Por Elisa Costa
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Uma pesquisa recente da Associação Brasileira das Empresas de Benefícios ao Trabalhador (ABBT) constatou que o custo médio de uma refeição fora de casa no Brasil chega a R$40,64. Esse valor teve um aumento de 17,4%, e por esse motivo, muitos perceberam que a quantia fornecida pelo vale-refeição já não cobre o mês todo.
De acordo com um outro levantamento, realizado pela empresa Sodexo Benefícios e Incentivos, antes da pandemia chegar ao país, a durabilidade média do vale era de 18 dias. Atualmente, o cartão é utilizado apenas por 13 dias. Os dados correspondem ao período entre o início de 2020 e junho deste ano, com base nos clientes cadastrados.
Segundo William Tadeu Gil, diretor de Relações Institucionais de Responsabilidade Corporativa da Sodexo, hoje em dia o trabalhador precisa desembolsar nove dias do salário para poder compensar os dias sem o benefício até a próxima recarga. Isso porque as empresas geralmente consideram 22 dias úteis na concessão do crédito.
No Distrito Federal, a situação também é complicada. Entre as regiões do país, o Centro-Oeste foi identificado pela pesquisa da ABBT como a que possui o almoço mais barato em comparação com as outras, com preço médio de R$34,20. Mas esse fator não muda a dificuldade dos brasilienses na hora das compras.
Marya Cecília Castro, 22, analista de marketing no DF, é uma das milhares de pessoas que sofrem com o custo dos alimentos. Ao Jornal de Brasília, ela relatou: “Com o salário fazemos a compra do mês com o básico, e gastamos tudo em uns 16 dias. Já o vale-refeição dura bem menos, isso porque não comemos em restaurantes caros”.
A região Sudeste do país foi a que registrou o maior preço médio dentre as outras, de R$42,83. Entre as capitais, São Luís (MA) ficou em primeiro lugar, com média de R$51,91 por refeição completa (comida, bebida, sobremesa e café). O levantamento foi realizado em restaurantes, bares, lanchonetes e padarias de 51 cidades de 22 estados e Distrito Federal.
A tributarista e professora da Escola de Políticas Públicas e Governo da FGV, Hadassah Laís Santana, explicou ao Jornal de Brasília que a inflação envolve toda a cadeia de produção e que situações como a guerra entre Rússia e Ucrânia impactam os insumos. “A inflação aumenta o preço dos alimentos justamente pelo aumento dos insumos da produção e da logística, como o transporte”, destacou.
Segundo a especialista, está caro comer tanto fora quanto dentro de casa, porque o custo aumentou: “Para os restaurantes tem o agravante, que é a mão de obra. E com o custo alto dos insumos, o preço final do prato fica mais caro. O preço da carne e dos legumes, por exemplo, estão bem mais altos”.
De acordo com Hadassah, para amenizar os impactos desse problema, os gestores públicos precisam gerenciar a política fiscal para evitar que a inflação se torne ainda mais inviável para a economia: “Isso envolve desde políticas públicas macro e microeconômicas a políticas que garantem o subsídio para os produtores”.
Para as empresas, também existem alternativas que podem combater a inflação sem prejudicar a equipe: “As empresas podem subsidiar parte das refeições em seus restaurantes internos ou fazer parcerias com restaurantes próximos, para garantir um preço melhor aos funcionários. E claro, aumentar o valor do vale-refeição”.
O vale-refeição é um benefício que auxilia milhares de pessoas a se alimentarem diariamente em horários de pausa do expediente, por exemplo, e é geralmente usado para almoço ou jantar, em restaurantes, lanchonetes e padarias. Segundo o artigo nº 458 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), o valor da refeição deve estar incluso no salário do trabalhador, contudo, o vale-refeição ou vale-alimentação não são considerados obrigatórios.
O benefício faz falta àqueles que não tem acesso à uma alimentação adequada em casa, ou que sofrem risco de desnutrição por conta disso. O VR também ajuda na comodidade e segurança na hora de se alimentar, além de motivar o trabalhador. Por essa razão, e também pela chegada da crise econômica decorrente da pandemia, algumas empresas já aumentaram o valor do crédito.