Kamila Farias
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A seca chegou com tudo e está castigando o brasiliense, contrariando a expectativa de que este ano seria mais branda. A combinação de temperaturas altas e umidades baixas tem tido consequências na saúde de quem mora na capital e no meio ambiente, com as queimadas cada vez mais graves e frequentes.
Ontem, a umidade do ar atingiu 26%, mas já caiu a 16% esta semana. A temperatura máxima foi de 27,5°C – o recorde foi 31,2ºC, também nos últimos dias. Para hoje, a estimativa é que a umidade relativa do ar varie entre 65% e 25% e a temperatura máxima chegue a 29ºC.
De acordo com a meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) Márcia Seabra, hoje completam 82 dias sem chuva no DF, mas, para ela, a situação está dentro do esperado. “Ainda não temos como prever chuvas, mas normalmente aparecem na segunda quinzena de setembro. Apesar de a seca estar forte, está dentro do normal para essa época do ano”, explica.
“Temos duas estações e nelas podemos identificar como está a temperatura e a umidade naquele exato momento. E temos equipamentos e cálculos matemáticos que nos permitem ter a previsão dos próximos cinco dias”, informa Márcia. São três especialistas trabalhando das 7h às 23h, analisando ventos, umidade relativa do ar, temperatura, precipitação, entre outros, a cada hora. Com tudo isso, ela já adianta que o feriado de 7 de Setembro será quente, mais uma vez.
De acordo com o Instituto Brasília Ambiental (Ibram), no período de estiagem, o clima favorece à propagação de incêndios florestais, pois o ar fica muito seco, o céu tem poucas nuvens e a vegetação muito ressecada, prejudicando ainda mais a qualidade do ar. Só ontem, o Corpo de Bombeiros combateu mais de 50 focos de incêndio. Para se ter uma ideia, em agosto foram atendidas 2.212 ocorrências. Na terça-feira, no Grande Colorado, em Sobradinho, ocorreu a pior queimada do ano.
Para atenuar
Para tentar amenizar o tempo seco, o encarregado de setor José Dalbert Medeiros comprou um umidificador de ar. Segundo ele, a secura está muito intensa e seus filhos estão sendo muito prejudicados. “Tenho três crianças e elas estavam sentindo muita dificuldade na hora de dormir. O período está muito seco e elas estavam tossindo bastante, ficando gripadas. Estava tendo muitos gastos com medicação, então achei melhor investir em um umidificador e a situação já está aliviando”, comenta. Ele não foi o único a ter essa atitude. Segundo o Sindicato das Farmácias do DF, a vendas aumentaram, em média, 35%.
De acordo com a Secretaria de Saúde, até junho deste ano, 8.930 pessoas foram internadas por doenças respiratórias. O próximo balanço será divulgado ainda este mês. No entanto, segundo a coordenadora de Alergia e do Programa de Asma da secretaria, Marta Guidocci, nessa época do ano, diferentemente do que se pensa, diminui a incidência de doenças respiratórias.
“Ácaros e fungos precisam de umidade. No entanto, nessa época circula mais o rotavírus e a catapora. Mas, em qualquer situação, a pessoa tem que se hidratar bastante, principalmente olhos e narinas, e ter alimentação saudável”, informa.