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A longa espera de crianças para transplante de órgãos

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Da Agência Uniceub

Maria Cecília Linhares veio ao mundo no dia 25 de julho de 2016, cheia de saúde: 3,460 kg e 48 cm. Até um ano de idade, esbanjava saúde. No entanto, pouco depois do primeiro aniversário da pequena, a mãe, Jakellynne Linhares percebeu uma mudança. Maria sentia desconfortos durante o sono e falta de apetite.

No hospital, um raio X mostrou que o coração da bebê não batia como antigamente. Após mais de 20 dias de internação, médicos constataram uma miocardiopatia dilatada na menina. O coração de Maria Cecília tinha dificuldade para bombear sangue e seria necessário um transplante do órgão. Os próximos onze meses foram de luta e espera na fila de transplante, mas pequena não resistiu.

A história triste traz à tona a dificuldade que é permanecer na fila de transplante de órgãos, especialmente no caso de crianças. Ainda assim, o Distrito Federal tem um dos melhores índices de doação de órgãos e tecidos do país. Enquanto a média nacional é de 16 pessoas a cada 1 milhão de habitantes, no DF a taxa é de 28,8 doadores por milhão.

No DF, dois hospitais particulares e três da rede pública de saúde realizam transplantes. No Instituto Hospital de Base e no Hospital Universitário de Brasília, são feitos os procedimentos para rim e córnea. Conveniado à Secretaria de Saúde, o Instituto de Cardiologia do DF (ICDF) faz ainda mais procedimentos, incluindo coração, rim, fígado, córnea e medula óssea. Hoje, a maior parte desses transplantes é de coração e medula óssea. No primeiro semestre, foram 221 transplantes de crianças.

No Brasil, entre janeiro a junho de 2018, foram realizados 221 transplantes pediátricos: 152 de rim; 44 de fígado; 18 de coração; e 7 de pulmão, de acordo com a ABTO. Para que uma criança possa ser transplantada, é necessário que haja indicação médica e que seja realizada a inscrição no cadastro técnico do Sistema Nacional de Transplante (SNT), após autorização dos pais ou responsáveis legais.

Outro dado que chama a atenção é o número de crianças que morreram antes de conseguir um transplante. No primeiro semestre deste ano foram registrados 55 casos, sendo que 36 crianças eram do estado de São Paulo, enquanto que no Rio Grande do Sul foram quatro mortes no mesmo período.

De acordo com o Ministério da Saúde, o processo de transplante é definido por meio do Regulamento Técnico do Sistema Nacional de Transplantes – RT e não difere pacientes pela idade. Existem, no entanto, certas especificidades técnicas a serem respeitadas para alguns tipos de transplante, como no caso de transplante de coração, em que para o paciente pediátrico de menor idade, a compatibilidade antropométrica (peso e altura) é fundamental. Necessariamente o doador terá que ser outra criança do mesmo tamanho, do mesmo modo que um adulto de pequeno porte pode doar para um adolescente, tudo depende da estrutura corporal compatível.  (Yasmim Araujo)

 

 

 


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