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Brasília

Uso irregular de espaço destinado a ônibus e táxis é frequente

Arquivo Geral

15/06/2014 9h00

As faixas são exclusivas para ônibus e taxis, mas é possível ver com frequência carros de passeio, viaturas, motos e até bicicletas transitando por elas. De acordo com o Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF), até maio deste ano foram registradas  649 infrações por dia relativas ao tráfego irregular pelas faixas exclusivas. Por hora, a média é de 27 infrações desse tipo.

Ao todo, 98 mil pessoas foram autuadas pelo uso inapropriado de faixas. No caso dos coletivos, houve o registro de 230 infrações referentes a ônibus que deixaram de circular na faixa apropriada.  

A equipe de reportagem do JBr. percorreu as principais vias do DF e encontrou um vasto cenário de imprudência. Entre as cenas mais inusitadas estão a de motoristas utilizando as faixas exclusivas tranquilamente.

Velhos erros

Os números de 2013 também impressionam. D durante todo o ano passado foram contabilizadas

 273,8 mil infrações referentes ao uso irregular de faixa exclusiva. 

A escolha das vias onde as faixas foram implementadas foram baseadas em estudos que mostram o número de veículos em tráfego diário na região. Entre as que possuem o corredor exclusivo, apenas na EPTG, por onde circulam cerca de 150 mil veículos todos os dias, a faixa fica do lado esquerdo. Em todas as outras, W3 Sul, W3 Norte, Setor Policial Sul e Estrada Parque Núcleo Bandeirante (EPNB), a faixa fica do lado direito. 

Usuários são contra

Uma das reclamações mais frequentes entre os passageiros de ônibus diz respeito ao lado escolhido para a construção da faixa exclusiva na EPTG.

É o caso de Edjalma Ferreira, pedreiro, de 54 anos. “Para mim não mudou nada. Não adianta ter faixa exclusiva se os ônibus não têm horário para passar”, afirmou. 

Opinião parecida tem o comerciante Anderson Luiz, de 37 anos. “A agilidade que ganhamos é insignificante. É difícil  desembarcar na EPTG porque as paradas ficam do lado oposto”, diz.

Passageiros de coletivos têm prioridade

Apesar das reclamações de alguns, muitos condutores consideram que o conforto dos passageiros de ônibus deve ser uma prioridade e neste ponto a faixa exclusiva cumpre o seu papel.

“Para o passageiro de ônibus é válido. Usei transporte público por muitos anos e sei que quanto mais rápida a viagem em um coletivo lotado, melhor”, afirmou Gustavo Lucas, estudante, de 21 anos.

Trajeto mais rápido

Para a atendente Diana Silva Lima, de 32 anos, as faixas exclusivas vieram para ajudar o trânsito do DF. Segundo ela, sua rotina ficou melhor desde a criação das faixas. “Achei que elas ajudaram muito, especialmente na EPNB, por onde passo todos os dias”, explicou.

De acordo com ela, o percurso de sua casa até o trabalho ficou menor. “O trajeto entre a minha casa, que fica em  Águas Claras, e a Asa Norte, onde eu trabalho, era feito em uma hora. Agora, levo a metade do tempo”, afirmou.

A representante comercial Adilce Sokolowski, de 41 anos, concorda. “Durante a semana é bom para os usuários de ônibus. Eles não dispõe do mesmo conforto “, ressaltou.

Fiscalização pode ser a solução

Em meio a opiniões divergentes, em um aspecto a maioria dos cidadãos têm ponto de vista parecido: a necessidade de fiscalização. Para boa parte dos usuários ela deve ser mais rígida para impedir que as faixas exclusivas sejam utilizadas para outros fins e por veículos que não são autorizados. 

É o que afirma o estudante Gustavo Lucas. “Os motoristas precisam respeitar as leis. E, se isso não acontece, precisam ser penalizados. É a única forma de haver uma mudança”, disse.

De acordo com o estudante, a cena de tráfego irregular pelas faixas exclusivas é bastante comum. “Hoje o que a gente mais vê é carro de passeio trafegando pelas faixas exclusivas”, destacou.

