Vitor Ventura
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O Distrito Federal é a unidade da federação com a terceira maior taxa de desocupação, atingindo 8,7%, atrás apenas de Pernambuco (10,4%) e da Bahia (9,1%). As informações são referentes ao 2° trimestre de 2025, divulgadas na última sexta-feira (15) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Apesar da posição alta no ranking, o DF registrou uma queda de 0,5% na taxa de desocupação considerando o trimestre anterior (9,2%). Os dados foram coletados através da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua Trimestral.
Silvanir Destefani Sartori, doutor em Ciências Sociais, explica que é importante considerar a metodologia do IBGE na análise dos dados. “A taxa divulgada pelo IBGE, embora comumente chamada de taxa de desemprego, corresponde, na realidade, à taxa de desocupação. Essa distinção é fundamental, pois a metodologia do IBGE considera desocupadas as pessoas com 14 anos ou mais que estão em busca de trabalho, mas não se encontram ocupadas, seja no mercado formal ou informal. Já a noção de desemprego, em sentido amplo, abrange todos os que não possuem vínculo empregatício, somados inclusive os que atuam de forma informal”, pontua Sartori.
Portanto, ao se falar em taxa de ocupação, trata-se do conjunto de pessoas que exercem algum tipo de atividade laboral, independentemente de vínculo formal (trabalho sob vínculo empregatício) ou informal (trabalho por conta própria ou subordinado, mas, sem vínculo empregatício). Nesse contexto, o especialista pondera sobre as questões que envolvem tanto a taxa de desocupação no DF, quanto no Brasil (5,8%).
“Os dados mais recentes da PNAD Contínua mostram uma queda da taxa de desocupação no segundo trimestre de 2025, tanto no DF como no Brasil. Contudo, tal redução exige análise das condições de inserção laboral, já que parte desse movimento pode estar vinculada à expansão de formas de trabalho desregulamentadas, marcadas por condições de trabalho intensificadas, ausência de seguridade social e baixos rendimentos”, analisa.
Diante disso, Sartori coloca como uma questão importante os baixos índices de trabalho por conta própria na capital. “No caso específico do DF, a PNAD aponta que, embora a região apresente taxa de desocupação superior à média nacional (8,7%, frente a 5,8%), figura entre as unidades da federação com menor percentual de trabalhadores por conta própria — 18,6% contra 25,2% da média nacional. Da mesma forma, a taxa de informalidade no DF, composta por trabalhadores por conta própria e informais subordinados sem carteira assinada, é a segunda menor do país, superada apenas por Santa Catarina”, explica.
Para o especialista, o vínculo formal ainda é a modalidade que mais protege o trabalhador. Dessa forma, ele analisa que esses dados podem indicar que a ocupação no DF tem acontecido de forma relativamente mais qualificada se comparada ao restante do país. “Trata-se de uma hipótese, mas que adquire contornos quando se analisa que o rendimento médio mensal do trabalhador do DF atingiu R$ 5.727,00 — o maior do país e acima da média nacional de R$ 3.369,00.
Por fim, Sartori destaca a capacidade de gerar empregos formais do DF: “dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indicam a abertura de 29.689 novas vagas formais no DF no primeiro semestre de 2025, o maior número registrado desde o início da série histórica em 2020. Cabe mencionar que historicamente, taxas de desemprego elevadas tendem a favorecer a informalidade, isso porque o trabalhador que não consegue ocupar o trabalho formal, se vê compelido ao trabalho informal”, aponta o especialista. De acordo com Sartori, ainda que a taxa de desocupação da capital permaneça entre as mais elevadas, há um alinhamento à tendência nacional de redução.
Governo prevê redução
Em nota ao Jornal de Brasília, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Renda (Sedet) afirma que a taxa de desocupação apresentada no 2° trimestre indica um movimento gradual e consistente de recuperação do emprego na capital e que tem atuado de forma integrada e estratégica para manter a tendência de redução da desocupação e fomentar a geração de empregos de qualidade.
Segundo a Pasta, são colocadas em práticas diversas ações com o objetivo de reduzir o desemprego, como a oferta de programas de qualificação profissional, voltados para preparar a população para as demandas do mercado de trabalho; o apoio à economia solidária, por meio de ações como a Feira do Trabalho e do Campo; o estímulo ao empreendedorismo local, com programas como o Prospera, que oferece crédito e capacitação a pequenos empreendedores; o fomento ao ambiente empresarial, por meio do acesso ao Fundo Constitucional do Centro-Oeste (FCO) e de incentivos fiscais de até 67% de ICMS, dentro do programa Emprega DF; e a promoção da legalização e da segurança jurídica de empreendimentos, com políticas como o Pró-DF e o Desenvolve-DF.
A Sedet também reforçou que trabalha na qualificação, inclusão produtiva e fortalecimento do setor produtivo, para que o DF avance cada vez mais em direção a um mercado de trabalho mais justo, dinâmico e com oportunidades para todos.