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Brasília

Taxistas reclamam de norma que obriga o uso de uniforme

Arquivo Geral

04/10/2014 8h40

Uma determinação da Secretaria de Transportes  provocou polêmica entre os taxistas antes mesmo de entrar em vigor. A norma, prevista para valer a partir de segunda-feira, prevê a padronização da roupa dos profissionais que atuam na área central e no Aeroporto Juscelino Kubitschek. A insatisfação da categoria é grande e o governo já fala em alterar as regras.

A Setrans estabeleceu que homens devem vestir  traje social, a começar pela camisa,   de cor única e clara, preferencialmente branca, creme ou bege.  São permitidas calças pretas ou azuis marinho, combinando com as meias, cintos e sapatos. Para as mulheres, a orientação é usar camisa social com calça ou saia na altura ou abaixo do joelho. Para ambos os sexos, deve-se optar por tecido   sarja, oxford, linho, microfibra ou similar.

Insatisfação

Já existe uma lei anterior, definindo o uso da roupa social, mas sem a limitação de cor. O taxista Francisco Anísio, 68 anos, alega que sempre se vestiu conforme as regras, e  não concorda com o novo regulamento. “É um absurdo essa cobrança de cores. O importante é estar limpo e vestido com roupa social”, argumenta. 

 Ana Paula Gomes, 35, por sua vez, diz que precisa de uma roupa  adequada ao clima tropical. “Eles querem definir uma roupa fechada. Aqui em Brasília é muito quente, tem que ser uma roupa mais leve”, justifica a colega de profissão.

Não são só os taxistas que discordam  da determinação. Usuária do serviço, a produtora de cinema Shanti Cordeiro, 40 anos, acredita que existem outras preocupações mais importantes. “Eles não precisam de uniforme. O que eles precisam é ter o carro próprio”, frisa.

Já o estudante de Anápolis (GO) Marco Antônio Sousa, 23, tem opinião diferente: “Com o uniforme o turista consegue identificar melhor o profissional”.

Fim de semana menos formal
 
Aos fins de semana e  feriados, será permitido  traje menos formal: camisa gola pólo, calça jeans e sapato. No entanto, não é permitido qualquer tipo manifestação pessoal. Ou seja, o condutor não pode usar nada relacionado a times de futebol ou à religião,  por exemplo.
 
O Sindicato dos Taxistas  (Sinpetaxi-DF) não concorda com a mudança. Segundo a presidente da entidade, Maria do Bonfim,  regra  é muito rígida. “Sou contra essa portaria. O importante é o motorista estar vestido com uma roupa social. Uma estampa, um listra ou detalhe não interfere na qualidade do serviço”, destaca.
 
 
Outras polêmicas
 
Em 2008, o governo determinou que os táxis do DF só poderiam ser de cor  branca, cinza ou prata, e na época muita gente também não gostou da ordem. Desde aquele ano, os carros dos taxistas podem ter no máximo seis anos de uso. Em 2011, a obrigatoriedade de adesivos de identificação também causou insatisfação.
Meses atrás, houve polêmica fora do Distrito Federal. Em Porto Alegre (RS), um decreto municipal  exigia a camisa azul para a prestação do serviço dos profissionais dos táxis. Após várias discussões   entre o sindicato e o governo do estado, a Justiça derrubou a legalidade da portaria local.
 
 
Versão oficial
 
Depois da polêmica, a Secretaria de Transportes do Distrito Federal reconheceu que a medida é severa e garantiu que não haverá fiscalização até uma nova determinação, que deve sair   na próxima semana. “ Estamos conversando com o sindicato. Em breve, será publicada uma nova portaria mais flexível”, esclareceu.
 

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