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Brasília

Velório de Zenaide Azeredo reúne amigos e ex-colegas em despedida marcada por homenagens

Jornalista que marcou a cobertura militar durante a redemocratização foi lembrada pela família por sua coragem, inteligência e compromisso com a justiça social

Débora Oliveira

20/08/2026 16h00

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Foto: Arquivo

O velório da jornalista Zenaide Azeredo, que faleceu na segunda-feira (17) aos 77 anos, reuniu familiares, amigos e ex-colegas de profissão na manhã desta quinta-feira (20), no Cemitério Campo da Esperança. Em um clima tranquilo, marcado pela presença de pessoas que fizeram parte de diferentes momentos de sua vida, a despedida foi conduzida pelas lembranças dos bons momentos ao lado da jornalista.

Zenaide Azeredo foi uma jornalista que construiu uma trajetória de mais de quatro décadas na imprensa de Brasília, com atuação destacada na cobertura política e militar. Ao longo da carreira, trabalhou em importantes veículos de comunicação do país, como Jornal do Brasil, O Globo, O Estado de S. Paulo, Folha de S. Paulo e Jornal de Brasília, contribuindo para a cobertura dos principais acontecimentos da capital.

No velório, a família preferiu celebrar a trajetória de Zenaide por meio das memórias de convivência. Para o filho, Francisco, a principal herança deixada pela mãe foi a forma como ela tratava as pessoas. “O legado que ela deixou foi de bondade, com o coração dela muito maior do que cabia. Era uma pessoa muito boa, muito brava quando tinha que ser e com as pessoas que mereciam que ela fosse brava”, afirmou.

Francisco também lembrou a força da mãe nos últimos meses. “Ela era muito brigona, brigou muito, lutou muito, principalmente agora no final. Ela lutou durante cinco meses pela vida”, contou. Para ele, Zenaide deixou ainda uma forte influência intelectual na família, especialmente pelo incentivo à leitura e ao conhecimento. “Ela tinha uma biblioteca vasta, riquíssima, com uma variedade gigantesca de temas, de assuntos”,

Entre os assuntos que mais faziam parte da vida da jornalista estavam o Brasil, a cobertura militar, a Igreja Católica e as questões relacionadas às mulheres. “Brasil, mulher e igreja eram os principais focos dela”, resumiu Francisco, ao lembrar também da participação de Zenaide no grupo Brasília-Mulher.

Lembranças de uma mulher forte

O sobrinho Marcelo recordou uma mulher de personalidade firme, mas também carinhosa com a família. “Eu lembro, de criança, dela ser muito carinhosa, muito gentil, mas ao mesmo tempo de ter essa reputação de ser brava com os meninos”, contou.

Para ele, Zenaide foi uma referência de coragem e justiça. “Ela era uma pessoa muito correta, tinha um senso de justiça, um senso de honestidade e do que é correto, do que é justo, que ela transmitiu para todos nós”.

Marcelo também destacou as convicções políticas da tia e a coragem para defendê-las. “Ela era uma lutadora, uma ativista. Foi uma feminista, foi comunista assumida, não tinha medo nem vergonha de usar essa palavra. Foi perseguida por isso”, comentou.

A irmã, Norma Guimarães Azeredo, preferiu lembrar da Zenaide que existia fora do ambiente profissional. “Ela era fechada, mesmo muito alegre, tinha muito humor”, contou. A familiar destacou também a curiosidade intelectual da irmã, que morou na França, fez mestrado e mantinha o hábito de estudar, ler, viajar e conhecer novos lugares.

Nos últimos anos, as duas fizeram viagens juntas, entre elas uma aos Lençóis Maranhenses. “Foi muito bom nossa viagem para os Lençóis Maranhenses, foi deslumbrante. Muito bonito”, revelou. Para Norma, a irmã também era uma companhia para todas as horas. “Topava tudo, era alegre, gostava de comer, de beber”, relembrou.

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