O medo de fazer uma tatuagem que pode desbotar, que não tenha mais sentido no futuro ou simplesmente enjoar, acabou. Já existem maquiagens e tratamentos capazes de esconder e até remover por completo os desenhos indesejados. Para quem curte tatoos, ainda há a possibilidade de fazer uma nova arte cobrindo a anterior, seja porque ficou ruim ou porque já não faz mais parte da vida, como o nome de um ex-amor.
De acordo com Mayne Chiaparro, especialista e fisioterapeuta da clinica Pró-Corpo Estética, em São Paulo (SP), “com as tecnologias disponíveis já é possível apagar a tatuagem sem deixar sinais de que ela um dia existiu. E, ao contrário do que dizem por aí, independe se o desenho é preto ou colorido”.
O tempo que a tatuagem leva para ser completamente removida, indica Mayne, depende de uma série de fatores. “Quanto mais finos os traços, mais fácil é a remoção por laser. Outro ponto importante é a pigmentação. Quanto mais colorida, mais sessões são necessárias”, afirmou.
Segundo Chiaparro, a duração do processo depende do tamanho da tatuagem. “O intervalo entre as sessões varia entre 45 e 60 dias, de acordo com a cicatrização da pessoa. Quanto maior o espaço de tempo, maior será também o aproveitamento”, disse.
Laser específico
A profissional explica que existe um laser específico que identifica os pigmentos da tinta da tatuagem e causa uma fragmentação imediata. “Com isso ocorre um processo inflamatório e, na sequência, a cicatrização. O corpo absorve essas pequenas partículas aos poucos, o que faz com que o antigo desenho clareie de forma progressiva”, diz.
Também há casos em que o alto custo do tratamento – até R$ 2 mil por sessão -, o tempo dispensado e a dor, tornam a remoção inviável. Para se ter uma ideia, uma pessoa com as duas pernas cobertas de desenhos precisaria desembolsar em torno de R$ 150 mil para apagar as tatuagens.
Para quem não pode arcar com um tratamento, há outras opções. Os corretivos para a pele são um exemplo. Formulados para cobrirem manchas e tatuagens, custam a partir de R$ 100.
Cobrir o desenho é uma alternativa
Se você gosta de tatuagens e se arrependeu de ter feito um desenho específico por causa da arte, da motivação, do tamanho ou da coloração, ainda é possível tentar cobri-lo. Daniel Parga, tatuador do estúdio Arcanjo, na 314 Sul, diz que é preciso avaliar as condições de uma tatuagem antes de iniciar um trabalho de cobertura. “Dá para cobrir boa parte das tatoos, mas primeiro converso com o cliente e vejo se ele já procurou o antigo tatuador”, afirma. “Se vejo que a nova tatuagem pode ficar ruim, nem pego o trabalho. Afinal, é o meu nome que está em jogo”, continua.
Segundo ele, porém, existem desenhos que não podem ser cobertos. “Se a tatuagem for muito escura, por exemplo, só uma tarja da mesma cor poderá apagá-la. Por isso a importância de escolher bem o desenho que passará a fazer parte do seu corpo”, alerta.
Os apaixonados
Parga diz que sempre desencoraja os casais apaixonados a tatuarem os nomes dos parceiros. “Quase sempre eles voltam querendo tirar. O ideal é que o desenho escolhido seja ligado a algo que a pessoa ama e não a alguém. Pode ser a profissão ou um hobby. Alguma coisa que tenha significado. Também não é legal pegar algo na internet ou tirar uma foto da tatoo de outra pessoa e trazer querendo que fique igual. O bacana é levar a ideia para o próprio tatuador montar a arte”, diz.
O arrependimento é uma sensação que L. F. G, advogado, de 27 anos, conhece bem. “Já namorava há mais de dez anos quando resolvi tatuar o nome da minha namorada. Achei que nos casaríamos e que eu jamais me arrependeria. Até ela foi contra quando resolvi fazer o desenho, disse que nós não precisávamos daquilo e afirmou que não faria também. Ainda assim, eu fui em frente e tatuei o apelido dela no braço. Cerca de dois anos depois terminamos e eu tive que cobrir. Sorte que era uma palavra pequena e foi fácil. Fiz uma mandala, com uma parte preta passando sobre o nome dela no lugar”, lembra.
Já Seref Ertek, chefe de cozinha, de 31 anos, pensou três anos antes de resolver tatuar Rémy, o ratinho protagonista do filme Ratatouilli, em um dos braços. “É a minha segunda tatuagem. Queria alguma coisa ligada a minha profissão porque amo o que faço. Como tem um significado especial acho que não terei arrependimentos”, disse.
Segundo Daniel Parga, para conservar a tatuagem é preciso cuidados. “Quando o desenho é feito recomendamos evitar a ingestão de comidas gordurosas. Além disso, a pessoa deve evitar pegar sol durante um mês e, depois, sempre que for se expor ao sol, utilizar filtro solar. Isso porque os raios ultravioleta ajudam a modificar a pigmentação da tatuagem. Se a pessoa cuidar é possível retocar o desenho em apenas 15 anos”, conclui.
Saiba mais
Os casos de arrependimento depois de uma tatuagem são mais comuns do que se imagina nos consultórios. Estudo realizado pela Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp), e coordenado pelo dermatologista Carlos Roberto Antonio, apontou que em uma amostra de 220 pessoas, 95% não fariam uma tatuagem novamente e 50% queriam fazer a remoção.