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Brasília

Turismo: e se a vontade apertar, cadê o banheiro?

Arquivo Geral

14/06/2014 7h20

Jéssica Antunes e Eric Zambon

redacao@jornaldebrasilia.com.br 

Os 600 mil turistas que passarão por Brasília durante a Copa do Mundo poderão passar aperto enquanto visitarem os pontos turísticos do Eixo Monumental e Esplanada dos Ministérios. Não existem   nem estão previstas as instalações de banheiros públicos na região. A opção é utilizar os sanitários dos prédios e monumentos, mas, ainda assim, não há sinalização e o acesso pode ser limitado. 

A turista Ana de Almeida, 39 anos, veio de Portugal para acompanhar sua seleção. Em um passeio ao centro de Brasília, teve de andar da Praça das Bandeiras até a Catedral Metropolitana – o único local com acesso livre desde o ponto de partida. “Aqui eu vi a sinalização de banheiro e entrei, mas não encontrei outro   até aqui”, disse. 

Mas na Catedral há um porém: se o turista passar por ali em horário de missa, não poderá entrar somente para usar o sanitário. 

O Centro de Atendimento ao Turista (CAT)  em frente à igreja diz nunca ter sido procurado para informações desse tipo, mas um atendente admite haver poucos locais com essa destinação. 

Sinalização 

Reinaugurado na última quarta-feira, o Espaço Lucio Costa agora conta com elevadores e banheiros adaptados inclusive para pessoas com deficiência. Entretanto, os seguranças não sabiam se visitantes poderiam usar o ambiente, mas o acesso é livre de terça a domingo, das 9h às 18h.

A mexicana Nancy Monterrubio, 30, sentiu falta de sinalização. “Tem que perguntar para alguém, porque não está nada evidente. Eu estava na Torre de TV e imaginei que teria em algum lugar por lá”, disse, quando já estava na Praça dos Três Poderes. 

Informação de boca a boca
 
Nem mesmo no recém-reinaugurado complexo da Torre de TV há sinalização e até os brasilienses se perdem ao procurar os sanitários. “Depois da reforma da feira fiquei perdida, porque não tem nenhuma placa. Tive que rodar a feira e perguntar para um comerciante”, contou Nádia de Souza, 25 anos. 
Com uma banca em frente aos banheiros, Késia dos Santos Moreno, 21 anos, confirma que as pessoas costumam   abordá-la para descobrir o local. “Quando eu aponto, até se sentem envergonhados, mas eles não têm culpa, já que não há indicação”, diz. 
 
Mezanino
 
Outra opção de quem passa por ali são os banheiros localizados no mezanino da Torre. Funcionários do local dizem receber muitas pessoas à procura de um banheiro. “Eles já chegam procurando”, contou um ascensorista. 
 
Quando existem eventos oficiais ou privados, os responsáveis requisitam a instalação de banheiros químicos. A Administração de Brasília, porém, diz não possuir unidades para atender a esses pedidos, mas é responsável pela intermediação da ação. Entretanto, não houve   solicitação de instalação  para o período da Copa do Mundo. Procurada, a Secretaria Extraordinária para a Copa   não respondeu  ao JBr. até o fechamento desta edição. 
 
Acessibilidade  tem suas falhas
 
Pessoas com deficiência têm ainda mais dificuldades na Esplanada. Além dos problemas em encontrar um banheiro adequado, têm de passar pelo meio da rua em alguns trechos do Eixo Monumental. Isso porque existem rampas para cadeirantes que ficam fora do rumo das faixas de pedestres. 
 
É possível encontrar esse problema no caminho que liga a Catedral   ao Complexo Cultural da República. Mesmo com semáforo, os cadeirantes precisam percorrer entre três e quatro metros  para chegar à rampa que fica próxima à faixa. Assim, eles dividem o espaço com os carros  parados   na frente do acesso.   
A respeito deste problema, a reportagem   tentou   contato com a   Novacap, mas não obteve resposta. 
 
