Menu
Brasília

Use a água potável com moderação

Arquivo Geral

01/09/2014 8h00

A falta de água já foi explorada em ficções científicas, mas a escassez de recursos hídricos para consumo ainda não parece palpável para grande parte da população do Brasil, que possui, em seu território, 12% das reservas de água doce do planeta. Ainda assim, a crise enfrentada pelo estado mais populoso do País pode ter ligado o sinal de alerta dos brasileiros.

A organização internacional Global Footprint Network (GFN) alerta: em oito meses a humanidade conseguiu gastar todos os recursos naturais disponíveis na Terra para todo o ano. Isso significa que, mais do que nunca, é preciso ter consciência econômica, já que tudo o que for consumido até o último dia do ano não terá reposição natural. 

A média de consumo diário por habitante são 184 litros na capital do país, mas algumas cidades superam esse patamar. Brasília, Sudoeste e Cruzeiro têm média de 390 litros por habitante; Lago Sul e Jardim Botânico, 384 litros; e Lago Norte vem em seguida, com 280 litros por morador.  

Mesmo assim, a Companhia de Saneamento Ambiental (Caesb) garante que os brasilienses estão com o fornecimento de água garantido até 2040. 

Sistema inteligente

O aposentado José Gonçalves, de 74 anos, preocupado em preservar o recurso hídrico, planejou um sistema inteligente de captação e reaproveitamento de água para sua casa, em Sobradinho. Ele e sua família só usam água potável para consumo. As outras atividades são realizadas com água captada da chuva ou do enxágue da máquina de lavar. “Faz pena ver a quantidade de água que pode ser reaproveitada e é descartada todos os dias”, lamenta. 

José lembra que, antes do sistema, gastava, em média, 43 metros cúbicos de água. Agora, esse número baixou para 22. “Em época de chuvas intensas isso pode baixar ainda mais, para 14 ou 11”, garante. “Nós temos relativamente pouca água potável disponível no planeta e não estamos cuidando bem. É desperdício, poluição… se cada um fizesse um pouco, a situação melhoraria”, acredita. 

Ele esclarece que a água da chuva não é própria para consumo. Deve ser usada, por exemplo, para irrigar plantas, descartar no vaso sanitário e lavar pisos, carros e máquinas.

Cobrança de investimentos

O aposentado José Gonçalves faz sua parte, mas cobra investimentos do governo na divulgação e educação para a reciclagem de água: “Não tem incentivo e isso é um problema”. Segundo Antônio Luís Harada, assessor da diretoria de Engenharia e Meio Ambiente da Caesb, economizar o recurso hídrico ajuda a reduzir os custos da empresa. “Queremos manter a estrutura dentro de um controle de valores razoável e, para isso, temos de manter o consumo baixo”, explica.

A companhia, portanto, estimula o uso racional, mas não trabalha com o incentivo à reutilização do líquido, como reclama José. “O objetivo da Caesb é garantir qualidade na distribuição de água e segurança para o consumo. Para a pessoa reutilizar a água, deve estar muito preparada para fazê-lo de forma segura. Não temos ainda a necessidade de incentivar esse tipo de prática”, afirma o assessor. 

Mas o sistema, de acordo com o aposentado, funciona de maneira simples. “O que falta é uma gestão de alguém que tenha mais interesse e preocupação com o meio ambiente”, critica. Ele acredita que é necessária uma campanha de incentivo para a comunidade otimizar o consumo de água. 

“Só vamos conseguir mudar a mentalidade da sociedade com os mais novos. É preciso investir na educação. Acredito que, assim como eu, tem pessoas preocupadas com o meio ambiente e eminente falta de água”, destaca José.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado