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Brasília

Trote da Agronomia repete brincadeiras reprovadas por sindicância

Arquivo Geral

18/11/2011 17h31

Um pouco mais leve que o trote de semestres anteriores e com metade do número de participantes, alunos veteranos de Agronomia repetiram, nesta quinta-feira 17, com um grupo de 20 calouros, antigas brincadeiras, como o “elefantinho” e cartazes com palavrões pendurados no pescoço.

 

Alguns alunos do 2º semestre desfilaram com linguiças no pescoço em forma de colar, remissão saudosa à uma das brincadeiras adotadas em janeiro deste ano e apontada como humilhante pela Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República. Na ocasião, calouras lamberam uma linguiça lambuzada com leite condensado costurada na braguilha de um boneco de pano enquanto veteranos davam risadas.

 

O diretor da Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária, Cícero Lopes, passou pela manhã em todas as salas com calouros e no Centro Acadêmico (CA) e conversou com alunos do 2º semestre, recomendando que evitassem aquele modelo de trote: “Esse tipo de prática prejudica a Faculdade, a UnB e a profissão de engenheiro agrônomo”, aconselhou.

 

O alerta de que o trote seria aplicado foi dado por Caio Batista e Lucas Costa, coordenadores do CA de Agronomia, à professora Simone Perecmanis, vice-diretora da unidade acadêmica. De acordo com ela, os dois estudantes revelaram preocupação com a repercussão do trote, já que ambos foram penalizados após sindicância que apurou o caso da linguiça e recomendou normas contra discriminação sexual. A sindicância foi instaurada após a Secretaria de Políticas para as Mulheres pedir esclarecimentos à UnB sobre o trote, ocorrido no dia 11 de janeiro.

 

“AMANHÃ TEM PAPAI” – Caio afirmou que tentou desmontar a brincadeira de mau gosto. “Falei por telefone com alguns alunos, postei no Facebook mensagem para que não fizessem o trote.” Na mensagem postada em sua página na mesma rede social, no entanto, às 23h desta quarta-feira, ele dá as boas vindas ao trote, que teve início 10 horas depois. Em uma foto na qual exibe o mesmo vestido com o qual se fantasiou em janeiro para “o trote da linguiça”, ele conclama: “O vestido ainda serve, Laru travecao!!! Amanha tem papai, boreeh (vamos embora) Agro!”.

 

O veterano Thiago Silva, defensor do trote sujo, garantiu que nenhum aluno é obrigado a participar. O calouro Adejaci Dias, ao contrário, acha a brincadeira sem graça e “meio pesada”. Para o estudante, o trote perdeu o significado como rito de passagem. Ele contou que, mesmo sem querer participar, passou o mês de agosto levando baldes de água sobre a cabeça, outra prática comum de veteranos contra calouros. “Todo dia saía molhado da UnB e não gostava”.

 

PISCINA – Após exposição com cartazes ofensivos, os calouros caminharam em fila indiana conhecida como “elefantinho” gritando o hino do curso. No “elefantinho”, quem está atrás segura, por debaixo das pernas, nas mãos de quem está na frente. Estavam com bocas roxas, por conta do uso de Violeta Genciana, corante antimicótico, e sujos de tintas, café, ovos, farinha e vinagre. Paulo Sousa, professor do Departamento de Física, foi espectador da festa. Ele conta que na sua época de calouro na Universidade Estadual de Campinhas (Unicamp), o trote consistia em desenhar o físico Albert Einstein na camiseta.

 

Em frente ao CA de Agronomia, veteranos jogaram água e detergente no chão. A sujeira serviu de escorregador para os calouros. Mais tarde, foram levados para o “curral”, no gramado atrás do Minhocão, e participaram de uma gincana em meio a uma piscina de lama.

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