Falsa caracterização

A audácia dos infratores vai longe. Para burlar o sistema, alguns motoristas se passam por agentes da lei. É o que afirma a dentista Jandira Ribeiro, 55 anos. “Outra coisa que se vê muito são os carros descaracterizados, apenas com uma sirene, que pode ser facilmente comprada em feiras, em cima do capô ou do teto”, relatou.

Segundo a dentista, a tática “é usada para fugir dos engarrafamentos pelos corredores exclusivos para ônibus e táxis”.

As infrações estão presentes no artigo 184 do Código Brasileiro de Trânsito (CBT), que observa “transitar na faixa ou pista da direita ou esquerda, regulamentada como de circulação exclusiva para determinado tipo de veículo, resulta em infração leve e multa”.

Parar nestes locais também é uma inobservância presente no artigo 185 “deixar de conservar veículo em movimento, na faixa a ele destinada pela sinalização de regulamentação, exceto em situações de emergência, acarreta infração média e multa”. 

Pista exclusivas

O DF conta com 54,9 km de pistas exclusivas. Em 2011, a Estrada Parque Núcleo Bandeirante (EPNB) foi a primeira a receber a novidade, seguida pela Estrada Parque Taguatinga Guará (EPTG).

Carros oficiais têm preferência

De acordo com o artigo 29 do Código Brasileiro de Trânsito (CBT), os veículos destinados a socorro de incêndio e salvamento, de polícia, fiscalização, operação de trânsito e as ambulâncias, além de prioridade de trânsito, gozam de livre circulação, estacionamento e parada, quando em serviço de urgência e devidamente identificados por dispositivos regulamentares de alarme sonoro e iluminação vermelha intermitente”.

Em relação aos veículos descaracterizados, normalmente pertencentes a Polícia Civil ou Federal, e utilizados em investigações, a assessoria de comunicação do Detran explicou que “mesmo descaracterizados são oficiais e desde que estejam identificados com dispositivos regulamentares de alarme sonoro e iluminação  intermitente, podem utilizar a faixa exclusiva para ônibus e taxis”

Vale frisar, no entanto, que autorização especial para carros oficiais só é concedida em caso de atendimento de ocorrências. Normalmente, só estão autorizados a circular pelas faixas exclusivas: ônibus, micro-ônibus, táxi, ônibus fretado, veículo de transporte escolar e ônibus interestadual autorizado pelo Transporte Urbano do Distrito Federal (DFTrans). 

Segundo o DFTrans, a regra vale para todos os dias úteis, em qualquer horário. 

Trechos com radares para coibir infrações

De acordo com o Detran, já existem vias equipadas com radares que possuem sensores capazes de identificar, pela placa, se determinado veículo possui ou não autorização para trafegar pelos corredores exclusivos, como é o caso das  W3 Sul e Norte.
O Departamento de Estradas e Rodagens (DER), responsável apenas pelas estradas e rodovias que cortam ou margeiam o Distrito Federal, confirmou a funcionalidade dos equipamentos. “Estradas como a EPTG também já possuem radares com essa opção”, informou o órgão.
Multas
De acordo com o Detran, as multas podem variar entre R$ 53,20 e R$ 127,69, de acordo com a gravidade. Só no ano passado, o órgão arrecadou mais de R$ 117 milhões com multas. Até março deste ano, foram registrados mais R$ 24 milhões. Entre as infrações mais comuns estão: excesso de velocidade, transitar na faixa exclusiva para ônibus, avançar o sinal vermelho e estacionar em local proibido.
 
Saiba Mais
A implantação do sistema de faixas exclusivas no DF não é uma novidade no resto do País.
 Em Curitiba, as primeiras faixas foram inauguradas há 37 anos. 
As cidades do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais também contam com faixas exclusivas. 
 
Ponto de Vista
Fábio de Cristo, especialista em trânsito e autor do livro Psicologia e trânsito: Reflexões para pais, educadores e (futuros) condutores, acredita que retirar as faixas exclusivas, por si só, não resolveria os problemas de mobilidade urbana. “Não existe solução única, é necessário atuar em várias frentes. O desafio das autoridades de trânsito, consiste em equilibrar intervenções no uso do automóvel e do transporte coletivo, assim como na melhoria da infraestrutura viária e de fiscalização. Planejar é fundamental”, conclui.

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