fbpx
Siga o Jornal de Brasília

Cidades

A gente se molha de chuva, suor e cerveja…

O mau tempo em boa parte do dia não tem desanimado o folião, que, se não prestigia muito o carnaval oficial, lota os blocos tradicionais

Pedro Marra

Publicado

em

Fotos: Pedro Marra
PUBLICIDADE

Foliões buscam blocos com maior tradição

Eduardo & Mônica e Raparigueiros arrastam multidões pelas ruas de Brasília

Após a Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec) anunciar a troca do carnaval da Esplanada dos Ministérios para o estacionamento da Fundação Nacional de Artes (Funarte), no último dia 10 deste mês, a oferta de folia ficou apenas com artistas locais, já que as atrações nacionais – como Preta Gil e Psirico – foram canceladas. Mas ontem, no segundo dia de festa, o espaço não encheu. Segundo seguranças, o evento recebeu cerca de 200 pessoas de 10h até 14h.

Em comparação ao carnaval na Funarte, blocos tradicionais arrastaram multidões. Como foi o caso do Eduardo & Mônica, que, segundo os organizadores, levou cerca de 20 mil pessoas ao Complexo Yurb, no Setor de Clubes Sul. Já o número de foliões previsto pelo Raparigueiros, até o final da apresentação, no Eixo Monumental, era de 120 mil pessoas.

Na Funarte, por volta de 12h, a chuva diminuiu o movimento do público, diziam os funcionários. A copeira hospitalar, Suênia Maria, 35 anos, brinca que precisou fazer um tour com as amigas entre o Polo Funarte e o bloco infantil Baratinha, no Parque da Cidade.

Carnaval Brasilia 2020 – Foto : Pedro Marra

“A questão da segurança está boa, mas a mudança trouxe um pouco de desconforto para algumas pessoas, porque lá na Esplanada é uma área bem maior. Percebi que tinha pouca gente, com um público bem menor que o da Baratinha. Na Funarte, só tinha um movimento de muitas famílias dançando perto do palco, mas no fundo estava bem vazio. Mas as escolas de samba animaram também”, diz a foliã, que saiu pela primeira vez para blocos de rua.

Hoje, o estacionamento da Funarte terá o dia mais movimentado, de 14h30 às 22h, com sete atrações. Artistas como o ceilandense Marcelo Café, a escola de samba Aruc e a Império do Guará marcarão presença na folia brasiliense.

“Chuva espantou o público”

O aposentado Juvenal Abude, 61 anos, conta que foi para o carnaval na Funarte exclusivamente para ver a apresentação da Escola de Samba Bola Preta de Sobradinho. “O Bola Preta nunca decepciona a gente. Vim de manhã, dei uma volta no Parque da Cidade, mas a chuva espantou o público. E essa mudança de última hora prejudicou”, avalia Juvenal.

Morador de Sobradinho, o aposentado gosta de frequentar o bloco pernambucano Galinho de Brasília, mas lamenta a mudança de local, que há 28 anos se concentrava nas proximidades da 201/202 Sul. Mas em 2020, saiu no sábado (22) pela manhã no estacionamento da Funarte.
“Eu frequentava na 202 Sul, e era bem melhor. Essa mudança tirou a essência do Galinho, porque lá é uma raiz. Aqui, a gente fica meio perdido”, comenta ele.

Entre as artistas locais que se apresentaram no Polo Funarte, está a intérprete da Escola de Samba Bola Preta de Sobradinho, Jamelinha da Mangueira, 53 anos.

“Fomos convidados de última hora para suprir a ausência dos artistas nacionais, mas o público que estava aqui curtiu. Ainda bem que na nossa apresentação não choveu. Tanto que o quadradão perto do palco estava cercado de pessoas, porém, tinha pouca gente no fundo”, afirma a Jamelinha.

Foliões destacam o policiamento

Se o carnaval na Funarte ficou aquém das expectativas, blocos tradicionais como o Baratinha, no estacionamento 12 do Parque da Cidade, não decepcionaram o público. A professora, Maria Cristina Dourado, 38 anos, foi uma das foliãs que aproveitou para curtir o carnaval em família.

“É a primeira vez que venho para o Baratinha, e gostei porque tem uma boa organização de entrada e segurança também. Vim por recomendação da escola dos meus filhos, que são pessoas que já vieram em outros anos. É mais seguro vir em blocos assim”, opina.

Ela foi junto do marido, o coordenador de logística, Bruno Ramos, 37 anos, que estavam juntos dos filhos, João guilherme, 9 anos, e Pedro Dourado, 3 anos. “Eu conhecia pela televisão. Mas viemos principalmente pela segurança. O único problema é o forte calor, mas é melhor do que estar na chuva”, diz o folião.


Leia também
Publicidade
Publicidade
Publicidade