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Brasília

Tempo de espera maior na saúde pública

Arquivo Geral

06/12/2013 7h40

A paralisação das atividades de enfermeiros da rede pública de saúde do Distrito Federal causou transtornos e demora nos atendimentos hospitalares. Aproximadamente 90% da categoria suspendeu os serviços por um dia. Ao todo, dois mil enfermeiros aderiram ao protesto. Sem a presença dos profissionais de saúde, técnicos e auxiliares de enfermagem também deveriam, por regra, paralisar as atividades. A legislação da categoria determina que eles só podem exercer os serviços sob supervisão de um enfermeiro. Diante da situação, entre três mil e cinco mil pacientes deixaram de ser atendidos nas unidades de saúde.

A paralisação ocorreu porque a categoria reivindica isonomia salarial entre as classes de saúde, uma vez que os médicos receberam um acréscimo de 60% do salário e os profissionais de odontologia foram beneficiados com o aumento de 40%, enquanto os enfermeiros não tiveram aumento. 

Valorização

O presidente do Conselho Regional de Enfermagem do DF (Coren-DF), Wellington Antônio da Silva, explica que a categoria pede, pelo menos, a isonomia salarial de dentistas. “A paralisação é pela valorização dos enfermeiros que operam as ações básicas dentro de um hospital e que estão à frente de tudo. São eles que comandam a supervisão de toda a enfermagem dos centros de saúde e não é justo que sejam esquecidos em relação a salário e carreira”, destaca o presidente do Coren.

Fiscalização

Sem a presença dos enfermeiros, uma equipe de fiscalização do Coren esteve inspecionando os hospitais para garantir que nenhum técnico ou auxiliar de enfermagem estivesse trabalhando sem a supervisão do profissional formado de graduação. 

A classificação de risco do paciente, por exemplo, é feita por um enfermeiro. Em caso de paralisação, o médico é quem tem de analisar previamente a pessoa que precisa de atendimento. “Isso pode ocasionar em uma demora maior, porque o médico seria o responsável pela triagem dos pacientes antes de examiná-los”, ressalta.

Ganhos

Os enfermeiros atuam também em programas como de tratamento da tuberculose, partos humanizados e trabalham em unidades emergenciais. O salário de 40 horas semanais é de aproximadamente R$ 6 mil na rede pública de saúde.

 

Atendimento mínimo

Na tarde de ontem, o Hospital Regional da Asa Norte (Hran) contava apenas com dois enfermeiros  na triagem. No Hospital de Base,  um profissional cuidava da classificação de risco.

O oficial de eletricista Thiago Pereira dos Santos passou por dois hospitais para tentar atendimento. A paciente que apresentava infecção urinária já aguardava há cinco horas. “Eu não vi um enfermeiro esse tempo todo que estou aqui. Até conseguir fazer uma triagem para ser conduzido ao médico está sendo um sufoco”, ressaltou.

Carlos Wudson da Mota, 37 anos, ficou por mais de três horas na fila e nada. “A situação complica mais sem enfermeiro”, lamenta.

Procurada pela reportagem, a Secretaria de Saúde do DF não respondeu a reportagem até o fechamento dessa edição. 

 

 

 

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