Na Torre de TV, as quatro escadas rolantes funcionarão apenas aos fins de semana. Nos outros dias, apenas metade será ligada. Quem precisa de elevadores  terá que se virar com apenas um – falta um vidro para a inauguração do outro. 
 
Pontos a favor
 
Por outro lado, em   aspectos que vão além da falta de banheiros e da acessibilidade,  os turistas dizem que  Brasília marcou um gol.  “Mesmo sem Mundial, com certeza regressaria à cidade”, declarou Luciano Lizarraga, de 51 anos, que veio do México com três amigos para assistir aos jogos. Ele e os colegas, Hector Armando Flores, Victor Milán, ambos com 51 anos, e Eduardo Gomez, de 41, fizeram conexão na capital, na última quarta-feira,  e decidiram conhecer a capital.
 
“Eu já havia pesquisado sobre a arquitetura daqui e queria muito conhecer”, revelou Eduardo. Médicos em Tepic, município a aproximadamente 200 quilômetros da capital Cidade do México, os visitantes aproveitaram a vista do mirante da Torre de TV e ainda se enturmaram com estudantes do Paranoá, que praticaram “portunhol” com os turistas. 
 
Destino de brasileiros também
 
Não foram apenas estrangeiros que teceram elogios à cidade. Natural de Ibitinga (SP), a família Marrone de Aguiar optou por assistir a Suíça e Equador e desbravar a capital federal até a próxima segunda, quando retornam para o lar. “Todo ano fazemos viagens juntos e dessa vez o destino foi escolhido pelo sorteio dos ingressos para a Copa”, revelou Marco Antônio, funcionário público de 51 anos.
 
Organização
 
Seu filho Vinícius, estudante de 21 anos, criticou o trânsito local, mas elogiou a organização da cidade. “Tudo é dividido em setores e bem separado. Não é difícil se localizar”, disse. A   matriarca Ângela completou: “Minha prima, com quem estamos hospedados, gosta daqui e nos passou uma impressão inicial muito boa. Não temos do que reclamar.”
 
No aeroporto, eles garantem ter esperado por pouquíssimo tempo para recolher as malas e desembarcar. Como têm parentes morando aqui, tiveram à disposição carro para circular à vontade, sem necessidade de depender de guias turísticos ou táxis.
 
Povo brasileiro é uma atração à parte

Na Praça dos Três Poderes, quem se impressionou com a abundância de concreto e suntuosidade do panteão e das esculturas foram os equatorianos do grupo Poder Negro. A convite do governo local, os músicos vieram ao Brasil cantar para os jogadores   e se apresentar em eventos temáticos.
 
“Estamos adorando os monumentos e a amabilidade do povo conosco”, relatou o percussionista Fausto Mendez, de 38 anos. O grupo veio de Ibarra. “Gostamos também da alimentação daqui e das mulheres, que são muito, muito bonitas”, encantou-se.
 
Competição
 
O funcionário do governo equatoriano que acompanha o grupo, Alexandre Herrera, de 22 anos, reforçou os aspectos turísticos positivos de Brasília e ainda deu palpite sobre o desempenho do time nacional. “Não pensamos que o Equador pode sequer chegar às oitavas de final na Copa. Mas podemos vencer pelo menos um jogo. Esperamos ter uma boa estadia aqui”, revelou.
 
Ele garantiu que encontrou guias preparados e não passou por estresse em relação a transportes e locomoção. Hospedado no consulado equatoriano local, o grupo se apresentará em centros comerciais de Brasília ao longo da Copa do Mundo.
 
Saiba mais
 
Dos cerca de 600 mil estrangeiros estimados para visitar Brasília durante a Copa, pelo menos 200 mil são estrangeiros, sendo os países sul-americanos e México   os mais prováveis de aparecerem em peso, segundo a Secretaria de Turismo.
 

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