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Brasília

Traumatismo craniano sem bater a cabeça

Arquivo Geral

04/10/2014 8h00

O traumatismo craniano, como o próprio nome indica, é caracterizado por qualquer lesão na cabeça ou no cérebro, ocasionada, normalmente, por uma pancada. O que muitos não sabem é que o problema pode ocorrer sem impacto aparente e também pode causar sequelas graves ou até irreversíveis. 

O neurocirurgião do Hospital Santa Luzia Mauro Takao Suzuki alerta que isso acontece porque  a desaceleração do corpo já pode causar traumatismos. Segundo ele, em situações de queda ou acidentes de trânsito, por exemplo, em que o  cinto de segurança bloqueia o movimento da vítima, é comum o registro de lesões cranianas, mesmo sem uma batida na cabeça.

Mauro ressalta ainda que, seja com uma pancada na caixa craniana ou não, é fundamental estar atento aos riscos dos dois tipos de trauma. As lesões são classificadas em focais, quando apenas uma área do cérebro é afetada, e difusas, quando todo o orgão é atingido. 

“Os traumatismos focais apresentam sequelas de acordo com a parte do cérebro que foi danificada, como a perda da sensibilidade ou paralisias, por exemplo”, explica.

No caso das lesões difusas, o problema é ainda maior, pois elas estão relacionas ao adema cerebral (inchaço do cérebro). “Quando existe um trauma difuso, a cabeça começa a inchar (edema), o que leva o paciente a perder a consciência, que pode ser momentânea ou prolongada (estado de coma). A partir desse momento, a pressão do cérebro começa a aumentar, o que pode levar à morte dos neurônios. Nesses casos, a cirurgia tem a função de controlar a pressão interna”, completa o médico.

A servidora pública Fátima Mendonça, 55, conta que caiu da escada, bateu a cabeça e até desmaiou. “Meu marido é médico e prestou os primeiros socorros, mas como sofri um corte profundo no crânio, que não parava de sangrar, ele me levou ao hospital. O trauma foi confirmado, mas foi uma lesão leve. Mesmo assim, tive que dar seis pontos e fiquei com um hematoma”, conta.  

Sinais são discretos
 
Em muitos casos, uma pessoa que sofreu um trauma no cérebro não apresenta sinais físicos aparentes, muito menos sintomas, o que dificulta todo o processo de recuperação da vítima, devido à demora para procurar um especialista. Por outro lado, em muitas outras situações, as vítimas costumam apresentar indícios que o corpo sofreu algum impacto.
 
Entre os sinais mais comuns, destaque para a perda da consciência, desorientação, dores de cabeça, náuseas, vômitos e até alterações de força e sensibilidade. “Os sintomas podem aparecer no momento do ocorrido ou em algumas horas após o trauma. A família e os amigos precisam ficar atentos a qualquer mínima alteração no comportamento da vítima”, aconselha o neurocirurgião Mauro Suzuki. 
 
Ele acrescenta ainda que o maior número de traumatismos cranianos é registrado entre os jovens. “Eles (jovens) estão mais expostos aos riscos. Os jovens precisam ter mais responsabilidade com a própria vida”, conclui.
 
Saiba mais
 
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que o número de mortes em 2020, em todo o mundo, por acidentes no trânsito chegue a 1,9 milhões. Além disso, aproximadamente, 50 milhões de pessoas sobreviverão aos acidentes com traumatismos e ferimentos a cada ano. Especialistas afirmam que o uso correto  do capacete poderia  evitar muitos traumas.

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