Por Késia Alves
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Investigada por suspeita de participação nos crimes de homicídio ocorridos na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta, em Taguatinga, a técnica de enfermagem Amanda Rodrigues de Sousa, 28 anos, acumulou passagens por diversas unidades de saúde do Distrito Federal. Levantamento exclusivo do Jornal de Brasília detalha a trajetória profissional de Amanda antes do caso que a levou à prisão..
Amanda Rodrigues se formou como técnica de enfermagem em julho de 2019, pela Faculdade LS. Um mês depois, iniciou a trajetória profissional no Hospital Santa Lúcia, em Brasília, onde atuou entre agosto e dezembro de 2019, por cinco meses. Na unidade, teve contrato temporário para cobertura de licença-maternidade, com atuação no centro obstétrico, exercendo atividades como administração de medicações e atendimento a pacientes.
Depois da passagem pelo Hospital Santa Lúcia, Amanda Rodrigues atuou no Hospital Santa Marta, onde trabalhou de dezembro de 2020 a setembro de 2022, período de 1 ano e 10 meses, exercendo a função de técnica de enfermagem no centro cirúrgico.
Em seguida, teve um contrato temporário no Hospital Sírio-Libanês, em Brasília, entre março e setembro de 2023, por sete meses, com atuação no centro cirúrgico. Na sequência, passou pelo Hospital Brasília, onde trabalhou de setembro de 2023 a junho de 2024, por 10 meses, no setor de internação adulta.
Já em janeiro de 2025, Amanda iniciou atividades no Hospital Anchieta, como técnica de enfermagem em UTI adulto (cardiológica e neurológica), vínculo que constava como ativo no período investigado. Paralelamente, a partir de maio de 2025, também passou a atuar no Hospital Mantevida, na função de técnica de enfermagem em UTI adulto, ambos os contratos na condição de terceirizada, conforme informações do currículo profissional.
LINHA DO TEMPO

2019 – Hospital Santa Lúcia
De acordo com o perfil profissional, Amanda iniciou sua trajetória no Hospital Santa Lúcia, onde atuou como técnica de enfermagem entre agosto e dezembro de 2019. O vínculo foi temporário, para cobertura de licença-maternidade, no centro obstétrico.
2020 a 2022 – Hospital Santa Marta
Entre dezembro de 2020 e setembro de 2022, Amanda trabalhou no Hospital Santa Marta, em regime de tempo integral, no centro cirúrgico, exercendo funções relacionadas à assistência ao paciente e administração de medicações.
2023 – Hospital Sírio-Libanês
No primeiro semestre de 2023, a técnica atuou no Hospital Sírio-Libanês, em contrato temporário, no centro cirúrgico. O vínculo teve duração aproximada de sete meses.
2023 a 2024 – Hospital Brasília
Entre setembro de 2023 e junho de 2024, Amanda trabalhou no Hospital Brasília, de forma terceirizada, no setor de internação adulto.
2025 – Hospital Anchieta e Hospital Mantevida
Em janeiro de 2025, passou a atuar no Hospital Anchieta, também como técnica de enfermagem terceirizada, na UTI adulto (cardio/neuro). É neste período que se concentram as investigações conduzidas pela Polícia Civil do Distrito Federal.
Desde maio de 2025, Amanda também declara atuação no Hospital Mantevida, como técnica de enfermagem terceirizada, na UTI adulto.
INVESTIGAÇÃO
A reportagem ressalta que a menção às unidades de saúde onde Amanda atuou não implica qualquer juízo de valor sobre os hospitais citados nem indica, por si só, a existência de irregularidades nesses locais. A apuração tem caráter exclusivamente informativo e foi realizada a partir de dados públicos declarados no perfil profissional da investigada. As investigações conduzidas pela Polícia Civil do Distrito Federal seguem em andamento.
Amanda Rodrigues nega participação nos crimes e afirmou à Polícia Civil do Distrito Federal que não tinha conhecimento das condutas atribuídas ao amigo de longa data. No entanto, segundo as autoridades, imagens do sistema de câmeras de segurança do hospital contradizem a versão apresentada pela técnica de enfermagem.
O CASO
A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou a Operação Anúbis, que resultou na prisão de três técnicos de enfermagem suspeitos de envolvimento em mortes ocorridas na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta, em Taguatinga. Além de Amanda Rodrigues de Sousa, também foram detidos Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, de 24 anos, e Marcela Camilly Alves da Silva, de 22 anos.
As prisões ocorreram após o próprio Hospital Anchieta identificar indícios de irregularidades durante uma apuração interna e comunicar o caso à polícia.
De acordo com as investigações, Marcos Vinícius é apontado como o principal executor dos crimes. A polícia apura a morte de três pacientes entre novembro e dezembro de 2025, cujos óbitos passaram a ser analisados após a identificação de indícios de irregularidades na unidade hospitalar.
VÍTIMAS
As vítimas identificadas até o momento são Miranilde Pereira da Silva, de 75 anos, professora da rede pública do Distrito Federal, que atuou na Regional de Ensino de Ceilândia e lecionou na Escola Classe 03; João Clemente Pereira, de 63 anos, servidor da Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb), onde exercia a função de supervisor de manutenção; e Marcos Raymundo Fernandes Moreira, de 33 anos, carteiro dos Correios e funcionário do Centro de Distribuição Domiciliar (CDD) de Brazlândia.
De acordo com a PCDF, Marcos Vinícius teria acessado indevidamente a conta de um médico no sistema interno do hospital e aplicado substância que, segundo a polícia, provocava parada cardíaca em poucos minutos. Além disso, em mais de dez ocasiões, ele também teria aplicado desinfetante em uma das vítimas. As investigações apontam que os crimes ocorreram no período de novembro a dezembro de 2025. O inquérito segue em andamento.
A reportagem entrou em contato com as unidades de saúde citadas para confirmar período de vínculo e setor de atuação. Até a publicação desta matéria, não houve retorno. O espaço permanece aberto para manifestações.