No ano-novo, nada mais tradicional do que a tão esperada queima de fogos de artifício. Porém, é necessário tomar precauções ao comprar os produtos e manusear os artefatos com segurança. De acordo com o Corpo de Bombeiros, os fogos de artifício são as principais causas de queimaduras, lacerações, amputações e incêndios nessa época. Outro cuidado é com os animais de estimação, que sofrem por terem a audição mais sensível.
O major Luis Cláudio, do Corpo de Bombeiros, alerta que cuidados na preparação são fundamentais. “Em primeiro lugar, é importante comprar em uma loja licenciada, para se certificar da qualidade e da procedência do artefato. O usuário deve ler atentamente as instruções da caixa e respeitar a distância mínima para a explosão, de 30 metros”, orienta.
Especialista em fogos de artifício, Roberto Batata conta que, para curtir o ano-novo de forma segura, é necessário verificar aspectos como a qualidade e a data de validade do produto. “O Réveillon é a época em que mais se vende fogos de artifício e também quando ocorrem muitos acidentes. Todo artefato oferece risco. As crianças devem estar afastadas quando houver a queima”, alerta.
Para um dos tipos de foguetes mais comuns, conhecidos como 12 x 1, ele recomenda o uso de uma base de segurança. “O foguete não deve ficar na mão. A pessoa tem que utilizar a base que vem na caixa. Se falhar, o foguete não deve ser reutilizado e deve ficar imerso em um balde com água por três a quatro horas para perder o poder de explosão. É importante ter uma mangueira ou um extintor por perto, em último caso”, orienta.
Não se aventure
Segundo Batata, os foguetes mais vendidos são os kits prontos de fogos coloridos e as rajadas de tiro. Ele aconselha ainda que quem nunca manuseou o produto deve procurar um técnico. “Para quem não tem experiência, a maneira mais segura de aproveitar a virada do ano é assistir a uma queima pública, conduzida por profissionais treinados”, conclui.
A autônoma Ivany Pimenta, 50 anos, admira os fogos de artifício, mas se sente insegura com a prática. “Acho lindo, mas tenho medo de soltar. Tenho amigos que perderam até os dedos da mão em um acidente”, lembra.
Animais sofrem com o barulho
O barulho dos fogos e rojões causa estresse e pânico nos animais. Guadalupe, a cadela da comerciante Gladys Vasconcelos, 48 anos, tem muito medo. “Ela fica latindo o tempo todo, bem nervosa e com o coraçãozinho acelerado. Chega a dar dó”, ressalta a dona.
O mesmo ocorre com Ziggy, o maltês da funcionária pública Patrícia Rodrigues, 38 anos: “Ele fica muito estressado. Eu o tranco no quarto e ligo o ventilador ou a TV para disfarçar o som pois, se ele estiver solto, fica desesperado”.
O veterinário Hartur Nunes explica que é comum o animal entrar em pânico e correr sem destino. Outros atiram-se de janelas, atravessam portas de vidro, batem a cabeça contra as paredes e ainda se enforcam na própria coleira.
“O aparelho auditivo deles é muito sensível. Eles não sabem do que se trata e se assustam, entrando em um quadro de hiperatividade e ansiedade. Atendemos muitos casos de animais que fogem e são atropelados”, conta.
Como proceder
De acordo com Nunes, para proteger o animal, é imprescindível deixá-lo fechado em um ambiente tranquilo. Também vale aumentar o som da TV, colocar música, brincar e conversar com o animal. Algumas dicas de contenção, envolvendo a amarradura do pet pelo dorso com um pano, tem circulado pela internet. Mas o especialista garante que essa técnica só deve ser utilizada em último caso para relaxar o animal, assim como uso de remédios homeopáticos.
“O ideal é habituar o pet com o barulho, ensinar que não oferece risco e que não precisa ter medo. Em casa, o dono pode colocar no computador barulhos de fogos de artifício em som baixo e brincar, dar um petisco. Depois, aumenta para ele associar a um barulho normal. É um trabalho gradativo, mas que oferece bons resultados”, afirma.