Manuela Rolim
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A cada hora, uma média de 503 mulheres é vítima de agressões físicas no Brasil, segundo pesquisa do Datafolha. Um em cada seis entrevistados presenciou uma mulher sendo agredida física ou verbalmente em 2016. Os dados nacionais refletem a realidade da violência doméstica no DF: somente no último domingo, quatro homens foram presos em flagrante depois de atacar suas companheiras. A média diária de 38 casos registrados na capital se mantém, mas, na prática, o número é maior. De acordo com a Polícia Militar, na maioria das vezes, as vítimas desistem da ocorrência e as estatísticas ficam defasadas.
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De acordo com o porta-voz da PM, major Michello Bueno, a quantidade de pedidos de socorro impressiona. “Aos fins de semana, são dezenas, quase sempre envolvendo a ingestão de bebida alcoólica por parte do autor. Somente as ocorrências de perturbação da ordem pública são tão frequentes”, informa. Entretanto, as investigações não evoluem. “Quando chegamos ao local e nos deparamos com a vítima apresentando sinais de violência, ela é encaminhada à delegacia independentemente da sua vontade. Caso contrário, pode se negar a dar queixa contra o companheiro e alegar não ter havido ataque”, esclarece Michello.
Normalmente, é o que acontece. Segundo o major, as mulheres desistem por medo. “Elas criam coragem para chamar a polícia quando chegam no limite ou em uma situação de risco de morte, mas se arrependem no meio do caminho. A dependência emocional ou financeira supera a dor”, afirma. Michello acrescenta ainda que, no geral, os chamados partem de vizinhos.
Portanto, as quatro prisões em flagrante do último domingo expressam apenas uma parte do cenário de violência doméstica no DF. Para completar, todos os suspeitos já possuem passagem pela polícia pelo mesmo crime. Na Quadra 13 do Park Way, um homem foi detido depois de atacar a companheira por volta das 8h30. À tarde, na QNL 22 de Taguatinga, outro agressor foi preso depois de tentar matar a esposa a facadas.
Ainda em Taguatinga, as outras duas ocorrências incluíram agressão aos filhos. Na QNE 4, um homem de 31 anos bateu na mulher e em uma criança de nove anos. Outro suspeito de 32 anos espancou a esposa e a filha de nove anos.
Incidência maior no fim de semana
Segundo a Secretaria de Segurança, as cinco regiões que mais contabilizaram ocorrências entre janeiro e março deste ano foram Ceilândia (527) , Planaltina (293), Samambaia (275), Taguatinga (250) e Gama (205). No entanto, a pasta ressalta que os dados correspondem aos registros policiais e não ao número de vítimas. Portanto, pode haver mais de uma mulher agredida no mesmo caso.
Entre os dias da semana com maior incidência no primeiro trimestre de 2017 estão sábado e domingo, com 37% de participação do total. Ao todo, 40% dos crimes foram registrados no período da noite, entre às 18h e 23h59. A secretaria reafirma, porém, que a violência doméstica é uma das ocorrências mais subnotificadas.
Ainda assim, a pasta informa que, em janeiro e março de 2017, foram registrados 3.420 casos, número que é 2,8% menor se comparado com o mesmo período do ano passado, quando foram contabilizadas 3.520 ocorrências.
De acordo com a pesquisa nacional do Datafolha, apenas 11% das mais de 24 milhões de mulheres que sofreram violência em 2016 buscaram ajuda do sistema de justiça. Além disso, o levantamento mostrou que, para 73% da população, a violência contra as mulheres aumentou nos últimos 10 anos. Mais da metade (51%) presenciou mulheres sendo abordadas na rua de forma desrespeitosa e 66% presenciaram uma mulher sendo agredida física ou verbalmente em 2016. O estudo “Visível e Invisível: a Vitimização de Mulheres no Brasil” foi realizado a pedido do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e com o apoio do Instituto Avon.