“Seja muito bem-vindo à nossa residência. Estávamos esperando você!”. Foi com esse recado, deixado na mesa de cabeceira ao lado da cama, que dona Clarice recebeu seu primeiro hóspede. “Temos de ser cordiais, delicados e ter boa apresentação. O toque especial é a simplicidade. É preciso dar atenção aos detalhes”, ensina.
Servidora pública aposentada, Clarice Bucar, 68 anos, foi a primeira brasiliense a receber um hóspede oficialmente pelo programa Cama e Café, em março. O visitante foi um jovem advogado de São Paulo que veio a Brasília fazer um curso. Ele ficou apenas dois dias na casa de dona Clarice, na Asa Sul, mas, para ela, valeu a experiência. “Gosto de receber pessoas e ele foi um ótimo rapaz”, comemora.
Lançado pela Secretaria de Estado de Turismo do DF e coordenado pela ADVB-DF, o Cama e Café foi criado com o objetivo de atender à crescente demanda do setor de hospedagem. Com diárias a partir de R$ 100, a estadia inclui serviços de limpeza e café da manhã. Cada morador pode disponibilizar, no máximo, três quartos com até três camas cada um.
A grande expectativa é para a Copa do Mundo da FIFA™, que já está movimentando os turistas que virão para os sete jogos no Estádio Mané Garrincha. Até agora, o programa de hospedagem alternativa Cama e Café recebeu 498 pedidos de reserva para o período do evento. Desse total, 43% foram feitos por estrangeiros. Os dados são da ADVB-DF.
Estrangeiros
A maior demanda de outros países vem da Colômbia, seguida por Peru e Estados Unidos. Além do conforto de se hospedar em casas de família, os visitantes buscam preço acessível pelo serviço de quarto e café da manhã e a possibilidade de conhecer a cultura local.
Após inaugurar o programa, dona Clarice se prepara para receber um casal de colombianos no dia 18 de junho, véspera do jogo entre a seleção sul-americana e a de Costa do Marfim no Mané, pela fase de grupos do torneio. Os dois ficarão na cidade por três dias. “O mais interessante é poder conhecer pessoas novas e conviver com outras culturas. Tudo isso é novo para mim”, afirma Clarice, que pretende disponibilizar dois dos sete quartos da casa para o Mundial.
Alternativa permanente
O programa já conta com mais de 133 residências aptas a receber hóspedes. Outras, já inscritas, aguardam aprovação da ADVB-DF, responsável por avaliar os imóveis. Os interessados podem se cadastrar no site www.camaecafebrasilia.com.br. “O processo seletivo continua em aberto e ainda estamos visitando casas em todo o DF”, destaca o coordenador do programa e presidente do conselho da ADVB-DF, Newton Garcia.
Mas o programa continua após os jogos. Segundo o secretário de Turismo, Luis Otávio Neves, a previsão é que a demanda de turistas continue aumentando. “Esse é um projeto perene porque teremos grandes eventos em Brasília ao longo de 2014 e nos próximos anos. Estamos fazendo um trabalho junto a todo o setor turístico para que o projeto se consolide”, enfatizou.
Recepção calorosa
Para garantir a satisfação dos hóspedes e o sucesso dos moradores cadastrados, uma capacitação é oferecida aos participantes por meio de uma parceria com o Sebrae-DF. A terceira turma concluiu o treinamento no início do mês. Com isso, já são cerca de 140 anfitriões capacitados, que incluem donos de residências aprovadas e outras em fase de conclusão do processo.
Gratuito, o curso tem carga horária de 15 horas e aulas sobre excelência no atendimento e empreendedorismo. “Ensinamos o morador a encantar o hóspede e incentivamos o microempreendedorismo, pois esse programa é uma grande oportunidade de negócio”, explica a consultora do Sebrae-DF, Lúcia Romão. A Secretaria de Turismo também participa da qualificação, com informações sobre a história e os potenciais turísticos de Brasília.
Contagem regressiva
Cheios de expectativas e planos para a chegada dos turistas da Copa do Mundo da FIFA™, os participantes do Cama e Café querem deixar muito mais do que uma boa impressão de Brasília. “Se o que queremos é mostrar a cidade de uma forma diferente, vamos conseguir”, diz a otimista Clarice Bucar.
Para a profissional de educação física Moema de Cerqueira, 70 anos, o conforto para o visitante é o maior benefício da iniciativa. “Se estivesse em viagem, acharia muito melhor ficar hospedada em uma residência, onde eu posso ser acolhida com afeto e calor humano”, comenta. “Estou ansiosa para a Copa, e de braços abertos para receber quem chegar”, revela a moradora do Núcleo Rural Casa Grande, no Gama.
A psicóloga Sônia Simões dos Reis, 60 anos, concorda com a nova amiga, que conheceu durante o curso de capacitação do programa. “Além de ser mais em conta, é menos formal”, diz. Moradora do Lago Norte, ela também comemora a possibilidade de complementar o orçamento. “Vou poder ter uma renda a mais, sem explorar os turistas com preços exorbitantes”, ressalta.