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Brasília

Vida fácil para presos

Arquivo Geral

18/12/2013 7h20

Uma operação integrada entre o Ministério Público de Goiás (MPGO) e as forças de segurança do estado e do Distrito Federal desarticulou uma quadrilha formada por agentes carcerários do sistema prisional de Goiás. O grupo estava sendo investigado há mais de um ano por promotores do Centro de Inteligência do MPGO. Eles são suspeitos de corrupção ativa e passiva, tráfico de drogas e crime contra a administração pública, uma vez que teriam cobrado propinas dos detentos do presídio de Planaltina de Goiás, na Região Metropolitana do DF, para a liberação de entrada de drogas, armas e mulheres dentro da carceragem. 

Além disso, os homens são suspeitos de forjar a presença de alguns presos que cumpriam regime semiaberto e não voltavam para a carceragem no fim do dia. Cinco pessoas foram presas em Planaltina (GO), Planaltina e Formosa (GO), na Região Metropolitana. Até o fim do dia de ontem, um ainda estava foragido, embora estivesse na condição de se apresentar ao MP.

Detidos

Entre os detidos estava o soldado da Polícia Militar de Goiás  Ueliton Ribeiro Cavalcante, preso em Planaltina; e um  aluno do curso de formação do cadastro de reserva para cadetes e  soldados do Corpo de Bombeiros de Goiás  Eduardo Alves de Souza, encontrado em Formosa (GO). Eles são investigados por fazerem parte do grupo que participava de ações fraudulentas e foram presos onde moravam. Eduardo é um dos ex-agentes prisionais do sistema carcerário do estado. 

Mandados de busca

Ao todo foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão para o combate à corrupção. Cada um dos integrantes da quadrilha tinha uma função dentro do esquema criminoso. 

A investigação do MPGO começou após denúncia dos familiares de presos, que disseram estar sendo extorquidos por supostos agentes de dentro do presídio. Ontem, inclusive, foi cumprido um mandado de busca e apreensão dentro do presídio de Planaltina de Goiás para encontrar objetos que pudessem servir de prova do crime, como drogas, celulares e bebidas alcoólica. 

Crime
Além do policial e do aluno do curso de formação do Corpo de Bombeiros também foram presos os ex-agentes carcerários João Pinto de Aguiar, 31 anos, e Cleberson Souza dos Santos, 33 anos, além do detento que cumpria regime semi-aberto Agamenon Rodrigues Lopes, 55 anos. Foram notificados para prestar depoimento outros dois ex-agentes do sistema prisional. Cada um dos detentos vai receber um tipo de indiciamento, dependendo da participação no esquema. Os crimes variam desde a tráfico de drogas e associação ao tráfico até corrupção ativa e passiva e formação de quadrilha.
 
Apurações ainda não acabaram
O promotor subcoordenador do Centro de Inteligência do Ministério Público de Goiás, Thiago Galindo Placheski, destaca que a quadrilha atuava no presídio de Planaltina de Goiás. Os agentes penitenciários contratados temporariamente cobravam propina dos detentos para liber substâncias entorpecentes e objetos, como armas e celulares, para dentro da carceragem. “Eles faziam parecer que os presos em regime semiaberto estavam dentro do presídio, quando na verdade, os detentos estavam em liberdade, inclusive, cometendo outros crimes. Isso prejudicava as investigações porque formalmente eles estavam no presídio”, explica.
Do total de presos, cinco eram ex-agentes penitenciários da carceragem. No caso da detenção do soldado da Polícia Militar de Goiás, a própria corregedoria da corporação fez a prisão. Segundo o promotor do caso, o aluno do curso de formação para o Corpo de Bombeiros deve ser expulso antes mesmo de entrar para a corporação.  
“Outras pessoas já foram notificadas para ser ouvidas formalmente para contribuir com as investigações.  No interior do presídio, os objetos encontrados vão servir de prova de materialidade de tudo aquilo que entrava no sistema prisional”, ressalta o promotor.
Um dos presos foi detido em casa com porções de droga e quantias em dinheiro, o que, segundo as investigações, caracteriza o indivíduo como sendo um traficante de drogas da região. “Nosso principal foco é tentar diminuir a corrupção de pessoas dentro dos presídios. As apurações ainda não acabaram”, finaliza o promotor.
 
Versão Oficial
A Secretaria da Administração Penitenciária e Justiça esclarece que a operação  prendeu dois ex-vigilantes penitenciários temporários, ou seja, que não pertencem aos quadros do sistema prisional goiano. Além desses dois, o MP notificou outros três vigilantes penitenciários temporários para esclarecimentos. Diante deste cenário, a secretaria informa que aguarda o fechamento da operação para observar a necessidade de abertura de procedimento de investigação interna caso haja a prisão de servidores do órgão, o que ainda não ocorreu.

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