Duas testemunhas foram ouvidas na tarde de hoje (7), na Comissão de Comissão de Ética e Decoro Parlamentar, da Câmara dos Deputados.
A merendeira aposentada Leondina Ribeiro de Couto prestou depoimento como testemunha da deputada Eurides Brito (PMDB). O depoimento faz parte do processo por quebra de decoro parlamentar contra Eurides, gravada recebendo dinheiro durante as investigações da Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal.
O testemunho foi prestado à relatora do processo, deputada Erika Kokay (PT), e acompanhado por Eurides Brito. O deputado Batista das Cooperativas (PRP), integrante da Comissão, justificou sua ausência por “motivo de compromisso inadiável”.
Leondina Ribeiro de Couto confirmou que realizou um almoço na campanha de 2006 em sua chácara, em Ponte Alta, no Gama, para divulgar as candidaturas de Eurides à Câmara Legislativa e de Joaquim Roriz para o Senado Federal. Ela disse que não sabe quem pagou pelo almoço, que foi preparado e servido por uma empresa contratada, da qual não se recorda o nome.
O convite para realizar a atividade, segundo a testemunha, foi feito por um assessor da deputada, do qual não lembra o nome. Durante o almoço também foi montado um telão para exibição de um jogo da Copa do Mundo. O encontro, segundo Leondina, contou com a participação de aproximadamente 400 pessoas, todos da região.
Ela informou ainda que não recorda o conteúdo da fala da então candidata na ocasião. Leondina lembrou que Joaquim Roriz não compareceu ao evento, conforme previsto, e algumas pessoas reclamaram da ausência.
A merendeira é servidora concursada da Secretaria de Educação do GDF desde 1968 e se aposentou em 1993. Ela ressaltou que não tem uma relação de amizade com Eurides Brito, mas de “conhecimento”. Leondina também garantiu que este foi o único encontro promovido por ela para políticos.
Os depoimentos mais polêmicos foram colhidos de Ildeu de Oliveira, ex presidente do PMDB, à convite da comissão. Ele apresentou uma versão diferente da deputada Eurides sobre a origem do dinheiro que ela teria recebido nas filmagens.
Ildeu teria comentado o caso de estremecimendo das relações entre Eurides e Roriz. Segundo ele, o episódio importante que marca a quebra das relações entre eles aconteceu durante um jantar em sua casa, no qual estavam membros da executiva do partido. Ainda de acordo com o ex-presidente, Odilon Ayres, Eurides Brito e Benício Tavares, na época, estavam apoioando a candidatura de Arruda, em detrimento da de Roriz, e isso teria sido o estopim para os problemas entre os dois.
Durante todo o depoimento, Eurides Brito confirmou a veracidade dos fatos, mas disse também que entendi que Ildeu estava falando apenas de um encontro. Segundo a deputada, os citados tiveram outras conversas, nas quais eles teriam reatado os laços.
Esse desentendimento entre Eurides e Roriz, tornariam arbitrárias as declarações de Eurides, que teria justificado que o dinheiro era oriundo de encontros que a deputada havia realizado na época da pré-candidatura do ex-governador. Esse dinheiro seria um ressarcimento dos gastos que a mesma teve durante ocasiões em que ela defendeu a candidatura de Roriz.
Roriz
A deputada Erika Kokay informou que recebeu as respostas do ex-governador Joaquim Roriz às perguntas feitas por ela sobre o caso envolvendo a deputada Eurides Brito. Cópias das respostas foram encaminhadas aos demais integrantes da Comissão.
A deputada Eurides Brito entregou à Comissão cópias das declarações de renda de seu marido, conforme solicitado pela relatora.