Gestos simples que fazem toda a diferença. Está é a estratégia traçada pela Subsecretaria de Proteção às Vítimas da Violência – ligada à Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania do Distrito Federal (Sejus) –, por meio do Programa Pró-Vítima. Para enfrentar a dor do luto, as famílias vítimas de violência recebem atendimento de uma equipe composta por psicólogos e assistentes sociais e jurídicos. Um caloroso abraço é o ingrediente principal da primeira visita. A partir daí, o trabalho prossegue até que a família esteja reestruturada. Desde o início do programa, 955 famílias receberam os serviços.
De acordo com a subsecretaria, são utilizados três meios para chegar até as pessoas que sofreram alguma violência ou às famílias que perderam alguém de forma violenta. “Ou a própria vítima vai até um dos núcleos e procura atendimento, ou as equipes do Pró-Vítima vão até as famílias através das ocorrências registradas nas delegacias. Ainda atendemos os casos que são encaminhados pela Justiça”, explica a subsecretária de Proteção às Vítimas, Valéria de Velasco. No entanto, a quantidade de pessoas que procuram a Subsecretaria ainda é baixa, talvez porque a maioria desconheça a existência do serviço. “Na maioria das vezes vamos atrás das pessoas”, acrescenta.
Em busca da estabilidade
Após uma triagem nos casos registrados, o programa entra em contato com as vítimas e disponibiliza assistência. São oferecidas diversas formas de ajuda. “Temos casos em que as pessoas têm condições financeiras, já tinham resolvido as questões jurídicas, mas mesmo assim pedem nossa colaboração para realizar passeatas e campanhas contra a violência”, destaca Valéria.
O maior objetivo das equipes do Pró-Vítima é que as pessoas reencontrem a estabilidade. De acordo com os dados apontados pela subsecretária, o programa já conseguiu colocar em andamento mais de 800 processos contra agressores. “Estamos alcançando outro objetivo: implantar medidas e políticas contra a violência”, adianta Valéria.
Atualmente, o Pró-Vítima conta com três núcleos de assistência: na região do Paranoá, no Setor de Indústria e Abastecimento (SIA) e na quadra 114 Sul, na Estação do Metrô. A ideia é estender o serviço a localidades com alto índice de violência. “O serviço já foi implantado em algumas áreas, mas queremos expandir para Ceilândia e Samambaia. Em relação ao atendimento domiciliar, vamos a todos os lugares”, finaliza a subsecretária.
O começo de uma nova vida
Há cerca de dois meses, a pedagoga Cida Nunes, 28 anos, conta com a ajuda do programa. Durante anos ela sofreu agressões do ex-companheiro, até que resolveu pedir ajuda. “Foi um dos passos mais importantes da minha vida. Depois que comecei o acompanhamento, muitas coisas mudaram. Hoje vejo uma possibilidade de começar a viver. Até então eu estava sobrevivendo”, desabafa. O filho, de apenas cinco anos, também é acompanhado pelos profissionais do Pró-Vítima. “Ele presenciou cenas terríveis. Fico receosa de que ele cresça com algum trauma. Mas ele é uma criança muito boa e responde muito bem ao acompanhamento”, diz Cida.
O Pró-Vítima foi inaugurado no dia 15 de abril de 2009. Das 955 famílias assistidas, 731 foram localizadas por meio de boletins de ocorrência. O restante dos casos foi encaminhado pela Justiça. Os casos atendidos são de vítimas de trânsito, homicídios, violações à Lei Maria da Penha, estupro, atentado violento ao pudor, lesão corporal e todos os demais tipos de crimes praticados com violência.
Serviço
A quem recorrer:
– 3905-1434 (Núcleo do Paranoá)
– 3905-7152 (Núcleo do SIA)
– 3905-1777 (Núcleo da 114 Sul)