Ingrid Soares
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Passageiros que entraram em um dos ônibus da linha 099.1 da Piracicabana passaram por uma situação constrangedora na noite da última quinta-feira. Um homem foi levado a delegacia por praticar ato obsceno dentro do transporte público que realizava a rota Cruzeiro – Taguatinga Centro – Comercial Sul – Areal – Águas Claras.
Segundo testemunhas, ele não teria dinheiro para passar pela catraca e entrou com seis desodorantes nos bolsos. O homem teria encarado a cobradora de modo estranho, colocado a mão por cima da roupa e sentado atrás do motorista, em um assento único. Por conta do vidro e de um adesivo, o motorista não visualizava o que se passava.
Ao chegar na altura da EPTG, Lucas Jorge de Morais, 34 anos, teria se masturbado e exibido as partes íntimas dentro do coletivo quando os passageiros e a cobradora pediram para que ele parasse. A confusão começou, e um dos usuários pagou para que ele passasse pela roleta.
Um dos passageiros teria se envolvido na discussão e foi ameaçado de morte pelo homem, que dizia estar armado com uma faca.
O motorista parou o ônibus assim que avistou uma equipe da Polícia Militar. Os passageiros foram encaminhadas para registrar a ocorrência na 21ª DP. Na delegacia, o homem negou que estivesse praticando o ato ou ameaçado qualquer pessoa. Foi feita uma revista, e nenhuma arma foi encontrada. O homem assinou termo de Compromisso de Comparecimento em Juízo e, em seguida, foi liberado.
Mulher filma momento da confusão
A publicitária Natalie Araújo, 24 anos, pegou o ônibus no momento da confusão e fez um vídeo. Ela conta que não presenciou o ato, mas viu quando o homem ameaçava um passageiro. Sem entender a situação, preferiu não passar pela catraca. “Entrei no ônibus depois que ele subiu as calças. Ele estava com muita raiva da cobradora, começou a xingá-la dizendo que não tinha feito nada, e um dos rapazes reagiu, pedindo para ele parar”, conta.
Veja o vídeo
No vídeo, a cobradora relata que, inicialmente, achou que se tratasse de um assalto, mas que, depois, percebeu a intenção do homem. “Estou tremendo, suada, nervosa. Ainda bem que hoje o ônibus estava vazio, se não ele tinha ‘ralado’ nas meninas aí dentro”, comenta.
Natalie acrescentou que, há dois anos, sofreu assédio dentro de um ônibus. “Assim que entrei, um homem ficou me encarando, e eu fiquei com medo. Quando desci, ele veio atrás de mim. Me apertou contra a parede e disse coisas horríveis no meu ouvido. Foi nojento. Tentei buscar ajuda, mas não tinha polícia, e ele teve a audácia de dizer que não sabia do que eu estava falando. Fiquei sem reação e não registrei ocorrência”, lembra.
Antecedentes
Ela afirma que, após passar repetidas vezes pela situação, o sentimento que fica é o de impotência. “O fato de ser mulher nos deixa à mercê. Nada justifica. Se ele faz isso, o que mais pode fazer? Para mim, ele é um estuprador em potencial, pois, segundo o delegado, é a terceira passagem dele pelo mesmo motivo. O trabalho da polícia foi eficaz, mas falta mudança nas leis porque ele foi liberado logo em seguida. Ao que parece, está acostumado a não dar em nada”, critica.
Procurada pela redação do Jornal de Brasília, a assessoria de comunicação da empresa Piracicabana preferiu não comentar sobre o assunto, mas afirmou se tratar de um caso isolado e de um ato incomum nos coletivos.
Saiba mais
Ato obsceno é previsto no artigo 233 do Código Penal.
De acordo com o código, praticar ato obsceno em lugar público, ou aberto ou exposto ao público tem pena de detenção de três meses a um ano ou multa.
A Secretaria de Segurança Pública e da Paz Social afirma não possuir dados consolidados sobre os crimes registrados no Distrito Federal.