O traumatismo craniano, como o próprio nome indica, é caracterizado por qualquer lesão na cabeça ou no cérebro, ocasionada, normalmente, por uma pancada. O que muitos não sabem é que o problema pode ocorrer sem impacto aparente e também pode causar sequelas graves ou até irreversíveis.
O neurocirurgião do Hospital Santa Luzia Mauro Takao Suzuki alerta que isso acontece porque a desaceleração do corpo já pode causar traumatismos. Segundo ele, em situações de queda ou acidentes de trânsito, por exemplo, em que o cinto de segurança bloqueia o movimento da vítima, é comum o registro de lesões cranianas, mesmo sem uma batida na cabeça.
Mauro ressalta ainda que, seja com uma pancada na caixa craniana ou não, é fundamental estar atento aos riscos dos dois tipos de trauma. As lesões são classificadas em focais, quando apenas uma área do cérebro é afetada, e difusas, quando todo o orgão é atingido.
“Os traumatismos focais apresentam sequelas de acordo com a parte do cérebro que foi danificada, como a perda da sensibilidade ou paralisias, por exemplo”, explica.
No caso das lesões difusas, o problema é ainda maior, pois elas estão relacionas ao adema cerebral (inchaço do cérebro). “Quando existe um trauma difuso, a cabeça começa a inchar (edema), o que leva o paciente a perder a consciência, que pode ser momentânea ou prolongada (estado de coma). A partir desse momento, a pressão do cérebro começa a aumentar, o que pode levar à morte dos neurônios. Nesses casos, a cirurgia tem a função de controlar a pressão interna”, completa o médico.
A servidora pública Fátima Mendonça, 55, conta que caiu da escada, bateu a cabeça e até desmaiou. “Meu marido é médico e prestou os primeiros socorros, mas como sofri um corte profundo no crânio, que não parava de sangrar, ele me levou ao hospital. O trauma foi confirmado, mas foi uma lesão leve. Mesmo assim, tive que dar seis pontos e fiquei com um hematoma”, conta.