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Brasília

Transporte pirata oferece até plano de fidelidade

Arquivo Geral

27/04/2010 9h30

O transporte pirata no Distrito Federal conta com um novo atrativo para os passageiros: o cartão-fidelidade lotação. De acordo com o chefe de Fiscalização do DFTrans, Pedro Jorge Brasil, a nova invenção dos motoristas tem atraído ainda mais passageiros que estão insatisfeitos com o transporte público na capital federal, muitas vezes ineficiente. Mesmo com apreensões diárias o transporte ilegal não para.

Em 30 minutos no ponto da lotação do Banco Central, às 18h, no sentido Rodoviária do Plano Piloto para a Asa Sul, a reportagem do Jornal de Brasília flagrou mais de 15 carros fazendo o transporte pirata de passageiros para a Cidade Ocidental e Valparaíso. A movimentação ontem no local, no entanto, foi pequena segundo pessoas que estavam na parada de ônibus. O motivo foi a fiscalização realizada pelo DFTrans entre 16h30 e 17h30. Sabendo do perigo da fiscalização, muitas pessoas desistiam de pegar o transporte e iam embora de ônibus, com medo de perder a viagem. “Não pega lotação não, a fiscalização está ali na frente e está todo mundo tendo que descer”, avisava um vendedor de doces.

Sabendo da fiscalização, seis pessoas que esperavam pela lotação, começaram a procurar quem seria o “olheiro” dos fiscais. O fotógrafo do Jornal de Brasília foi confundido com um fiscal e o grupo ameaçou se juntar para agredir o mesmo ou, pelo menos, roubar-lhe a câmera. “Ele está fotografando a placa para avisar os outros lá na frente. É um absurdo isso. Eles têm que deixar a gente andar como quiser”, disse uma mulher. “Tínhamos que fazer algo para não deixar ele fotografar. Pagar um pivete pra tirar a máquina dele”, completou outra, que, contou ainda que  todos os dias ia embora de lotação para fugir dos ônibus “horríveis, velhos demais e lotados”.

O chefe da Fiscalização do DFTrans explica que o transporte pirata ali nos eixinhos é diferente do da Rodoviária. “O que a gente tem observado é que nesses locais as pessoas que dão carona são pessoas que querem inteirar a gasolina e não são exatamente profissionais. Fazem aquele trajeto e enchem o carro para completar o que falta. Muitos inclusive já têm os caroneiros fixos, fidelizados com cartão. Assim, quem for a semana toda ganha uma viagem, por exemplo”.

Na rodoviária do Plano, segundo ele local onde o transporte ilegal é o mais organizado da capital, as pessoas vivem do trajeto e têm inclusive, associações. “Eles têm rádio, celulares, locais pré-determinados e um caixa extra, para casos de carros apreendidos que precisam ser retirados do depósito”.

Só o DFTrans apreende cerca de 50 veículos por semana fazendo esse tipo de transporte. Ontem, próximo ao BC foram sete veículos. Durante a abordagem, todos os passageiros são obrigados a descer, identificar-se e depois são liberados. O motorista é autuado e tem o veículo apreendido e encaminhado para o depósito. Para retirar paga multa entre R$ 2 mil e
R$ 5 mil, conforme reincidência. Todos carregam apenas o número máximo de passageiros, “para dificultar a fiscalização”.

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