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Brasília

Violência acaba com o sossego de moradores da Vila DVO

Arquivo Geral

24/03/2016 6h00

Jurana Lopes

jurana.lopes@jornaldebrasilia.com.br

A falta de segurança tomou conta das ruas da Vila DVO, no Gama, reclamam moradores. A pequena região, que possui cerca de três mil habitantes, tem sido alvo constante de criminosos. Os moradores estão assustados com a quantidade de assaltos. E, para piorar a situação, o único posto policial da vila   foi queimado por bandidos há cerca de dois meses. Desde então, não fica nenhum policial fixo ali, nem mesmo nos arredores da escola.

A segunda-feira passada, por exemplo, foi marcada por cenas de violência. À noite, ao tentarem roubar a bolsa de uma moradora, um grupo de pessoas perseguiu o bandido, e não adiantou ele implorar para não ser agredido. No mesmo dia, houve relatos de   assalto a um estudante que chegava da faculdade e, no fim da noite, troca de tiros entre gangues, segundo informações de moradores.

Indignado com a situação e sem saber o que fazer para a cidade voltar a ter tranquilidade, o presidente da Associação dos Moradores da Vila DVO, Vantuil de Oliveira, procurou a equipe de reportagem do Jornal de Brasília para cobrar publicamente mais segurança por parte das autoridades competentes.

“A situação está preocupante. Toda semana os moradores do DVO são vítimas de assaltos, às vezes em plena luz do dia. Esses dias, minha filha chegou a uma parada de ônibus e foi informada pelas pessoas que tinha acabado de acontecer um arrastão”, denuncia.

“Terra abandonada”

Por ser líder comunitário, Vantuil sempre é procurado pelos moradores quando ocorre algum problema  na cidade. “Estamos vivendo em uma terra abandonada. Não temos um policial fixo na região, e raramente fazem rondas por aqui. É uma situação absurda que não pode ser mantida assim”, reclama. 

Segundo ele, os bandidos   fogem correndo pelo antigo Parque da Prainha.

Versão oficial

A Polícia Militar informou que o batalhão responsável é o de Santa Maria (26º BPM). Segundo a corporação, há   policiamento específico para a área, inclusive com ordens de serviço para o local, onde há um posto comunitário desativado. A PMDF esclareceu que o Batalhão Escolar faz rondas e tem apoio de viaturas de Santa Maria.

Além disso, o policiamento é   reforçado em locais de maior circulação. A Polícia Militar ressaltou que  a população deve registrar  as ocorrências, pois assim pode-se otimizar o policiamento. Segundo a PM, em 2015, foram sete crimes registrados e, neste ano, apenas dois.

Uso de drogas em praça virou rotina

O presidente da Associação dos Moradores da Vila DVO, Vantuil de Oliveira, denuncia também o roubo frequente de carros e a falta de segurança no comércio local.  “Durante o dia, a praça fica cheia de rapazes usando e traficando drogas, bem ao lado do posto policial queimado. É algo absurdo”, relata Oliveira. 

Há cerca de dois meses, o líder comunitário entregou ao governador Rodrigo Rollemberg um abaixo-assinado  com mais de duas mil assinaturas, solicitando mais segurança para a Vila DVO, situada perto do Novo Gama (GO). Na época, segundo Oliveira, o governador prometeu resolver o problema. No entanto, até agora, nada teria sido feito. 

Ele acredita que  as pessoas que cometem crimes na área não são moradoras da vila:  “Muitos bandidos  vêm para cá roubar e depois fogem para suas casas, pois sabem que lá não serão encontrados pela polícia”.

Sensação de insegurança

Outros moradores da Vila DVO confirmam que a sensação de insegurança aumentou depois que o posto policial foi desativado. A dona de casa Maria Silva, de 49 anos, diz que prefere ficar na residência por temer ser mais uma vítima da criminalidade. 

“Eu até fazia exercícios na praça, perto do posto policial. Mas, depois que atearam fogo lá, os bandidos tomaram conta do lugar, usam drogas e não se intimidam com a presença de ninguém. Eu ficava com medo e, por isso, parei de ir lá”, relata. 

Maria reclama da falta de policiamento na cidade e assegura que só sai de casa à noite em casos de urgência.

Arrastões perto de escola

Crianças e adolescentes  também são vítimas dos bandidos, pois arrastões nos arredores do Centro de Ensino Fundamental Gesner Teixeira são corriqueiros e assustam a comunidade escolar. Quem denuncia é a própria direção da escola. 

“Essa situação é frequente por aqui. Os bandidos roubam tênis, mochilas, celulares e outros objetos pessoais dos alunos. Orientamos os estudantes a não reagir, além de utilizar tênis mais simples e não andar com celulares à mostra”, explica a diretora da instituição, Kátia Esteves.

Segundo ela, as tentativas de resolver o problema foram frustradas. “Já enviei ofício e ligo para a PMDF solicitando viaturas ou a presença do Batalhão Escolar, mas a resposta que tenho é que são poucos policiais para toda a área”.

De acordo com a diretora, a situação é bastante complicada, pois o muro de fundo da escola dá acesso ao bairro Boa Vista e ao antigo Parque da Prainha, pontos de fuga dos assaltantes. Quando alguém avisa que têm pessoas suspeitas nas proximidades da escola, Kátia fica na porta do colégio na tentativa de inibir qualquer tipo de ação criminosa contra os alunos.  

“É perigoso, mas é a maneira que encontro de tentar proteger os estudantes”, afirmou. A escola possui 1,4 mil alunos divididos em três turnos.

Comércio

Quem trabalha no comércio da cidade também denuncia que os assaltos são constantes e ocorrem mais durante o dia. “Já fomos assaltados várias vezes em um pequeno intervalo de tempo. Desde janeiro deste ano, além do mercado, assumimos o comando da única padaria da cidade.

Em três meses, já foram quatro assaltos à padaria. O pior é que os bandidos agem durante o dia, sempre munidos de faca ou armas de fogo”, reclamou Rudson Machado, 29 anos, gerente do Supermercado Divino. “Como não tem polícia na região, eles aproveitam”, completou o comerciário.

Números

Segundo a Secretaria de Segurança Pública e da Paz Social (SSP), os dados de criminalidade da Vila DVO estão inseridos nos registros do Gama. Dos nove crimes prioritários dentro da política de segurança adotada pela SSP-DF – o Viva Brasília – Nosso Pacto pela Vida –, seis registraram redução na região   em 2015 em relação a 2014.

Entre os crimes contra o patrimônio, o maior índice de queda foi  o roubo de veículos, cujo número de ocorrências passou de 319, em 2014, para 224, em 2015. A redução foi de 29,8%. Também sofreu queda significativa o roubo em comércio: 28% (de 246 ocorrências, em 2014, para 177, em 2015). O número de ocorrências de furtos no interior de veículos no Gama passou de 531, em 2014, para 516, em 2015: redução de 2,8%. 

Nos roubos a pedestres, a queda foi de 1,1%, ou seja, enquanto em 2014 foram registradas 1.804 ocorrências, em 2015, foram 1.784. Registrou alta no Gama   o roubo em coletivo. O número de casos passou de 33 para 50.

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