Jéssica Antunes
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A chuva começou a dar o ar da graça no Distrito Federal, mas o calor continua. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a temperatura máxima chegará a 32 ºC nos próximos dias. Com isso, equipamentos que amenizam a sensação térmica, como ventiladores, climatizadores e ar-condicionados, somem das prateleiras com um crescimento médio de 3% nas vendas. Lojas estão com estoques zerados, e fornecedores não conseguem atender a demanda.
O casal de aposentados José Henrique da Silva e Neusa Aires Silva, 75 e 68 anos, não aguentou mais sofrer com as altas temperaturas em Vicente Pires, onde mora, e resolveu comprar ar-condicionados. “O calor está demais e estamos comprando logo dois equipamentos. Não dá para aguentar. A gente não consegue dormir”, contou a mulher. Mesmo apertando um pouco o orçamento familiar, o investimento é pelo bem-estar da família.
Estoques em baixa
Eles tiveram sorte. Levaram os dois últimos aparelhos da loja, que está com os estoques em baixa. Lucivaldo Rodrigues, 50, saiu de lá com as mãos vazias. O motorista ainda faria uma via-sacra em busca do aparelho para garantir conforto à esposa, que faz tratamento de saúde em casa, em Taguatinga. “Nós moramos na QNH. Lá tem árvore, mas não adianta. A saída para amenizar é só o ar-condicionado, não tem para onde fugir. Vai pesar no bolso, mas vale a pena”, ponderou.
O JBr. percorreu lojas de móveis e eletrodomésticos em Taguatinga e constatou que os casos de desabastecimentos não são isolados. Todas as lojas visitadas apresentaram algum déficit nos estoques. Ventiladores são os que mais estão em falta.
Em uma delas, cem umidificadores chegaram em um dia. Quatro dias depois, todos haviam sido vendidos. “Tem procura a todo momento, e muitos clientes saem de mãos abanando. Agora, só temos ar-condicionado e de uma marca que pouco sai”, contou o vendedor Genivaldo Tavares. Na loja que trabalha, as vendas do setor cresceram mais que 100%.
Buscas frustradas por equipamentos
Só neste mês, uma rede de supermercados afirmou ter registrado, no DF, um aumento de 65% das vendas em comparação ao mês anterior. Como consequência, os estabelecimentos têm enfrentado problemas de reabastecimento em virtude da grande procura. Fornecedores tampouco conseguem atender às solicitações de reposição.
A dentista Jandira Rocha, 56 anos, desistiu de procurar. Depois de passar por várias lojas e hipermercados de Taguatinga e do Plano Piloto em buscas frustradas por um climatizador para aliviar o calor, pediu a familiares de Goiânia para comprar o aparelho para ela.
Edson de Castro, presidente do Sindicato do Comércio Varejista do Distrito Federal (Sindivarejista), confirma que ventiladores, umidificadores e equipamentos de ar- condicionado estão deixando mais rapidamente as prateleiras.
“As vendas estão maiores, e a temperatura se mantém alta. Além desses equipamentos, também aumentam as saídas de cremes hidratantes e protetor solar. Os consumos estão maiores”, conta. Com isso, lojistas já pediram reposição de peças. “Quem colocou preço normal, vendeu”, garante Castro.
Saiba mais
Mesmo com as vendas disparadas de equipamentos que dependem de energia para funcionar, a Companhia Energética de Brasília (CEB) afirmou que não há registro de aumento do consumo até o momento.
De acordo com a CEB, um dos aparelhos que mais consome energia nas residências é o chuveiro elétrico, enquanto que o banho gelado, comum na época de calor, gera economia de energia.