< !--StartFragment -- >Os velejadores brasileiros Robert Scheidt, da classe Star, e Ricardo Winicki (Bimba), da classe RS:X, podem ter o vento como mais um adversário na disputa pelo ouro da modalidade nos Jogos Olímpicos de Pequim.
As difíceis condições dos ventos na baía de Fushan, na cidade de Qingdao, onde serão realizadas as provas de vela, deixam um pouco em aberto as previsões de medalhas para as distintas classes participantes.
Assim, Bimba, campeão mundial de 2007 na RS:X, pode ter mais dificuldade em sua tentativa de melhorar o desempenho de Atenas (2004), onde chegou na última regata como líder da competição e, no fim, deixou escapar o ouro.
Para o velejador, o principal fator complicador pode ser a falta de vento. Na comparação entre as raias de Qingdao e a dos últimos Jogos, ele aponta algumas pequenas diferenças e o que espera da competição em Pequim para que possa vencer os rivais.
“Em Atenas, tinha muito mais vento, eram condições normais. Eu não faço questão que seja um lugar que vente todo o dia, mas é legal poder variar o máximo possível”, disse Bimba, ao afirmar que sua habilidade de velejar tanto com vento fraco ou forte é o que lhe permite ter bons resultados.
O atleta, que em entrevista à Agência Efe destacou os treinos específicos em ventos fracos, explicou que foram as boas condições climáticas de Búzios (RJ) que o ajudaram a ter a capacidade de velejar em diferentes situações.
“Em Búzios, há uma variação muito grande de condições. De ventos que vão de 0 a 40 nós e ondas de 0 a 4 ou 5 metros. Essa variação faz com que a gente consiga evoluir muito rápido em várias condições ao mesmo tempo”, ressaltou.
Outra característica desfavorável para os velejadores são as fortes correntes da região e a grande inconstância na direção dos ventos. Essas condições fizeram até com que alguns atletas se perguntassem porque Qingdao foi escolhida como sede da vela.
Ainda assim, ele não acredita em grandes surpresas na China.
O que seria bom para o esporte brasileiro, que aposta mais uma vez em que Robert Scheidt, favorito ao primeiro lugar nos Jogos Olímpicos na classe Star, traga mais uma medalha de ouro para o país.
Com 14 medalhas, a vela é o esporte mais bem sucedido do Brasil em Jogos Olímpicos.
Scheidt também é oito vezes campeão mundial, com sete títulos na classe Laser e um na Star, em 2007, ao lado do companheiro de barco Bruno Prada. Ele também já conquistou quatro medalhas olímpicas, duas delas de ouro.
Entre os favoritos ao título em Pequim na classe Laser está o britânico Ben Ainsley, que tem dois ouros olímpicos nas classes Finn (Atenas 2004) e Laser (Sydney 2000) e seis títulos mundiais nestas duas categorias.
Os australianos Darren Bundock e Gleen Aushby buscam o ouro na Tornado, mas encontram nos espanhóis Fernando Echavarri e Antón Paz, que dominaram a classe depois de Atenas, grandes adversários.
Também não se deve esquecer dos argentinos Santiago Lange e Carlos Spínola, bronze em Atenas na Tornado, e dos espanhóis Iker Martínez e Xabier Hernandéz, na 49er.
Por equipes, ao lado da França, Grã-Bretanha, Austrália, Estados Unidos, Nova Zelândia e Espanha voltam a estar entre os favoritos para somar o maior número de medalhas.