Uma suposta agressão física pôs fim à vida de uma menina que completaria três anos de idade hoje. Ana Luiza Victoria Cordeio Dias teria sido vítima de espancamento na última sexta-feira. O principal suspeito é um tio da garota, casado com a irmã da mãe dela. A menina chegou a ser levada a dois hospitais, mas não resistiu aos ferimentos e morreu no último domingo.
Segundo o delegado-cartorário da 20ª DP (Gama), Wenderson Teles, as oitivas demonstram que a criança chegou a alertar para os médicos e para a família que apanhou do tio. Na tarde de ontem foram colhidos depoimentos dos pais da menina, de parentes e da proprietária da creche onde a criança passava o dia e do tio acusado.
“Agora ele está sendo apontado como agressor, mas não foi indiciado porque ainda não existem elementos nem a causa da morte. Por enquanto, ele é suspeito com base na declaração da mãe”, explica Teles. A investigação aguarda o laudo da morte, que pode demorar até 30 dias.
Tristeza
Ana Luiza teria sido deixada na creche pelo suposto agressor, na sexta-feira, junto com a filha dele. Foi a dona do estabelecimento quem percebeu um coágulo na cabeça da criança e contactou a família. Uma tia da menina a pegou no local e a levou para o Hospital Maria Auxiliadora, no Gama. Mas, segundo a família, por lá não havia neuropediatra e a criança teve de ser levada para o Hospital Alvorada, na Asa Sul, onde foi internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Ela apresentava um coágulo na região da têmpora e do crânio.
Diante dos ferimentos, o próprio hospital acionou a Polícia Civil e o Conselho Tutelar. Muito abalado, o pai da criança, Gilberto Batista Cordeiro Júnior, 32 anos, afirma que desde quando a filha deu entrada no primeiro hospital ela falava que tinha sido vítima do tio. “Ela falava que era o titio que bateu. A mãe dela sai para trabalhar muito cedo e na sexta-feira tinha deixado Ana Luiza com D., porque ele levaria a filha dele e a minha juntas para a creche. Ele ficou sozinho com ela por pouco mais de uma hora”, conta.
O eletricista destaca que a filha teve de ser transferida para o hospital da Asa Sul por causa de falta de especialista no Hospital Maria Auxiliadora. “Lá não tinha neuropediatra e era quase 19h quando ela teve que ser levada para o Plano Piloto. Estamos arrebentados por dentro. Minha filha vai ser enterrada no mesmo dia em que faria aniversário. Está sendo muito difícil”, completa. O enterro será hoje no Campo da Esperança.
Outro lado
O hospital Maria Auxiliadora diz que está apurando a suposta falta de neuropediatra no dia em que Ana Luiza foi levada ao local. Até o fechamento dessa edição não havia respostas sobre o fato.
