Alunos do Centro de Ensino Espe cial 1 de Planaltina tiveram a oportunidade de experimentar uma manhã diferente, com direito a música, diversão e risos contagiantes. A escola foi uma das escolhidas para receber a visita do projeto Viola Escola, que consiste na apresentação musical dos violeiros Marcos Mesquita e Vitor Mesquita. Pai e filho contam com a participação especial de dois palhaços que interagem com os alunos.
O músico Marcos Mesquita, 55 anos, professor da Escola de Música de Brasília, conta que o projeto existe desde 2003, mas que só agora conseguiu reerguê-lo com a ajuda dos filhos. Ele diz que o objetivo é resgatar a boa música brasileira.
“Se algo me incomoda, faço algo para mudar, não fico de braços cruzados. Mais do que levar a viola caipira, queremos tocar o coração das pessoas, trazer momentos felizes, esperança e força de vontade”, conta Marcos.
O violeiro Vitor Mesquita, 25 anos, conta que, desde a apresentação em uma rede de hospitais do DF, viu a necessidade de propagar a música onde ela quase não tem voz.
“Senti vontade de levar nosso som para pessoas que não têm acesso a cultura. Aqui, muitas vêm para a escola e vão direto para casa. O universo delas é só esse. Queremos levar algo a mais, e quem acaba ganhando somos nós. A alegria deles não tem preço”, afirma Vitor.
Família unida
Toda a família participa. A produtora executiva do projeto, Raquel Mesquita, 22 anos, é filha de Marcos e conta que a proposta já existia em escolas classe do DF, mas que, no ano passado, surgiu a ideia de atender um público distinto.
“São pessoas de escola de ensino especial e rural. Como é um público diferente, chamamos os palhaços, que também são peça fundamental, pois conseguem mexer com a emoção e com o imaginário das crianças. Elas aproveitam muito esse momento”, relata Raquel.
A aluna Grazielle Gonçalves, oito anos, estava tímida, mas logo se soltou. Com poucas palavras, resumiu o que achou da apresentação: “Gostei muito e estou feliz”.
Momentos de interação sem preconceito
A aluna Jéssica Silva, 23 anos, também quis relatar a impressão que teve da exibição: “Foi muito legal. Rimos bastante. Minha parte preferida foi a do palhaço com a perna de pau”, conta.
A apresentação serviu como inspiração e despertou Pedro Medina, 19 anos, para um novo sonho: “Achei muito divertido. Quero trabalhar em circo como ajudante. Eles são nota dez”.
Para a professora Iraneide Costa, 40 anos, é um momento de interação. “Trabalhamos muito com a música. Acredito que traz conhecimentos de uma forma que, às vezes, não conseguiríamos passar se tentássemos de uma outra maneira. Eles estão muito alegres”.
A supervisora pedagógica Andreia Araújo, 39 anos, conta que as pessoas ainda têm muito preconceito. “Acham que eles não podem aprender. Mas é muito gratificante ver o sorriso estampado no rosto deles e mostrar que a realidade é outra. Aqui atendemos todos os tipos de deficiência. É um preparo para a vida”, revela.
Saiba mais
O projeto tem apoio do FAC e beneficia escolas de ensino especial e rurais do DF. Segundo Vitor Mesquita, mesmo com o fim do apoio do FAC, pretendem dar continuidade ao projeto.
Já foram realizadas apresentações no Centro de Ensino Especial 1 de Sobradinho e na escola Rural Eta-44, de Planaltina. Hoje quem recebe a visita é a Escola Classe do Varjão.
Quem quiser conhecer mais e ajudar nesse projeto pode entrar em contato no endereço: mmesquitavioleiro@yahoo.com.br