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Brasília

TCDF quer que corporações expliquem por que militares deixaram as operações

Arquivo Geral

04/02/2016 7h00

A crise na segurança pública, materializada pelo aumento da sensação de insegurança e crimes que chocam  a população do DF, chegou ao Tribunal de Contas. A Corte determinou que a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros   prestem informações sobre o efetivo das corporações em atividade, após denúncia do  Ministério Público de Contas de que  há um elevado número de policiais  e bombeiros  fora das ruas e trabalhando em áreas administrativas. 

As duas corporações, que já foram notificadas, têm  prazo de 20 dias para responder aos apontamentos do Ministério Público,  para quem as corporações não têm observado o percentual mínimo de 80% do efetivo geral na atividade fim, conforme determina o Decreto nº 24.533, de 14 de abril de 2004. 

De acordo com a representação, apenas 44,4% do efetivo dos Bombeiros estão em atividades-fim e   55,6%  na área meio. Na PM, pouco mais da metade – 51% – estão nas ruas, avalia o MP, enquanto  35% atuam no  administrativo e 14% foram cedidos para outros órgãos.

“Se os limites mínimos estivessem sendo cumpridos, vários crimes não teriam ocorrido e várias pessoas teriam sido atendidas por haver equipes de socorro completas, com bombeiros operacionais e motoristas nas viaturas de socorro”, diz a denúncia. 

Fundo constitucional

O contingenciamento de recursos e  a distribuição do Fundo Constitucional do DF também estão na mira do Tribunal, onde tramitam  representações que questionam a  utilização indevida dos recursos federais, destinados ao custeio da segurança pública, já que é competência da União organizar e manter as três forças de segurança do DF. 

 Ainda não há decisão de mérito para as    ações protocoladas pelo Sindicato dos Delegados do DF (Sindepo) e pelo Sindicato  Sindicato dos Policiais Civis do DF (Sinpol-DF), no ano passado. As entidades alegam que  os investimentos em  segurança pública têm  sido deixados em segundo plano. E que o DF tem desvirtuado a finalidade dos recursos e utilizado o Fundo.    

Um exemplo de que  a situação vai mal na Polícia Civil, por exemplo,  é que dos R$ 128 milhões  para investimentos previstos na Proposta de Lei Orçamentária Anual (PLOA)  2015,  somente R$ 30 milhões foram para a LOA. E apenas R$ 3 milhões foram disponibilizados para execução  no ano passado, segundo o presidente do Sindepo, Benito Tiezzi. “A situação é calamitosa. Estamos num círculo vicioso de sucateamento da segurança”.

 

Dinheiro jogado pelo ralo

Na  terça-feira, o JBr. mostrou que o governo local  deixou que fossem devolvidos ao Governo Federal R$ 135 milhões do Fundo Constitucional, conforme  o deputado Wasny de Roure (PT). 

Esses recursos  estavam empenhados para  a segurança, mas, como nem foram utilizados, nem transferidos, retornaram  para a União.   

 Sobre o Fundo Constitucional, a  Secretaria de Fazenda do DF pediu mais prazo para analisar os números do deputado e do TCDF — e para comentar os dados. 

 

Recursos com finalidade desviada

Para Benito Tozzi, a atual gestão “patrocina um desvio de finalidade no Fundo Constitucional”. Ao não utilizar os recursos para as necessidades da segurança pública. Ele diz perar que o processo que tramita no Tribunal de Contas do DF “corrija esta ilegalidade”. 

 O sindicalista argumenta que, com os recursos federais, o governo não deveria deixar  faltar dinheiro para contratar, por exemplo. Ele cita a  crise de recursos humanos que vive a Polícia Civil, por exemplo.

A diretoria-geral tem tentado, junto ao Palácio do Buriti, autorização para nomear 430 aprovados no último concurso público (leia mais no Ponto do Servidor, página 20). Os agentes e escrivães não seriam suficientes para suprir a carência de quadros na corporação, que, hoje, é menor que o efetivo de 1993.

Déficit de pessoal

Para o  Sindicato dos Policiais Civis do Distrito Federal (Sinpol-DF), é preciso investir na efetiva investigação de quadrilhas e organizações criminosas que tiram a paz da capital federal. 

Hoje, em todo o Distrito Federal,  apenas cerca de 30 policiais civis são responsáveis pela atividade investigativa, informa o sindicato. Seriam necessários pelo menos 100 destes profissionais.

O Fundo Constitucional do DF, aponta o sindicato, que  deveria servir prioritariamente para manter os serviços de segurança têm sido utilizados em grande parte para outras áreas do governo, como saúde e educação. De forma recorrente, o Palácio do Buriti tem usado como justificativa os limites impostos pela Lei de Responsabilidade para não contratar pessoal. Os recursos que mantêm a segurança pública , lembra o sindicato, são federais e não são utilizados no cálculo da lei.

“É preciso que o Governo do DF perceba, de uma vez por todas, que, diferentemente de outras áreas do serviço público, quando não se investe em segurança, todos saímos perdendo: perdemos o patrimônio e, acima de tudo, vidas”, diz o Sinpol-DF, em nota.

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