Um dos pontos mais visitados por turistas brasileiros e estrangeiros, o Vale do Amanhecer, em Planaltina, também sofre com a violência. O movimento doutrinário e religioso, fundado por Tia Neiva há mais de 40 anos, está tendo que se adaptar aos novos tempos.
Para se ter uma ideia, antes da Copa do Mundo no Brasil, a cerimônia da Estrela Candente, uma das principais da doutrina, era realizada todos os dias no Vale do Amanhecer, mas por causa dos inúmeros crimes na região alguns rituais foram suspensos.
“Muitos turistas vêm de todo o mundo conhecer o templo-mãe. Eu não recomendo o passeio fora do templo, mesmo quando eles querem ir para a estrela (parte externa do templo). Há perigo de roubo e furto. Vários menores aterrorizam os visitantes e moradores. Teve um tempo que levavámos os turistas até dentro do carro para poderem ir embora da cidade. Quando alguém morre aqui na cidade é por dívida de drogas. A lei deles é o pagamento com a vida”, afirma João Nunes, 59 anos, chefe de recepção da doutrina.
João Nunes, porém, acredita que, depois de algumas intervenções policiais, a violência diminuiu em comparação ao ano de 2013. De acordo com ele, no ano passado a violência era “absurda”.
O integrante da doutrina Samuel Gomes, 49 anos, motorista particular, não teme a violência da cidade, mas admite que existem diversos relatos. “Muitos jaguares (membros da doutrina) foram assaltados no banheiro daqui da Estrela Candente. Os turistas também são afetados. Eles vêm com celulares, dinheiro, entre outros equipamentos, e durante o caminho até aqui são abordados por criminosos. Acho que aqui precisa de mais segurança”, afirma.
Trabalhadores também reclamam
A violência, porém, não afeta apenas quem visita o Vale do Amanhecer ou vai participar dos rituais, São vários os relatos de crimes frequentes e de agressões cometidas na região.
Uma comerciante, que não quis se identificar por medo de perseguição, relata a rotina de medo de quem mora ou trabalha na área. “Aqui está terrível. Nos não temos segurança. Nem delegacia tem aqui. No meu comércio, eu sempre sou assaltada. Na semana passada fui roubada nove vezes. Os ladrões são sempre menores, que usam armas de fogo, facas e muitas vezes nos agridem com socos e chutes. Eu, sinceramente, não vou mais na delegacia. Sempre que vou lá os policiais fazem um grande questionário e, depois disso, eles nunca acham os responsáveis”, desabafa a comerciante.
Segurança particular
A auxiliar administrativa Adriele dos Santos, 20 anos, trabalha em um supermercado da região. Ela conta que por causa da violência o mercado contratou seguranças particulares para o período noturno. “Sempre passam pessoas estranhas próximo ao supermercado. Por causa disso, todos os dias eu me sinto assustada na cidade”, relata.
A assistente executiva Erika Pimentel, 35 anos, integrante da doutrina, denuncia a violência na cidade. “Se a polícia deixa de andar um dia pelas ruas, já tem assalto”, frisa.
Versão Oficial
A Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP-DF) informou que não possui um recorte dos crimes na cidade. A Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) explicou como é feito o patrulhamento na cidade. “O policiamento ostensivo na área do Vale do Amanhecer é realizado pelo 14º Batalhão. Há um Posto Policial na cidade que funciona 24 horas. Das 8h às 18h, funcionários da Administração Regional de Planaltina atendem a comunidade no Posto também. Uma viatura faz rondas dia e noite e só atende as ocorrências daquela área, um anseio da comunidade atendido pelo comando do Batalhão. Após a implementação do posto e da destinação de uma viatura exclusiva para a área, além do reforço de efetivo pela chegada de novos policiais do último curso, notou-se uma maior satisfação da comunidade e a redução dos índices de criminalidade na região”, informa a pasta.