Em cima da hora, a limpeza da Prainha está sendo feita, finalmente. O tradicional destino no Réveillon correu risco de não contar com as verbas do governo e até de não ter a manutenção adequada para receber os visitantes. Os fogos de artifício, tão admirados na virada de ano, ainda não estão confirmados. Nos últimos dias, as equipes da Novacap e do Serviço de Limpeza Urbana começaram o trabalho de limpeza e manutenção.
Os religiosos chegaram até a decretar a segunda-feira como data-limite para que os preparativos fossem feitos. Caso o GDF não tomasse posição, lixo e mato seriam retirados por meio de um mutirão. Não foi necessário. Na última sexta-feira à tarde, as roçadeiras trabalharam e o aspecto já melhorou. Mesmo assim, no dia seguinte, o capim cortado não havia sido recolhido e as margens do lago ainda tinham sujeira. Uma equipe de limpeza ainda trabalhava no sábado.
A organização garante que o ofício para que a manutenção fosse realizada foi enviado aos órgãos competentes – no caso, SLU e Novacap – no dia 11 de dezembro, mas ainda não houve resposta.
Tradição
A Praça dos Orixás, mais conhecida como Prainha, recebe a festa há 40 anos. Tradicionalmente, o governo dá aportes à organização, para cuidar de detalhes importantes. No ano passado, foram destinados R$ 497 mil. Com a crise financeira, os adeptos das religiões afro-brasileiras precisarão fazer a festa com menos de um terço, R$ 158 mil, incluindo infraestrutura e cachê de artistas.
O valor é suficiente para os custos com palco, som, iluminação, energia, socorristas e alambrados, por exemplo. Serão destinados R$ 33 mil às apresentações artísticas.
Queima de fogos e alguns cachês de fora
Segundo o presidente da Federação de Umbanda e Candomblé de Brasília e Entorno, Rafael Moreira, a diminuição no orçamento impactará, por exemplo, no transporte oferecido a terreiros. Mas, mesmo assim, a entidade busca alternativas para suprir o corte.
“Estamos conversando com parceiros, como empresas e praticantes do Candomblé e da Umbanda”, disse. A tradição pesou para que fosse feito o esforço, já contando com a possibilidade de não haver ajuda do GDF. Parte dos artistas se apresentará sem cobrar cachê. Para quem receberá, os pagamentos variam entre R$ 3 mil e R$ 7,5 mil.
Os recursos não serão suficientes para a queima de fogos, mas a Federação também estuda maneira de arcar com os custos. “Temos certeza que isso não impedirá as pessoas que gostam da nossa festa de ir até ela”, minimizou Moreira. A maior preocupação é estar com tudo pronto para a vistoria do Corpo de Bombeiros, prevista para amanhã. O alvará é obrigatório.
A Secretaria de Turismo diz que a diminuição da verba se deve aos problemas financeiros, mas a qualidade da festa não será afetada.
A presença das religiões africanas é tradicional na virada de ano brasileira.
A homenageada costuma ser Iemanjá, a deusa das águas, a quem são enviadas oferendas, para que sejam concedidos paz, amor, saúde e dinheiro no ano seguinte.
Vem também do Candomblé o costume de pular sete ondas, já que, nesta religião, o número sete é cabalístico e representa Exu, o filho de Iemanjá.
Além das oferendas, os fiéis acendem velas e jogam rosas na água.
Programação
Apresentações a partir das 16h
Batukenjê
Banda Obara
Asé Dudu
Adora-Roda
Parte religiosa a partir das 23h
Ronald Silva e Renato
Luciano Ibiapina
O espaço contará com praça de alimentação, feira afro e tendas para passes.