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Brasília

UNB: Não haverá mais aulas no corredor da morte

Arquivo Geral

27/05/2010 9h39

A imagem não é nada nova. Estudantes fumam, bebem e fazem festas no campus desde sempre. A diferença é que, agora a farra se concentrava num corredor com 100 metros de comprimento e 1 de largura partilhado entre cinco salas de aulas e seis centros acadêmicos. É o chamado corredor da morte. A convivência nada harmônica incomodou professores, criou forums de debates na comunidade da UnB no Orkut e motivou a administração a uma decisão inédita em 49 anos de Universidade de Brasília.

A reitoria admite o problema, reconhece o uso de drogas e bebidas no campus e promete que não usará do expediente comum até aqui: fazer vista grossa para o tema e apenas separar centros acadêmicos do espaço de ensino, sob o pretexto de que a única alternativa seria chamar a polícia.  Pois bem. Os tempos mudaram.

Não haverá mais aulas no corredor da morte. As disciplinas foram transferidas para o Pavilhão Anísio Teixeira e, em duas semanas, começará uma grande campanha educativa sobre as responsabilidades de cada um dentro do campus. A idéia já circulava há oito meses na administração, mas saiu do papel na última segunda-feira, quando o professor Bergman Morais Ribeiro escreveu uma carta para Adunb.

 

Segundo o biólogo, a música alta de duas caixas de som e a voz de alunos embriagados impediram o início de sua aula na noite de quinta-feira,  20 de maio. O barulho vinha dos CAs. Não era só o som que incomodava. Os cheiros de maconha e de cigarro também. “Ali é mal ventilado e ainda fica entrando fumaça”.reclama secretária de pós-graduação em Agronegócios, Sueli Oliveira.

 

As reclamações, no entanto, não ficam só na boca dos funcionários. Os estudantes também consideram o local insalubre e afirmam que estão ali apenas porque não têm outro espaço. O coordenador-geral do Diretório Central dos Estudantes (DCE), Raul Cardoso, destaca que os CAs estão no corredor provisoriamente. “Com a greve, não tivemos avanços sobre essa situação, que precisa de tempo para ser resolvida”.

 

POLÊMICA – A saída das aulas do corredor é uma solução provisória para a falta de espaço que a UnB enfrenta desde o início do processo de expansão da universidade. No entanto, continua a polêmica sobre o comportanto de estudantes, professores e servidores no ambiente acadêmico. A resolução nº 2/2003, do Conselho de Administração da UnB, permite festas nos CAs, mas determina que a responsabilidade de autorizar confraternizações cabe aos diretores das unidades acadêmicas e aos decanos.

 

Raul Cardoso se preocupa com a criminalização das festas estudantis. “Precisamos de uma política que trate o uso de drogas no campus, não só de maconha. Do jeito que está fica uma briga de ‘anjos’ contra ‘diabos’ e não é bem assim”, diz. O vice-diretor do IB, Jader Soares, destaca que há normas internas da universidade que proíbem o consumo de drogas e álcool. “Além de leis federais, que devem ser respeitadas”, diz.

 

O assessor de Juventude da reitoria, Rafael Barbosa Morais, defende o direito dos estudantes de se organizar, mas critica o uso de fumo nos CAs. “Não se pode achar que a universidade é um espaço para se fazer o que quiser”. Já Rafael Bispo, coordenador de eventos do CA de Engenharia da Computação, defende as festas como um momento de integração, apesar de reconhecer que há o consumo de drogas e bebidas por alguns. “É onde todos se encontram. A universidade não faz sentido sem essa troca”, afirma.

 

ORIENTAÇÃO – Sobre o uso de drogas no campus, há um consenso de que não se trata de levar o caso para a polícia. Mas, sim, de orientar os alunos. Para isso, a reitoria prepara campanha informativa e cultural. O reitor quer que todos se envolvam no debate e está convocando psicólogos, pedagogos, massistentes sociais e outros especialistas para dar enfoque educador à discussão. “A universidade não concorda com esse tipo de consumo.  Sabemos que os alunos têm trazido drogas e álcool. Esse é um problema social e é nosso papel quebrar o ciclo enquanto esses jovens estão aqui”, afirma a decana de Assuntos Comunitários, Rachel Nunes.

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