se espalharam. A questão do afastamento das amizades. Porque no Objetivo, ela tem a melhor amiga por lá, então amenizou o efeito. O maior prejuízo esse, de uma ruptura muito rápida e inesperada. A minha filha estuda no Alub desde o 3º ano do Fundamental I. Então não é só uma questão financeira que foi prejudicada, é a pedagógica”, afirma a mãe, Erilda Gutierrez Oliveira.

Saiba Mais

O credenciamento do Colégio Alub Asa Norte junto ao Conselho de Educação do Distrito Federal (CEDF) estava vencido desde o início de 2019.

A renovação não ocorreu porque a escola mudou de endereço e passou a ofertar aulas para alunos da pré-escola (crianças de 4 e 5 anos) sem autorização prévia da Secretaria de Educação. Algumas irregularidades foram encontradas em vistoria feita pela pasta. Foram constatados problemas de acessibilidade, organização inadequada de documentos e funcionamento de academia terceirizada com entrada exclusivamente pelas dependências da escola.

“O principal objetivo do Ministério Público é assegurar que os 3.200 estudantes das seis escolas da Rede Alub consigam encerrar o ano letivo, adotando medidas para viabilizar as transferências para instituições credenciadas da rede pública e particular e assegurar o recolhimento do acervo escolar”, diz a promotora de Justiça Cátia Vergara.


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