Soraya Sobreira
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A alta velocidade e o consumo de bebida alcoólica são os principais vilões do trânsito. É o que confirma o Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF), por meio do balanço de agosto relativo aos acidentes. Neste período, foram 39 mortes nas vias do DF, em 39 acidentes.
Apesar da quantidade, o número de colisões fatais apresentou queda se comparado ao mesmo mês de 2011, quando houve 49 casos. O resultado é o menor dos últimos seis anos. Enquanto em 2010 o Detran registrou 17 ocorrências a mais. “O motorista embriagado ainda é uma preocupação, principalmente porque se alia a outro fator: a velocidade”, observa o diretor do órgão, José Alves Bezerra.
De acordo com o departamento, as operações de fiscalização da Lei Seca, realizadas no período de janeiro a junho de 2012, flagraram mais de 3,8 mil motoristas dirigindo alcoolizados. Comparado ao mesmo período de 2011, houve uma queda de 49%. Segundo o órgão, o resultado se deve aos efeitos da Operação Tartaruga da Polícia Militar, que atrapalhou a fiscalização. A estatística apontou ainda que o excesso de velocidade é a infração mais frequente no DF.
O resultado desta mistura fez com que Bruno Fonseca, de 15 anos, integrasse as estatísticas de mortes no trânsito. “O motorista que causou o acidente estava dirigindo a 105 km por hora em uma via de 80 km/h. Além disso, estava visivelmente embriagado”, conta a mãe Elisângela Fonseca de Almeida, 36 anos. Bruno estava em outro veículo, voltando de um passeio com o irmão caçula e dois primos. “O impacto foi tão forte que jogou o carro deles na contramão da via. É um milagre meus sobrinhos e meu outro filho estarem vivos”, relata. O acidente ocorreu em janeiro deste ano, por volta das 17h, na Estrada Parque Indústria e Abastecimento (Epia). “O motorista recusou-se a soprar no bafômetro e passou 11 dias preso, mas saiu depois de pagar fiança”, lamenta Elisângela.
Ao analisar os dados de agosto, o Detran avalia que o pedestre é a maior vítima. “Afinal, ele é a parte mais vulnerável. Por isso, pedimos tanto para que os motoristas sejam atentos ao pedestre”, justifica Bezerra. O professor de engenharia de tráfego na Universidade de Brasília (UnB) Paulo César Marques comenta que ações de prevenção aos acidentes devem ser frequentes. “Muitas mortes poderiam ser evitadas, seja com políticas públicas como pela conscientização dos cidadãos”.