A transferência do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro (PL), condenado por chefiar um plano de golpe de Estado no Brasil, para a “Papudinha”, ao lado do Complexo Penitenciário da Papuda, na quinta-feira (15), alterou a rotina do ex-mandatário. Na unidade penitenciária mantida pela Polícia Militar do Distrito Federal, entre as mudanças no dia a dia, está ampliação da cobertura médica, visitas programadas de familiares e o acompanhamento espiritual.
Entre os nomes autorizados pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para adentrar à cela do ex-presidente e levar o consolo religioso está o deputado distrital Thiago Manzoni (PL), que é pastor evangélico.
O trabalho de acompanhamento espiritual existe desde agosto do ano passado, quando o STF determinou a prisão domiciliar de Bolsonaro, por descumprimento de medidas cautelares, como a publicação, por meio de terceiros, em redes sociais.
“O apoio espiritual ao (ex-)presidente Jair Bolsonaro é prestado desde o período em que esteve em recolhimento domiciliar, ocasião em que havia autorização judicial para que o grupo de oração liderado pela senhora Michelle Bolsonaro (PL), do qual faço parte, se reunisse semanalmente em sua residência”, temporizou o deputado distrital, que justificou sua ida à Papudinha. “Neste momento, a visita tem caráter de continuidade desse acompanhamento espiritual, com o propósito de levar a palavra e o consolo de Deus”.
Pastor, Thiago Manzoni tem feito reiteradamente a defesa do ex-presidente em seus discursos na Câmara Legislativa. Com a autorização para as visitas ele será um dos responsáveis dar apoio a Bolsonaro – o outro religioso será o Bispo Robson Rodovalho, líder da igreja Sara Nossa Terra.
“A Bíblia contém ensinamentos capazes de consolar, confortar, animar e fortalecer o coração humano em todas as circunstâncias da vida. Tenho convicção de que, mesmo diante das dificuldades impostas pelo momento, o presidente seguirá fortalecido por sua fé, com espírito firme e confiança para suportar as adversidades”, afirmou.
Reclamações
A transferência de Jair Bolsonaro foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, após reiteradas reclamações de familiares do ex-presidente sobre as condições da cela e das instalações da Polícia Federal.
No local, ainda, médicos da própria PF se revezavam em plantões para o atendimento ao ex-mandatário, que apresenta quadros de saúde que requer cuidados, desde que ele sofreu uma facada durante a campanha à presidência da República em 2018.
Uma vez na Papudinha, Bolsonaro terá apoio 24 horas por dia de equipes médicas, que já atuam no complexo prisional. Outro fator é o espaço destinado ao ex-presidente totalmente privativo e com espaço para que ele possa se deslocar a qualquer hora em espaço externo privativo.
“Embora eu entenda que, para os cuidados com sua saúde e preservação da sua vida, o mais adequado seja o presidente voltar para casa, reconheço que as instalações do batalhão da Polícia Militar são melhores em relação às da Polícia Federal”, completou Manzoni.
A família tem pedido a conversão da prisão de Bolsonaro em domiciliar humanitária, em decorrência de crises de soluço dele e outros problemas de saúde. Porém, médicos analisam que ele pode ser cuidado no sistema prisional.
Alexandre de Moraes avalia a realização de novos exames para definir a continuidade do cumprimento da sentença no local.