De todos os acidentes registrados pelo Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF), 32% envolvem motocicletas. No ano passado, 127 deles foram fatais, e em 2008, 133. No intuito de diminuir os números, o órgão realiza operações em todas as regiões da cidade que resultam em apreensões de motocicletas com problemas na documentação. Na manhã de ontem, em duas horas de operação em Santa Maria, o Detran notificou 39 motos e 22 delas foram apreendidas.
De acordo com Francisco Saraiva, gerente do Núcleo de Policiamento e Fiscalização de Trânsito do Detran-DF, a operação realizada na manhã de ontem contou com oito equipes de agentes e dois veículos guincho. “Demos mais ênfase em Santa Maria porque atualmente é um local onde ocorrem muitas ocorrências”, diz.
Ele ainda explica que a fiscalização acontece em outros locais críticos do Distrito Federal, como a Ceilândia, São Sebastião, Planaltina, entre outros. “Hoje, em Santa Maria, notificamos todas as 39 motocicletas, e dessas, 22 foram apreendidas por falta de pagamento de impostos e documentos atrasados”, destaca. As outras 17 foram notificadas por estarem com farol quebrado ou sem documento, o que foi resolvido no local.
Um dado que chama atenção, ressaltado por Saraiva, é que de cada dez motocicletas paradas, cinco estão sem a habilitação necessária para trafegar no veículo, que é a da categoria A. “Outras estão em péssimo estado de conservação, como pneu careca ou placa enferrujada dificultando para que possamos vê-la”.
Cinco situações podem resultar na perda de quatro a sete pontos na carteira e infração de média a gravíssima, além de multa de R$ 55 a 574. São eles: trafegar com motocicleta de farol apagado, inclusive durante o dia; não usar capacete; retrovisor quebrado; ultrapassagens pelos corredores de carros e, por fim, usar o pneu desgastado, facilitando a ocorrência de acidentes.
No ano passado, no período de janeiro a março, o Detran registrou 39 acidentes sem morte, enquanto que este ano, foram registradas 37 ocorrências. Para esse ano, o Detran acredita que já foi registrada redução nos números. “O número caiu 5,1% depois das nossas fiscalizações maiores feitas pelo Detran”, destaca Saraiva.
sem o veículo
Evandro Vinícius, vigilante, e Ronaldo da Silva, pedreiro, tiveram problema parecido: O Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) vencido. Ambos ainda não pagaram, o que resultou na apreensão da moto. Mas Ronaldo defende que confiou em um amigo para realizar o pagamento, que não o fez. “Não teve jeito. Mas agora vou quitar todos os débitos para retirar a moto”, explica.
O Dentran continua com a fiscalização nas ruas, mas não avisa quais os próximos locais. “Quando chegamos em um local, as pessoas são pegas de surpresa. É bom porque outro condutor de outra região fica com medo e se prepara para não ter a moto apreendida. As operações vão continuar onde tiver mais ocorrências de acidente e nas outras regiões”, completa Saraiva.