Aproximadamente 15 jovens que já foram usuários de drogas terão que interromper o tratamento de reabilitação por falta de investimento do governo. Com o término do convênio com a Secretaria de Saúde, a Clínica Transforme, no Lago Norte, terá de fechar as portas na próxima quarta-feira. A preocupação é que alguns garotos podem voltar às ruas e ao mundo das drogas.
A Organização Não Governamental responsável pelo abrigo aguarda um novo convênio com a Secretaria de Desenvolvimento Social e Transferência de Renda (Sedest), que está atrasado.
A casa Transforme conta com 30 leitos. A maioria é ocupada por meninos de rua ou de baixa renda. Além do alojamento, a clínica disponibiliza alimentação, tratamento psicológico e médico, além de oficinas de artes.
C.S.O. foi levado para a casa direto do Hospital de Base, onde foi parar na UTI devido ao uso de drogas. Ele está internado há menos de um mês, e a interrupção do tratamento pode ser fatal para o jovem de 18 anos.
“Eu usava drogas há uns dois anos. Comecei sozinho, depois fui fumar com meus amigos. Se aqui fechar, eu volto quando abrir de novo”, brinca o menino, fortemente medicado.
A realidade é menos descontraída. C.S.O. está ameaçado de morte onde mora, e o pai não quer aceitá-lo de volta em casa. “Os meninos que têm família e lugar para ir já foram mandados de volta para casa. Mas os que estão aqui comigo até hoje me preocupam. Não sei aonde irão se tivermos que fechar mesmo”, desabafa a presidente da ONG, Claudia Brito.
No ano passado ficou acertado que a renovação do convênio seria feita com a Secretaria da Criança, mas em janeiro o contrato foi para a Sedest, onde aguarda para seguir à Procuradoria-Geral do DF.
Conforme a Sedest, apesar do plano de trabalho da entidade ter sido apresentado em fevereiro, a última versão foi concluída em 19 de abril. A proposta tramitou pelas áreas responsáveis para verificação dos requisitos, e seguirá à Procuradoria para atendimento nesta segunda, assegura a pasta.