Uma pesquisa realizada em 2009 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que Brasília é a capital brasileira onde mais ocorrem casos de bullying nas escolas. Em entrevista direta com funcionários do IBGE, 35,6% dos estudantes admitiram sofrer esse tipo de violência.
A pesquisa mostra ainda que, no Brasil, a prática é mais comum em escolas particulares, com 35,9% dos casos, do que em escolas públicas, que reúnem 29,5% das ocorrências.
Para a subsecretária de Educação Integral, Cidadania e Direitos Humanos, Ivanna Sant’Ana Torres, a melhor maneira de combater a prática de bullying nas escolas é incentivar o diálogo entre os membros afetados. “Eu li uma reportagem que mostra que o mundo está menos violento, devido aos inúmeros meios que dispomos para mediar conflitos e ao fato de os países cada vez mais aderirem à democracia. No ambiente escolar não pode ser diferente. Precisamos criar mais espaços de diálogos do que espaços de denúncia. Se somente denunciarmos e repreendermos os agressores, seja com castigos, seja mudando o aluno de escola, estaremos apenas transferindo o problema. Dialogar e conscientizar é o melhor a se fazer”, diz a subsecretária.
Combate
Para combater o bullying dentro das salas de aula, a subsecretária conta que já existem 306 Conselhos Escolares de Segurança no DF. São instâncias localizadas dentro das instituições de ensino cuja principal função é mediar conflitos.
A questão preocupa os pais e responsáveis por crianças e adolescentes que sofrem esse tipo de violência diariamente. “Meu filho é vítima de bullying. Os colegas fazem piadas de mal gosto, colam papéis com mensagens ofensivas em suas costas e danificam seu material escolar. Eu já procurei a coordenação da escola para conversar, mas nenhuma providência foi tomada. Se a instituição não toma nenhuma providência, a coisa sai do limite”, desabafa a artista plástica Márcia (nome fictício), cujo filho, de 11 anos, cursa a 6º série no colégio Cema. “As pessoas que fazem isso estudam comigo desde que eu era pequeno. Na 4º série eles eram legais. Não entendo porque mudaram tanto”, reclama o menino, que preferiu não se identificar.
A equipe de reportagem procurou a coordenação para falar sobre o assunto, mas até o fechamento desta matéria não houve um pronunciamento oficial.
Uma matéria publicada ontem no Jornal de Brasília mostra que pesquisa da Universidade Federal de São Carlos aponta que 50% dos estudantes brasileiros são vítimas de bullying nas escolas. “É um problema que precisa ser tratado de forma intersetorial, estabelecendo parcerias entre várias secretarias”, sugere Ivanna Torres.