Foi publicada pela primeira vez, pela Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan) uma pesquisa feita para a população das vilas Planalto, Telebrasília e Weslian Roriz. As pesquisas foram realizadas em 2009 e tem como objetivo obter dados e indicadores socioeconômicos sobre a população residente nas vilas, em relação ao perfil, características gerais sobre migração e educação, trabalho, religião, entre outros.
As pesquisas revelaram algumas surpresas como na Vila Planalto, criada em 1958, para receber os operários das empresas que atuaram na construção de Brasília. Por exemplo, foi detectado que a vila não preservou suas características históricas. Mesmo sido tombada, em 1988, 77,9%, de suas construções foi reformada em alvenaria. Apenas 5,3% das moradias permanecem com a estrutura antiga, outras 4,7% foram reformadas, mas preservaram a originalidade em madeira e 5% foram reformadas em alvenaria, mantendo o projeto original e outros tipos, 7,1%.
Segundo a pesquisa 95,2% das moradias são casas, sendo que 2,4% são de quartos alugados, 1,3% barracos e 1,1% quitinetes e estúdios. Para a coordenadora de Pesquisas da Codeplan, Iraci Peixoto, os moradores da vila têm uma qualidade de vida muito boa.
“Podemos destacar que 100% dos domicílios na Vila Planalto são servidos por água tratada, mostrando elevado padrão na prestação do serviço público e 98% são ligados à rede pública de esgotamento sanitário.
Os lotes da Vila Planalto ainda são de propriedade da Companhia Imobiliária de Brasília (Terracap). Em relação, a documentação de posse, como os moradores não possuem as escrituras de seus lotes, 63,2% responderam que possuem um documento de concessão de uso. Outros 13,4% possuem um contrato de compra e venda. Há também outras modalidades de aquisição, como por herança, que registraram 1,3%.
Quanto à população da vila, a pesquisa traz alguns dados interessantes. A sua população de idosos é de 11,7%, relativamente maior se comparada com a do Distrito Federal, que é de 7,8%. Os solteiros são maioria dentre a população, com 34,2%, e 56,1% de seus moradores nasceram no DF.
De acordo com a coordenadora, muitas famílias estão ali desde a criação da vila. “Lá era um antigo acampamento, então muitas famílias permanecem no local, mas também já existem muitas pessoas que estão construindo uma família por lá”, explica Iraci. Ela acrescenta ainda que 27% da população residem na vila há menos de dez anos.
A Codeplan planejou a pesquisa com base em um esquema de amostragem. A definição foi determinada pela quantidade de domicílios existentes a partir do cadastro da Companhia Energética de Brasília (CEB), realizada em 2007, que informou a existência de 1.398 unidades consumidoras. Com isso, a Codeplan, no final da pesquisa estimou um universo de 1.850 domicílios, coletando os dados em 380 residências, o que representa 20,5% do total.
Como nasceu a Vila Planalto?
A vila foi criada em 1958, para abrigar os operários das empresas Rabelo e Pacheco Fernandes que construíram Brasília. Após, outros acampamentos de empreiteiras foram sendo instalados, chegando a um número de 22.
No fim dos anos 50, o local contava com engenheiros e operários, que trabalhavam nas obras da capital. Ao final das obras, muitos trabalhadores foram assentados nas cidades satélites, sendo que parcela lá permaneceu.
A Vila Planalto foi tombada pelo Departamento do Patrimônio Histórico e Artístico do DF (Depha) e pelo Instituto Artístico Nacional (Iphan). A vila que está situada entre a Esplanada dos Ministérios e o Palácio da Alvorada, atualmente é composta por quatro acampamentos remanescentes: Rabelo, Pacheco Fernandes, DFL e Tamboril.